quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Resenha: A coragem de ser imperfeito: Como aceitar a própria vulnerabilidade e ousar ser quem você é – Brené Brown

O título original do livro é “Ousadia extraordinária: Como a coragem para ser vulnerável transforma o jeito que vivemos, amamos e lideramos nossos filhos”. O que, à luz de tudo que foi escrito, faz mais sentido; pois aqui Brown dedica um capítulo todo sobre liderança e criação de filhos.
A palavra-chave do livro é “vulnerabilidade”. Ao longo do livro, Brown oferece várias definições de vulnerabilidade: 1) É deixar ser visto, é ousar aparecer (p.10); 2) É incerteza, risco e exposição emocional (p. 28). Brown diz que ser vulnerável assemelha-se a estar nu (p. 31). Para Brown, estar vivo é, em si, um ato de vulnerabilidade daí ser um fato de coragem ou ousadia (p. 34).
Vulnerabilidade requer reciprocidade (p. 36). Nas palavras de Brown, ‘ninguém é capaz de abraçar a transparência e a vulnerabilidade sem reservas, hesitação ou medo’ (p. 88). Brown dedica um capítulo todo aos escudos que usamos para camuflar a vulnerabilidade. São sete (p.89-126):

1. A alegria como mau presságio
2. Perfeccionismo
3. Entopercimento
4. Viking (vítima)
5. Super-exposição
 5.1 Holofote
 5.2 Invadir e roubar
6. Ziguezaguear
7. Desconfiança, crítica, frieza e crueldade

Brown ao longo do livro trabalha também e muito excelentemente o conceito de ‘cultura’. Esse conceito, apropriando-se da definição de Terrence Deal e Allan Kennedy significa: “A maneira como fazemos as coisas por aqui” (p. 128). Pois vulnerabilidade é o andar na contramão da cultura da escassez, que para Brown, é a maior influência cultural da nossa época (p.22) e que se resume a não ter o suficiente e nem ser o suficiente (p.23). Ao contrario da cultura da escassez, a autovalorização não tem pré-requisitos (p.163-164).
Para desenvolver corretamente a vulnerabilidade é preciso praticar a resiliência, isto é, a boa virtude de se recuperar rapidamente de um revés ou de adaptarmos à mudança (p. 57). Evitar profusamente a comparação que, mesmo nostálgica, é perigosa (p. 23). É armar-se do pensamento que ao assumirmos nossa história escreveremos o seu final (p.62; 170). O ser humano é a melhor arte que existe, e arte é tudo aquilo que é perfeitamente perfeito (p.102).
Por fim, vulnerabilidade e aceitação não tem caminho pronto. Como Mark Manson salienta em “A arte sutil de ligar o foda-se”(p. 123), aqui também Brown concorda e cita o poeta espanhol Antonio Machado: “Caminhante não há caminho, se faz o caminho ao andar” (p. 187). Reconhecer-se suficiente enquanto pessoa e viver a vulnerabilidade de ser humano é um pequeno passo dado a cada vez. Somos pequenos blocos construídos ao longo do tempo. Fragmentos de rocha lapidados pelo tempo, espaço e relacionamentos. Afinal, como Brown insiste, existimos para criar vínculos uns com os outros...

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

MINHA RESENHA: A SUTIL ARTE DE LIGAR O F*DA-SE (MARK MANSON)

O livro tem nove capítulos. No primeiro deles, Mark Manson traz o que ele chama de ‘sutilezas’. Para mim, o livro é, em si, uma explanação dessas três sutilezas. O livro é recheado de histórias fascinantes; começando por Charles Bukowski passando pela história de Buda, Beatles, Metallica, Dave Mustaine, Pablo Picasso, Hiroo Onoda, Shakespeare entre outros. O livro tem citações fenomenais de personalidades consagradas como Freud, Aristóteles, Tim Ferris, Mark Twain entre outros. 

Mark Manson oferece uma definição interessantíssima para felicidade. A partir do capítulo em que oferece tal definição, o autor começa a trabalhar conceitos como ‘esteira hedonista’, ‘a lei do esforço invertido’, o que chamei de ‘paradoxo da extraordinariedade’.  

Em determinados momentos pode parecer para algumas mentes dogmáticas que Manson trabalha relativismo. À primeira vista parece mesmo, mas só à primeira vista, pois ele está tratando sob o conceito da falsa memória tão trabalhado nos idos de 1980. 

Um dos insights mais belos para mim em todo o livro, é o conceito que ele traz do fracasso  e também o conceito da motivação. Motivação não vem de um impulso emocional, mas de uma decisão prática. Eu faço, logo sou motivado e porque sou motivado pela ação, continuo agindo. É  o que Mark chama de princípio de faça alguma coisa. 

Em outro capítulo, agora já no oitavo, Mark faz dizer que para aproveitar algo em profundidade, devemos rejeitar aquelas que promovem superficialidade. Aqui ele trabalha o chamado paradoxo da escolha. 

No capítulo final, Mark Manson trabalha a perspectiva da vida à luz da morte. Aqui, faz lindas citações. Aqui ele utiliza alguns conceitos do livro a negação da morte de Ernest Becker. Nesse capítulo faz uma pequena alusão ao efeito borboleta (não ao filme em si, mas ao conceito).

Todavia, algumas ressalvas devem ser feitas. Senti falta de uma conclusão adequada. Poderia ter sido um apanhado geral de todas as ideias presentes (e são muitas!) no livro. Para as mentes mais legalistas, o livro receberá alguma censura pelo palavreado de início (o que para mim, não justifica nenhuma crítica a esse respeito, a meu ver, todos em algum momento utilizam o palavreado).

A tônica do livro é: Escolher com o que se importar, assumindo sempre a responsabilidade por eventos posteriores. Fazer isso é escolher suas batalhas. A escolha destas batalhas revela seus valores, garante suas ações, gera sua motivação, te faz aproveitar profundamente as coisas. Sempre escolhemos isso é fato. Devemos, portanto, escolher bem, afinal de contas, um dia morreremos.