quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Reflexão sobre Teologia

Neste dia de Natal gostaria de compartilhar com vocês alguma coisa a respeito da Teologia Cristã Protestante. Pois Teologia no seu sentido mais puro é “assunto a respeito de Deus”. Fato é que todas as pessoas em todo lugar, em qualquer época, tem sua teologia, quer reconheçam isso quer não.

Não é meu objetivo aqui, esclarecer neste dia de Natal, se Jesus nasceu ou não nessa mesma época, ou o que significam os símbolos e datas que vieram a estar ligadas ao Natal. Quem sabe faço isso em outro momento. Meu objetivo aqui é incentivá-los a terem uma fé racional, que sabe os fundamentos bíblicos e históricos que professam. Não tenciono ser exaustivo nesse pequeno escopo, mas quem sabe, contribuir um pouco para que nossa geração esteja mais bem informada a respeito da fé e da história da Teologia da Cristandade.

A primeira coisa a dizer é que o surgimento Histórico da Teologia não foi especulativo ou porque não tinham mais o que fazer. A teologia surgiu por uma necessidade de defender o Cristianismo Bíblico e Autêntico das heresias e cismas que os sectários faziam depois da morte dos apóstolos. Todo Concílio que houve desde então foi feito com o propósito de dirimir disputar e voltar à fé bíblica.

A segunda coisa a se dizer é que as pessoas interessavam-se pela Teologia no dia a dia. Um dos pais capadócios chamado Gregório de Nissa, grande defensor da Doutrina da Trindade, escreveu: “Se a gente pedir um trocado, alguém irá filosofar sobre o Gerado e o Não-gerado. Se perguntar o preço do pão, dirão: O Pai é maior e o Filho é inferior. Se perguntar: O banho está pronto?, dirão: O Filho foi criado do Nada”. Gregório certamente não estava reclamando do envolvimento de cristãos comuns nas disputas teológicas. Seu tom de queixa é porque a maioria dos leigos daquele tempo parecia simpatizar com a posição ariana ou semi-ariana que rejeitava a igualdade entre Jesus, o Filho e Deus Pai. Como em muitas outras controvérsias doutrinárias antes e depois daquela, tanto leigos como líderes eclesiásticos e teólogos profissionais encontram-se ativamente envolvidos no debate sobre crenças cristãs corretas. As crenças tinham importância e devem continuar tendo agora. [1]

No entanto o pensamento dominante é o relativismo cada um tem uma verdade. O foco primordial hoje é o pragmatismo e aquilo que funciona. O grande problema aqui, nesse caso, é que o que era verdade, fora da Palavra de Deus, no passado pode não ser verdade para outros amanhã; e aquilo que era funcional para gerações passadas podem não ser funcional amanhã.

A terceira coisa a se dizer a esse respeito é que a Teologia é o terreno da nossa defesa racional contra ataques céticos e descabidos; ou seja, a Teologia está intimamente ligada a Apologética.

Por que não adoramos imagens? Quem estuda iconoclastia responderá. A resposta bíblica é “Pois Deus nos ordenou dizendo: Não farás para Ti imagens de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima, nos céus, ou embaixo, na terra; ou nas águas, embaixo da Terra” (Êxodo 20), mas por outro lado, argumentam os católicos romanos e ortodoxos orientais, que as imagens não são adoradas, mas apenas uma lembrança de santos piedosos que com suas vidas os estimulam. Aí entra o ramo teológico da Apologética. Responder-se-á que um grande defensor para tal prática foi João Damasceno no século VIII, e que antes de tal data não havia tal pratica na Igreja Cristã.

Responder-se-á ainda que os iconoclastas argumentavam que o uso de imagens na Igreja limitava a natureza divina de Cristo e traria uma divisão de duas unidades conflitantes em Cristo, sendo por isso condenada.
Outra razão nos é dada por Moisés, porque não adotamos imagens no culto cristão: “Então o Senhor falou a vocês do meio do fogo. Vocês ouviram as palavras, mas não viram forma alguma; apenas se ouvia a voz”. (Deuteronômio 4:12)

O apóstolo Pedro escreveu para a Igreja o seguinte: “Estejam sempre preparados para responder a qualquer que lhes pedir a razão da esperança que há em vocês.” (1 Pedro 3:15). Sabe-se que o texto poderia muito bem ser traduzido assim para o português: “Estejam sempre preparados para fazer apologia da esperança que há em vocês”, pois a palavra “razão” do texto de Pedro nada mais quer dizer que apologia ou defesa racional da fé.

A quarta coisa a se dizer é que a Teologia tem seus contornos. Explico; Os grandes teólogos não ficavam fazendo perguntas idiotas; hoje mesmo vi uma pergunta numa rede social como “Jesus vivia no Judaísmo ou no Cristianismo?”. Bom, é idiotice ou no mínimo perda de tempo estudar um assunto desses com tanta heresia em nossos dias precisando ser corrigidas dentro da própria Igreja. Por que não se preocupar com coisas mais sérias?

Os grandes teólogos não ficavam discutindo “quantos anjos conseguem dançar na ponta de um alfinete?” [2] Eles discutiam coisas das quais eram necessárias respostas, pois o alicerce bíblico estava ameaçado.

Faz-se necessário dizer também que a Teologia tem vários ramos, cito apenas quatro:

 ◘ Teologia Natural – Tenta unir Filosofia e Religião para dirimir conflitos
 ◘ Teologia Sistemática – Aborda temas teológicos em toda a Bíblia (salvação)
 ◘ Teologia Bíblica – Aborda um assunto bíblico em um único Livro Bíblico
 ◘ Teologia Histórica – Aborda como surgiram as doutrinas na História

A quinta coisa que gostaria de dizer que a Teologia é serva da Piedade e não o contrário. Muitos têm fogo no coração, mas não tem iluminação na mente, e quando a iluminação vem (quando se entra no Seminário ou se começar a ler a respeito) a tendência é diminuir o fogo (a piedade). Não deve ser assim. Devemos como diz o Dr. Martin Lloyd-Jones “ter fogo no coração e iluminação na mente”.

Por último gostaria de dizer que há vários níveis de teólogos.

O filósofo e teólogo R. C. Sproul faz a seguinte afirmação: “Nenhum cristão pode evitar a teologia. Todo cristão é um teólogo. Ele pode não ser um teólogo no sentido técnico ou profissional, mas ainda é um teólogo. A questão não é ser ou não ser um teólogo, mas se somos bons ou maus teólogos”.
Partindo desta afirmação criaremos um leque teológico que vai desde a “teologia popular” até seu oposto a “teologia acadêmica”.

1º Teologia Popular - A teologia popular é baseada simplesmente na crença não refletida, é uma fé cega que costuma valorizar a tradição, liderança e todo tipo de afirmação religiosa sem ao menos se questionar se aquilo é realmente reflexo do que as Escrituras ensinam.

2º Teologia Leiga – Quando se começa a questionar os mitos e lendas da Teologia Popular em busca da Verdade e Base Bíblica para tanto.

3º Teologia Ministerial - A fé refletida por ministros treinados e educadores nas igrejas cristãs. Costumam utilizar todo tipo de ferramenta disponível para estudar, basear sua fé e adquirir sabedoria para utilizá-la na igreja. Esses tem conhecimento básico de idiomas bíblicos ou pelo menos habilidade no uso de concordâncias, comentários, software relacionado às Escrituras, além de um conhecimento razoável de perspectiva histórica acerca do desenvolvimento da teologia no transcurso da história do cristianismo, inclusive pensamento sistemático perspicaz apto a reconhecer inconsistências entre crenças e a estabelecer a coerência entre um item da fé e outro.

4º Teologia Profissional - O primeiro é alguém cuja vocação requer extrema habilidade com as ferramentas utilizadas pelo teólogo ministerial. Estes mestres buscam arrancar os cristãos do pensamento popular formando neles a consciência crítica. Os métodos utilizados por eles são, publicações de livros e artigos, palestras, oficinas e até mesmo um método ministerial: a pregação.

5º Teologia Acadêmica – Aqueles que se aprofundam em Universidades, Colégios, Seminários, doutorados etc.

Gostaria de incentivá-lo a ser um teólogo ministerial. Aquele que guia a Igreja pelo caminho correto, que maneja bem a palavra da verdade (2 Tm 2:15). Prepare-se para responder a cada um que pedir razão da esperança que há em vocês. Um abraço!



[1] História da Teologia Cristã – 2.000 anos de tradição e reformas – Roger Olson, pág. 17 – Editora Vida, 2001
[2] História da Teologia Cristã – 2.000 anos de tradição e reformas – Roger Olson, pág. 15 – Editora Vida, 2001

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Sola Scriptura: Passando pelo crivo da Palavra de Deus

O apóstolo Paulo diz que toda Escritura tem a função de ensinar, repreender, corrigir e educar os eleitos de Deus. Essa foi a grande redescoberta de Jerônimo Savonarola, dos Valdenses, dos reformadores e precisa ser a nossa redescoberta novamente. Pois o Evangelho pregado hoje está eivado de misticismo. O Evangelho de hoje está adulterado, mercadejado.

Algumas provas cabais que o evangelho pregado atualmente está eivado:

1.      Cada um pensa o que quer

Quando a Escritura diz que na Igreja Primitiva era uma só a mente dos discípulos. Todos tinham a mesma forma de pensar. Quando a Escritura diz: “Todos tenham o mesmo sentimento, tenham um mesmo parecer”.
Isso se deve em parte as Escolas de Interpretação de Alexandria e Antioquia. A escola Alexandrina interpretava as Escrituras alegoricamente, já a Escola Antioquena interpretava histórico-gramaticalmente. 

Cada método de interpretação trouxe um entendimento diferente das mesmas passagens bíblicas, gerando assim conflitos hermenêuticos que perduram atualmente. A situação agravou-se tanto que em 1054 houve a separação definitiva da Igreja em dois ramos: O ramo Ortodoxo Oriental (grega) que prioriza o método alegórico e o ramo Latino (católico romano) que mistura um pouco de ambos, posteriormente, no séc XVI 
surgiu o Protestantismo que em via de regra prioriza o ramo antioqueno – o método histórico gramatical

2.      O excessivo pragmatismo nas Igrejas

A maioria de nós não se interessa pelas questões teológicas, a maioria só quer saber do que é funcional. Gregório de Nissa, um dos pais capadócios da Igreja retrata justamente o oposto; Em sua época, a controvérsia teológica predominante era se o Filho era nascido do Pai ou Co-existente com o Pai, portanto, se existia ou não a Trindade, e Gregório relata que se você fosse ao mercado, o povo diria do Gerado ou não-Gerado, isto é, se o Filho era criado pelo Pai ou então se o Filho era Co-Existente com o Pai. A experiência toda nos mostra apenas que naquela época o povo interessava-se por teologia. O que é justamente o oposto dos dias atuais, nós só queremos o que funciona, independentemente de como aconteça, se viola ou não os princípios de Deus.

3.      Os atuais “Judaizantes”

No pacto com Israel, Deus se revelou através de símbolos, de instrumentos terrenos com aplicação espiritual. Os atuais judaizantes trazem símbolos para a Igreja com a intenção de trazer um mover de Deus sobre a Igreja. Esquecem-se, porém que tudo isso era simplesmente uma figura de Cristo e que nele temos recebido do Pai toda a sua plenitude.

4.      Ênfase exagerada em questões triviais

Para exemplo: O batismo nas Águas.

Os anabatistas versus pedobatistas.
Imersão versus aspersão

Há grupos protestantes que praticam o pedobatismo e há exemplos na história de batismo por Aspersão, o próprio Ambrósio batizou Agostinho dessa forma (por Aspersão).

Para Exemplo: O retorno de Cristo:

Pré-Tribulacionistas versus Pós-Tribulacionistas
Amilenistas versus milenistas

Independente se o Senhor vem antes, durante ou depois da Grande Tribulação o fato é que estaremos com Ele para Sempre. Independente se haverá o reino Milenar ou não, nós seremos sempre seus súditos, noiva e filhos.

O grande segredo é diferenciar entre Dogma, Doutrina e Adiáfora.

Dogma é aquela crença que qualquer cristão genuíno tem como por exemplo: A crença na ressurreição dos mortos, a crença na Trindade, a Crença na Volta de Jesus, a crença de Jesus é igualmente Deus e igualmente homem.

Doutrina é aquela crença que faz pouca ou nenhuma diferença como por exemplo: Se o batismo é por aspersão ou imersão, se é infantil ou adulto.

Adiáfora é a maneira como a Igreja administra esses sacramentos: Se é lícito ouvir ou não música secular, se é presbitério, se é congregacional etc.

O mais importante dentre todos esses é o dogma, o problema atual é que priorizamos muito mais a adiáfora do que ao dogma.

Posto que já apresentamos sinteticamente algumas possíveis razões para tal evangelho eivado como Solucioná-lo?

Voltando para a Palavra de Deus

Em 2 Timóteo 3:16 se diz que toda a Escritura é útil para:

Ensinar – Informar se os costumes e usos das Igrejas são bíblicos ou não.
Repreender – Reprovar nossos erros, apontar nossa deficiência espiritual.
Corrigir – Trazer-nos novamente para o caminho certo do qual saímos.
Educar – Formar em nós o conceito que Deus tem acerca de qualquer coisa.

A única coisa que não volta vazia para Deus é sua Palavra.

Como então, voltar para a Palavra?

1.      Examinando cuidadosamente:

Os fariseus na época de Jesus a examinavam – João 5:39.
Os judeus bereanos na época de Paulo a Examinavam – Atos 17:10-11
Conferindo a Escritura com a Escritura (Analogia da Fé) – 1 Coríntios 2:13

2.      Praticando-a

As Escrituras nos foram dados para mudar nossa vida e não para acúmulo de conhecimento. Tiago 1:21-23
3.      Ensinando-a

Quando estamos ensinando somos obrigados a estudar acuradamente para não ensinar heresia (2 Timóteo 2:2)

O único caminho seguro é a volta para a Bíblia! Um povo que como Lutero tem a consciência cativa somente a Deus e sua Palavra. Vamos retornar não a Jerusalém, mas a Palavra!



domingo, 8 de dezembro de 2013

O Cânon do Antigo Testamento

O Cânon do Antigo Testamento

Divisão Tríplice:

1.      Lei, Profetas e Escritos – Lucas 24:44

Elias, levita, escrevendo em 1588, fala da crença que o povo tinha, dizendo: “No tempo de Esdras os 24 livros ainda não estavam unidos em um volume. Esdras e seus associados fizeram deles um volume dividido em três partes, a lei, os profetas e a hagiógrafa.” Esta tradição contém verdades. Se pode ser aceita em todos os seus particulares, isso depende de determinar a data em que certo, livros foram escritos, tais como Neemias e Crônicas.

Há três traduções universalmente reconhecidas do Cânon do Antigo Testamento e cada qual segue um arranjo e coleção de livros diferentes.

O Texto Grego (LXX)
A Vulgata (Latina)
O Texto Massorético (TM)

O texto Grego segue um arranjo temático e tem catorze livros e adições que não constam no TM, que posteriormente foram reconhecidos como Apócrifos.

Divide o texto em quatro pilares: 1) Lei; 2) História; 3) Poesia 4) Proféticos.

 A Vulgata segue o mesmo arranjo que o texto Grego; A Bíblia protestante segue o arranjo da Vulgata e o conteúdo do TM.

O texto Massorético também conhecido com Tanakh que são as iniciais das divisões:

T (Torah) – Lei – Gênesis a Deuteronômio
N (Nebihim) – Profetas – Josué a Malaquias
K (Ketubim) – Escritos – Jó a 2 Crônicas

Suas respectivas Divisões:

O Cânone Hebraico sempre permaneceu o mesmo, ora sendo dividido em 22 livros (agrupando os livros de Samuel, Reis e Crônicas, agrupando o livro de Juízes e Rute, agrupando os livros de Jeremias e Lamentações), ora em 24 livros (mantendo unidos os livros de Samuel, Reis e Crônicas, mas separando Juízes de Rute e separando Lamentações do Livro de Jeremias), ora sendo dividido em 39 livros (formação protestante).

As listas “Canônicas”:

1.      Bispo Melito de Sardes (c. 170 dC) – Omite-se Ester por motivos desconhecidos e todos os apócrifos.

2.      Orígenes (c. 200 dC) – uma lista de 22 livros iguais ao TM, com adição da Epístola de Jeremias.

3.      Tertuliano (c. 160 a 250 dC) uma lista de 24 livros

4.      Hilário de Poitiers (c. 305-366 dC) uma lista de 22 livros

5.      Atanásio – “Há, pois, no Antigo Testamento vinte e dois livros” (39ª Carta, parágrafo 4)

Testemunhas da veracidade desse Cânone:

Já na época de Josefo (c. 100 dC) já havia um cânone do Antigo Testamento como o conhecemos hoje. O livro de Eclesiástico (c. 190 aC) já demonstrava em seu prólogo uma lista autorizada como conhecemos hoje. Josefo diz que desde Xerxes (época de Malaquias) já não se tinham mais escrito nenhum livro inspirado.

Os livros contestados (Antilegômena)

Cânticos, Ester, Eclesiastes, Provérbios e Ezequiel. A escola de Shammai recusava a autenticidade e a escola de Hillel a sustentava. Essa discussão encerrou-se no concílio de Jâmnia em 90 dC.

Cânticos por sua linguagem altamente sensual – resolveu-se interpretando alegoricamente.

Ester por não constar o nome de Deus – resolveu-se observando a providência de Deus em todo o livro.

Ezequiel por diferenças mínimas do templo nele narrado com o templo de Salomão e o templo de Herodes – resolveu-se dizendo que o templo nele narrado aponta para o Reinado Messiânico.
Os Apócrifos e Sua Rejeição:
Muitos argumentam sua canonicidade apelando para versões antigas, porém, a única versão antiga que os adota é a LXX, mesmo assim com discordâncias.
Muitos argumentam sua canonicidade apelando para o “Cânone Alexandrino”, ignorando que nem mesmo Filo de Alexandria cita esse “Cânone Alexandrino”, ao contrário, cita o “Cânone Palestiniano”, ou seja, o TM. Já no segundo século, os alexandrinos adotaram a versão de Áquila em detrimento da LXX, versão de Áquila não tinha os apócrifos.
Muitos argumentam sua canonicidade apelando para as recentes descobertas das cavernas de Cunrã, esquecendo-se, porém que o simples fato de citá-los não comprovam a canonicidade. O apóstolo Paulo cita Arato em Atos 15:28 e cita Menander em 1 Coríntios 15:33 e cita Epimênides em Tito 1:12  como Judas também cita Enoque em Judas 14, isso de modo nenhum comprova autenticidade divina desses escritos.
Outros comprovam sua canonicidade apelando para citações dos pais apostólicos. Todavia, sabe-se que Agostinho ao enfrentar um antagonista que apelou para 2 Macabeus para encerrar um argumento, Agostinho respondeu: “Sua causa é deveras fraca demais,  se recorreres a um livro que não era da mesma categoria (de inspiração) daqueles que eram recebidos e aceitos pelos Judeus”. Sabe-se ainda que Atanásio, rechaçou completamente os apócrifos na sua 39ª carta conforme já demonstrado.
Um argumento contrário é que nunca houve unanimidade desses apócrifos. Começaram com catorze livros ou adições e em 1672 a Igreja Grega os reduziu a apenas quatro: Sabedoria, Eclesiástico, Judite e Tobias.
Princípios de Canonicidade
Há vários princípios rejeitados, mas há um princípio universalmente aceito: O Testemunho que Deus dá da autoridade e autenticidade da sua Palavra. Antes mesmo de haver um testemunho escrito da Lei, havia o testemunho oral. O Cânone foi se formando lentamente e sua canonicidade era implícita.
“Os livros do Antigo Testamento foram divinamente revelados, seus autores humanos eram homens santos guiados pelo Espírito Santo (2 Pedro 1:20-21). Na sua boa providência, Deus fez que seu povo reconhecesse e recebesse sua Palavra. Como é que se implantou nos seus corações, no que diz respeito à identidade de sua Palavra, é algo que talvez nunca saibamos compreender ou explicar totalmente. Podemos, não obstante, seguir nosso Senhor, que deu o imprimatur da sua infalível autoridade aos Livros do Antigo Testamento”[1]
O uso intrínseco dos judeus por parte desses livros foi o que acabou gerando o reconhecimento universal de sua canonicidade e rejeitando os demais livros, pois, nem todos os demais livros eram usados universalmente.
O princípio profético foi uma evidência imediata de sua canonicidade, demonstrado no “assim diz o SENHOR” tanto atestado na Bíblia.
A reunião de tais livros no Canon Hebraico deve-se a Esdras e a Grande Sinagoga, dos quais os Escribas copiavam para as uso nas suas sinagogas. Havia uma tradição corrente, que o cânon fora arranjado no tempo de Esdras e de Neemias. Josefo, já citado, fala da crença universal de seus patrícios de que nenhum livro havia sido acrescentado desde o tempo de Artaxerxes, isto é, desde Esdras e Neemias. Elias, levita, escrevendo em 1588, fala da crença que o povo tinha, dizendo: “No tempo de Esdras os 24 livros ainda não estavam unidos em um volume. Esdras e seus associados fizeram deles um volume dividido em três partes, a lei, os profetas e a hagiógrafa.” Esta tradição contém verdades. Se pode ser aceita em todos os seus particulares, isso depende de determinar a data em que certo, livros foram escritos, tais como Neemias e Crônicas.
Os judeus aceitavam a canonicidade de tais escritos como atesta Josefo:
Faz parte da natureza de cada judeu, desde o dia em que nasce, considerar estas Escrituras como ensinos de Deus; confiar nelas, e, se for necessário, dar alegremente a vida, em sua defesa 
Conclusão e Resumo:

1.      O Cânone do AT formou-se gradativamente desde Moisés até Malaquias e Esdras e foram reunidos por Esdras em um volume;

2.      O principal critério para canonicidade é o uso intrínseco das Escrituras pelos Judeus e o cumprimento das Profecias ou exatidão histórica.

3.      Os apócrifos foram rejeitados desde cedo e não há consenso comum entre eles;

4.      A lista de livros inspirados aceitos universalmente é idêntica a que possuímos hoje no nosso AT.




[1] E. J. Young, “O Cânon do Antigo Testamento, Revelation and the Bible”, p. 168 

domingo, 1 de dezembro de 2013

Sermõezinhos geram Cristãezinhos

John Stott já dizia "Sermõezinhos produzem cristãezinhos"; essa é a verdade que se vê na maioria das denominações hoje: pregadores rasos entregando mensagens rasas, consequentemente gerando um povo raso. Gerando pessoas desqualificadas para suportar a pressão, as tentações, as provações, as turbulências que vem inevitavelmente.

Pregamos muito sobre prosperidade, cura, unção, restituição, conquista e nada disso é errado, desde que não ocupe todo o tempo, desde que não esgote todo o esforço. É necessário que preguemos também sobre o sofrimento, sobre a tribulação, sobre as tentações, pois são assuntos igualmente bíblicos.

Temos o mau costume de enfatizar um tema em detrimento de outro. Precisamos pregar 'todo o conselho de Deus' que inclui o sofrimento. 

"O maior inimigo do cristianismo não é o anticristianismo, mas o 'subcristianismo'" (Stanley Jones). O nosso maior problema não são as heresias, o nosso maior problema é a nossa negligência em preparar um povo que maneja corretamente a palavra da verdade, um povo plenamente preparado para o Senhor. Moody dizia "o maior problema da Obra são os Obreiros".

"Há muitas igrejas cheias de pessoas vazias e vazias de pessoas cheias de Deus" (Errol Hulse), "Não teremos reavivamento enchendo nossas igrejas de homens, mas enchendo com Deus os que já frequentam a igreja" (D. Campbell).

Por vezes, fui em 'cultos' onde saí como entrei, pode-se argumentar: "Você não foi de coração aberto, por isso não recebeu", mas, a Bíblia argumenta que quando Deus fala sua palavra é poderosa e queima em nossos corações por si só.

Vamos reconsiderar o cristianismo que dizemos ser bíblico. Ousemos pregar toda a Palavra, somente a Palavra.

Ousamos falar das Tribulações:

Isaías 48:10 “Veja, eu refinei você, embora não como prata; eu o provei na fornalha da aflição.”

João 16:33 “"Eu lhes disse essas coisas para que em mim vocês tenham paz. Neste mundo vocês terão aflições; contudo, tenham ânimo! Eu venci o mundo".”

Atos 14:22 “fortalecendo os discípulos e encorajando-os a permanecer na fé, dizendo: "É necessário que passemos por muitas tribulações para entrarmos no Reino de Deus".”

I Tessalonicenses 3:3 “para que ninguém seja abalado por essas tribulações. Vocês sabem muito bem que fomos designados para isso.”

Ousemos falar do sofrimento:

Jó 17:11 “Foram-se os meus dias, os meus planos fracassaram, como também os desejos do meu coração.”

Jó 30:16 “"E agora esvai-se a minha vida; estou preso a dias de sofrimento.”

Jó 30:27 “Nunca pára a agitação dentro de mim; dias de sofrimento me confrontam.”

Romanos 8:17 “Se somos filhos, então somos herdeiros; herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo, se de fato participamos dos seus sofrimentos, para que também participemos da sua glória.”

Romanos 8:18 “Considero que os nossos sofrimentos atuais não podem ser comparados com a glória que em nós será revelada.”

Ministros do Evangelho, conclamo a todos que conheço, cumpramos, (incluo-me aqui com vocês) o que Paulo escreveu a Timóteo: 

“Na presença de Deus e de Cristo Jesus, que há de julgar os vivos e os mortos por sua manifestação e por seu Reino, eu o exorto solenemente: Pregue a palavra, esteja preparado a tempo e fora de tempo, repreenda, corrija, exorte com toda a paciência e doutrina. Pois virá o tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, sentindo coceira nos ouvidos, segundo os seus próprios desejos juntarão mestres para si mesmos.” 

Vamos expor ao nosso povo somente a Bíblia como Neemias e Esdras fizeram (Neemias 8:8), vamos falar somente a Palavra e toda a Palavra.

A Igreja Brasileira está como está, por causa de nós, pastores. A Igreja é reflexo do seu pastor. Se o pastor for um graveto seco a queimar, lenha verde começará a arder diz o Rev. Hernandes Lopes.

Que possamos pregar, mas pregar com ousadia todo o conselho de Deus e pregar no poder do Espírito Santo.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

A formação do Cânon do Novo Testamento

A formação do Cânon do Novo Testamento
Definição do Termo:

O termo foi usado pela primeira vez por Quintiliano para designar a biblioteca de obras clássicas, nos parâmetros da escola de Alexandria.
O termo só passou a ter conotação teológica no terceiro século com Orígenes.

Cânon – “Vara de Medir”, por conseguinte, regra ou padrão de fé, ou seja,  livros divinamente inspirados por Deus.

Formação do Cânon:

Os escritos do Novo Testamento foram concluídos pouco depois do inicio do 2º século, entretanto, a formação do Novo Testamento com os livros que o compõem, como Cânon, não foi imediata. Não é possível determinar a data exata do reconhecimento completo do Novo Testamento, tal como o usamos atualmente, mas sabe-se que não aconteceu antes do ano 300.

Os concílios que se realizavam, de quando em quando, não escolheram os livros para a formação do Cânon, apenas ratificaram as escolhas já feitas pelas Igrejas. Não devemos imaginar que o processo de definição do Canon foi obra de comissões que se reuniram para julgar os escritos cristãos e decidir se podiam fazer parte do Canon ou não. Seria mais exato dizer que os documentos que acabaram entrando no Canon demonstraram sua autoridade intrínseca por meio do uso constante na Igreja.

A primeira tentativa semi-oficial de criar um Cânon correto das Escrituras aconteceu em Roma em 170 dC, chamado “cânon muratório”, esse cânon incluía os quatro Evangelhos, Atos, Romanos, 1 e 2 Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses, 1 e 2 Tessalonicenses, 1 e 2 Timóteo, Tito, Filemom,  A sabedoria de Salomão. Esse cânon já considerava inspirados os livros da bíblia Hebraica (Antigo Testamento).

Atanásio foi quem trouxe a primeira lista autorizada de 66 livros inspirados da Bíblia Cristã na sua carta de páscoa, disseminada entre os bispos cristãos em 367, essa lista é idêntica ao novo Testamento que temos hoje que foi amplamente aceita no Oriente, a mesma conclusão foi endossada no Ocidente por uma declaração papal em 405, e no norte da África nos sínodos de Hipona (393) e Cartago (397), ou seja, já no século quarto, o novo testamento como o temos atualmente já era aceito universalmente; além disso, Atanásio identificou uma lista de livros secundários que posteriormente surgiriam na igreja ocidental (latina, católica romana) como os apócrifos inspirados.

Gradual e lentamente, os livros do Novo Testamento, da forma como hoje os usamos, conquistaram a proeminência de Escrituras Inspiradas.

Os primeiros documentos a serem reunidos foram as Cartas de Paulo. O herege Marcião nos informa que antes de sua época (cerca de 140 dC), já havia uma coleção fixa das dez cartas principais de Paulo. Por volta do ano 200 havia coleções que também incluíam 1 e 2 Timóteo e Tito. Os autores cristãos desse período os citavam freqüentemente como tendo autoridade das Escrituras.  Embora houvesse duvidas freqüentes sobre a autoria de Hebreus, já em 200 dC cristãos egípcios a incluíam em sua coleção de cartas de Paulo. Mas ela só teve maior aceitação na igreja ocidental a partir do quarto século.

Os Evangelhos à medida que os cristãos se familiarizavam com mais de um Evangelho, perceberam que cada um trazia uma perspectiva diferente de Jesus. Por volta de 150 dC, Justino Mártir já descrevia como os Cristãos reunidos para a adoração liam as “memórias” dos apóstolos “que são chamadas Evangelhos” (Apologia 1:66). Antes do ano 200, Irineu já afirmava que é tão natural haver quatro evangelhos, quanto há quatro ventos e quatro cantos da terra (Contra Heresias 3.11.8)

Cartas Católicas ou Gerais, ou Universais (Tiago a Judas) formaram a última coleção a ser reunida. Pelo fato de não ter claro reconhecimento se autoria apostólica, todas, exceto 1Pedro e 1 João, foram pouco usadas antes do quarto século. Um pouco depois do ano 300 dC, Eusébio fez referência a uma coleção de sete “cartas católicas”. Provavelmente a coleçao surgiu do desejo de se ter um testemunho comum dos apóstolos “tidos como colunas” da Igreja. Judas foi aceito, segundo parece, somente por causa da tradição  amplamente aceita  de que o autor era irmão de Jesus.

Atos e Apocalipse  A importância de Atos já era reconhecida por volta do ano 200 dC como evidencia de que Paulo e os outros apóstolos pregavam o mesmo evangelho, ao contrario dos esforços de Marcião e outros hereges  de reivindicar Paulo para si e rejeitar os outros apóstolos. O livro de Apocalipse foi aceito mais rapidamente no Oriente, mas esteve sob suspeita no Ocidente devido ao mau uso que os hereges montanistas fizeram dele acerca de especulações quanto ao fim do mundo.

Classificação dos Livros por Eusébio:

1.      Livros aceitos pelas Igrejas sem qualquer restrição – “Quatro Evangelhos, Atos, 14 cartas de Paulo, 1 João, 1 Pedro e também Apocalipse “se desejável””.

2.      Livros contestados, isto é, aqueles que ainda não tinham aceitação universal – “Tiago, Judas, 2 Pedro, 2 e 3 João, os Atos de Paulo,  o Pastor de Hermas, o Apocalipse de Pedro, A carta de Barnabé, o didaquê”

3.      Os firmemente rejeitados – Evangelhos de Pedro, de Tomé,  e de Matias,  e os atos de André e João.


Todos os livros que foram rejeitados, o foram, pois careciam de qualidade profético-apostólica essencial e de ligação com o Cristianismo primitivo.

Critérios pelos quais cada livro foi rejeitado ou aceito pelas Igrejas como sendo canônicos:

1.      Origem e autoridade apostólica

Era crença firme entre os primeiros cristãos que a autoridade para dirigir a Igreja tanto verbalmente quanto por escrito, fora concedida pelo Senhor unicamente aos apóstolos. Tudo o que exigiam dos escritos eram as “credenciais do apostolado” por autoria ou autorização. Assim, os escritos de Marcos e Lucas, nunca foram colocados em dúvida, pois eram reconhecidos como escritos sob a direção de Pedro e de Paulo. Também chamado de “Princípio Profético-Apostólico”

2.      Origem Ortodoxa

O livro combina com a compreensão da fé crista que recebemos por meio da tradição viva da Igreja? Com base nisto muitos documentos com títulos aparentemente autênticos como o Evangelho de Tomé e atos de João e os Atos de Paulo, o Pastor de Hermas, o Apocalipse de Pedro, A carta de Barnabé, o didaquê foram rejeitados.

3.      É católico ou Geral?

O livro comunica a Palavra de  Deus a Igreja em Geral? Sua mensagem poderia ser transmitida a um público mais amplo?


4.      O livro alentou a vida das igrejas ao longo do Tempo?


No final das contas, o teste mais importante que podia ser aplicado a um documento era se ele havia demonstrado seu valor divino através de sua habilidade em renovar, sustentar e guiar a Igreja.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Deus não tem a obrigação de realizar seus sonhos!


*  As citações foram todas retiradas da N.V.I (Nova Versão Internacional – Sociedade Bíblica Internacional) salvo indicações ao contrário.

* Nota: Texto longo, e cheio de Citações Bíblicas

Foram-se os meus dias, os meus planos fracassaram, como também os desejos do meu coração.  (Jó 17:11)

O que é um Sonho?

O Dicionário Eletrônico Houaiss da Língua Portuguesa 3.0 define sonho como “ato ou efeito de sonhar; conjunto de imagens, de pensamentos ou de fantasias que se apresentam à mente durante o sono; seqüências de idéias soltas e incoerentes, às quais o espírito se entrega, devaneio, fantasia; plano ou desejo absurdo, sem fundamento, fantasia, utopia; desejo vivo e constante, anseio; coisa ou pessoa muito bonita, visão; idéia ou ideal dominante que alguém ou um grupo busca com interesse ou paixão”.

A Bíblia hora nenhuma mostra que Deus é obrigado a cumprir nossos sonhos, nossos desejos vivos, nossas metas, nossos devaneios, nossas fantasias, isso é resultado de um falso evangelho que tem se propagado numa geração consumista, uma geração que desconhece a verdade do Sofrimento Cristão.

Jó tinha sonhos e seus sonhos foram frustrados, a própria bíblia apresenta inclusive, que Deus frustra 
sonhos.

ð “Ele frustra os planos dos astutos, para que fracassem as mãos deles.” (Jó 5:12)
ð  O Senhor desfaz os planos das nações e frustra os propósitos dos povos. (Salmo 33:10)

A primeira vista, parece maldade da parte de Deus, mas não é; vejamos o porquê

1.      Os nossos planos excluem a Deus;

“Em sua presunção o ímpio não o busca; não há lugar para Deus em nenhum dos seus planos.” (Salmo 10:4)

Como a Bíblia chama aos nossos sonhos?

A bíblia chama nossos sonhos de “planos perversos” (Salmo 21:11; 26:10; 140:2) e “malignos” (Salmo 64:5), “planos de rebelião” (Salmo 106:43), “planos enganosos e inúteis” (Salmo 119:118), “maldosos” (Isaías 32:7).

Nós somos totalmente depravados e corrompidos, não buscamos a Deus, nos apressamos pelo caminho do mal, somos incapazes de fazer o bem. (Salmo 14:1-3; Romanos 3:10-18; Jeremias 13:23). Nossos desejos só se inclinam para a pecaminosidade do nosso coração corrupto (Tiago 4:3; Jeremias 17:9).

Nossa natureza é inimiga de Deus (Romanos 8:7), isso significa que não somente somos rebeldes contra Deus, mas somos ativos contra Deus.

A bíblia assegura que podemos excluir Deus de nossos sonhos (Isaías 30:1)

2.      Os nossos sonhos independentes de Deus geram destruição para nós:

A Palavra de Deus assegura que quem segue fantasia colherá: Miséria (Provérbios 28:19) e é uma pessoa que não tem juízo (Provérbios 12:11).

Tiago 4:3 no Novo Testamento Grego diz que não recebemos porque pedimos “Mal”. A palavra “mal” significa “algo destrutivo, nocivo, prejudicial, que quer satisfazer apenas os nossos pecados”. E o salário do pecado é a morte (Romanos 6:23; Tiago 1:15).

3.      Os planos de Deus são incomparavelmente melhores em relação aos nossos;

Os planos de Deus não podem ser frustrados por nada que façamos e nem por ninguém em todo Universo (Jó 42:2), os planos do Senhor são eternos (Salmo 33:11). O profeta Isaías diz que os Planos do Senhor são mais altos que os nossos e seus Caminhos melhores que os nossos da mesma forma que os Céus são mais altos que a Terra (Isaías 55:8,9).

Os planos do Senhor são para nos dar paz (Jeremias 29:11), no final, somente os planos do Senhor serão 
cumpridos (Provérbios 16:1; 21:1).

Desmistificando falsas idéias a respeito dos Planos de Deus:

1.      Os planos de Deus não nos isentam do sofrimento

Todos os Patriarcas, Profetas, Sacerdotes, Reis, Apóstolos, Evangelistas, Mestres foram homens e 
mulheres forjados no sofrimento:

è E eles me responderam: "Aqueles que sobreviveram ao cativeiro e estão lá na província, passam por grande sofrimento e humilhação. O muro de Jerusalém foi derrubado, e suas portas foram destruídas pelo fogo". (Neemias 1:3)

è De fato, vocês se tornaram nossos imitadores e do Senhor; apesar de muito sofrimento, receberam a palavra com alegria que vem do Espírito Santo. (1 Tessalonicenses 1:6)
è Lembrem-se dos primeiros dias, depois que vocês foram iluminados, quando suportaram muita luta e muito sofrimento. (Hebreus 10:32)

è Irmãos, tenham os profetas que falaram em nome do Senhor como exemplo de paciência diante do sofrimento. (Tiago 5:10)

è Pois que vantagem há em suportar açoites recebidos por terem cometido o mal? Mas se vocês suportam o sofrimento por terem feito o bem, isso é louvável diante de Deus. (1 Pedro 2:20)

è Sejam sóbrios e vigiem. O diabo, o inimigo de vocês, anda ao redor como leão, rugindo e procurando a quem possa devorar. Resistam-lhe, permanecendo firmes na fé, sabendo que os irmãos que vocês têm em todo o mundo estão passando pelos mesmos sofrimentos. O Deus de toda a graça, que os chamou para a sua glória eterna em Cristo Jesus, depois de terem sofrido durante pouco de tempo, os restaurará, os confirmará, lhes dará forças e os porá sobre firmes alicerces. (1 Pedro 5:8-10)

è Eu, João, irmão e companheiro de vocês no sofrimento, no Reino e na perseverança em Jesus, estava na ilha de Patmos, por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus. (Apocalipse 1:9)
Para trazer a pregação aos gentios depois de vinte anos de fundação da Igreja, o Senhor teve de trazer perseguição através de Saulo.

||Deus se compadece diante do nosso Sofrimento||

Deu-lhe o nome de Noé e disse: "Ele nos aliviará do nosso trabalho e do sofrimento de nossas mãos, causados pela terra que o SENHOR amaldiçoou” (Gênesis 5:29).

Disse-lhe ainda o Anjo do Senhor: "Você está grávida e terá um filho, e lhe dará o nome de Ismael, porque o Senhor a ouviu em seu sofrimento. (Gênesis 16:11).

 “Se o Deus de meu pai, o Deus de Abraão, o Temor de Isaque, não estivesse comigo, certamente você me despediria de mãos vazias. Mas Deus viu o meu sofrimento e o trabalho das minhas mãos e, na noite passada, ele manifestou a sua decisão". (Gênesis 31:42)

Então eles se desfizeram dos deuses estrangeiros que havia entre eles e prestaram culto ao Senhor. E ele não pôde mais suportar o sofrimento de Israel. (Juízes 10:16)

Mas aos que sofrem ele os livra em meio ao sofrimento; em sua aflição ele lhes fala. (Jó 36:15)

Pois não menosprezou nem repudiou o sofrimento do aflito; não escondeu dele o rosto, mas ouviu o seu grito de socorro. (Salmo 22:24)

2.      Os planos de Deus podem e muitas vezes não concordam com os nossos;

 Muitos são os planos no coração do homem, mas o que prevalece é o propósito do Senhor.  (Provérbios 19:21)

Citemos apenas dois exemplos: O profeta Jonas e os Discípulos

O profeta Jonas: Foi enviado por Deus a Nínive, capital do império Assírio, grande inimigo de Israel para pregar-lhe juízo a fim de arrepender-se, contudo, o profeta fez exatamente o oposto do que Deus lhe ordenara. Não foi a Nínive e foi a Jope, Nínive ficava num oposto do globo (Oeste) e Jope noutro oposto (Leste), no entanto, o propósito do Senhor prevaleceu e Jonas foi a Nínive e toda a Cidade se arrependeu.

Os discípulos: A mentalidade Judaica de um reino político-militar estava presente também nos discípulos, em uma das muitas refeições que tiveram com Jesus, lhe perguntaram: “Senhor, é neste tempo que restaurarás o Reino a Israel?”. A mentalidade dos discípulos era a mentalidade de uma Igreja composta apenas por Judeus convertidos a Jesus (Messiânicos), mas o propósito do Senhor era uma Igreja composta de membros de todas as raças, tribos, nações... E o propósito do Senhor prevaleceu... Mesmo que tenha demorado duas décadas para que o entendimento dos discípulos se abrisse a isso.

Isso significa que Deus não me quer feliz?

Absolutamente, não! Há varias passagens bíblicas que provam justamente o oposto, ou seja, que Deus nos quer felizes, vejamos:

ð Conceda-te o desejo do teu coração e leve a efeito todos os teus planos. (Salmo 20:4)
ð Deleite-se no Senhor, e ele atenderá aos desejos do seu coração. (Salmo 37:4)
ð Abres a tua mão e satisfazes os desejos de todos os seres vivos. (Salmo 145:16)
ð Realiza os desejos daqueles que o temem; ouve-os gritar por socorro e os salva. (Salmo 145:19)
ð O Senhor o guiará constantemente; satisfará os seus desejos numa terra ressequida pelo sol e fortalecerá os seus ossos. Você será como um jardim bem regado, como uma fonte cujas águas nunca faltam. (Isaías 58:11)
Mas isso tem um custo: Deleitar-se no SENHOR, temer ao SENHOR. Se não temermos o SENHOR e não o amarmos acima de tudo, ele tem o direito de não nos respondermos como quisermos, ele é Deus Soberano!
Deus e a “noite escura da alma”
A noite escura da alma é o nome que os Puritanos deram ao momento em que o Cristão passa o sofrimento e Deus se cala e a dor se agrava. O Salmo 88 é o único salmo que termina com a palavra “trevas”. O silencio de Deus durante o sofrimento torna o sofrimento pior ainda.
A nossa vida é cercada de sofrimentos...
Porque todos os seus dias são dores, e a sua ocupação é desgosto; até de noite não descansa o seu coração; também isso é vaidade. Eclesiastes 2:23 – A.R.C
Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu: tempo de chorar e tempo de rir; tempo de prantear e tempo de saltar; (Eclesiastes 3:1,4 – A.R.C)
Esse dia é o dia da adversidade (Eclesiastes 7:14), o dia mau (Efésios 5:16; 6:13), é um tempo prolongado (2 Pedro 3:8; Salmo 90:4), mas que tem fim (Salmo 30:5), só não sabe-se quando na terra.
Concluindo, prepare-se pra sofrer. É o meio pelo qual Deus purifica a sua igreja
1 Pedro 4:12,13 – Amados, não se surpreendam com o fogo que surge entre vocês para os provar, como se algo estranho lhes estivesse acontecendo. Mas alegrem-se à medida que participam dos sofrimentos de Cristo, para que também, quando a sua glória for revelada, vocês exultem com grande alegria.
Isaias 48:10 –  Veja, eu refinei você, embora não como prata; eu o provei na fornalha da aflição.
E não julgue o irmão (a) que passa pela noite escura da alma, pois todos temos os nossos vales da Sombra da Morte (Salmo 23:4), centre-se na vontade de Deus, nos planos dele, mesmo em meio a muitos sofrimentos (Atos 14:22), pois haverá um dia que tudo isso findará e estaremos para sempre com Deus em alegria eterna (Salmo 16:8-11).

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

As antigas doutrinas da Graça

AS ANTIGAS DOUTRINAS DA GRAÇA

As antigas Doutrinas da Graça são a síntese da doutrina dos reformadores

As antigas doutrinas da graça são a síntese da doutrina dos reformadores, as quais, por sua vez, consistem na redescoberta da pregação apostólica. As confissões de fé das Igrejas Luterana, Reformada, Presbiteriana, Anglicana Congregacional e Batista, professam em suas confissões de fé originais, as antigas doutrinas da Graça.

O termo Calvinismo é usado para identificar as antigas doutrinas da Graça, mas esse termo não é muito apropriado, não porque não corresponda às doutrinas ensinadas por João Calvino o reformador francês, mas porque, na realidade essas doutrinas não são subscritas apenas por Ele. 

As antigas doutrinas da Graça foram ensinadas pelo Senhor Jesus, por seus apóstolos, por Agostinho, por Lutero, por Calvino, por Tyndale, por Latimer, Por João Knox, por Parkins, por Rutherford, por João Bunyan, por Owen, por Mathew Henry, Jonathas Edwards, George Whitefield, por Charles Spurgeon, por Jonh Stott, Jonh Piper, Lloyd-Jones, Augustus Nicodemus, Hernandes Dias Lopes e tantos outros.

As antigas doutrinas da Graça são ortodoxas

Na época dos pais da Igreja, por volta do quarto século da Era Comum, levantou-se um monge chamado Pelágio, que ensinava que não herdamos as tendências pecaminosas de Adão, mas que cada alma faz sua escolha, seja para pecar, seja para viver retamente; ensinava que a vontade humana é livre e responsável por suas decisões. Contra essa idéia, surgiu então o maior teólogo da Igreja, depois do apóstolo Paulo, chamado de Agostinho de Hipona nascido no ano 354 DC no norte da África, convertido aos 33 anos por influência de Mônica sua mãe e dos ensinos de Ambrósio, bispo de Milão e bem assim pelos estudos das epístolas de Paulo, Agostinho defendia que Adão representava toda a raça humana, que no pecado de Adão, todos os homens pecaram e são pecadores, e todo o gênero humano é considerado culpado. Agostinho ensinava ainda que o homem não possa aceitar a salvação unicamente por sua própria escolha, mas somente pela vontade de Deus, o qual é quem escolhe aqueles que devem ser salvos.

 A doutrina Pelagiana foi condenada no concílio de Cartago no ano 418 e a teologia agostiniana tornou-se a regra ortodoxa da Igreja. Somente mais tarde, nos tempos modernos, na Holanda, sob orientação de Armínio, (ano de 1600) e no século XVIII, com Jonh Wesley é que a Igreja afastou-se do sistema doutrinário agostiniano.

A opinião pessoal de Charles Spurgeon, o príncipe dos pregadores é que “não há pregação de Cristo e este crucificado, a menos que se pregue a aquilo que atualmente se chama calvinismo. É cognome chamar isso de Calvinismo; pois calvinismo é o Evangelho e nada mais. Não creio que possamos pregar o evangelho a menos que preguemos a soberania de Deus em sua dispensação da graça; e também a menos que exaltemos o amor eletivo, imutável, eterno, inalterável e conquistador de Jeová; como também não penso que não podemos pregar o evangelho a menos que o alicercemos sobre a redenção especial e particular que Cristo realizou na cruz; e também não posso compreender um evangelho que permite que os santos apostatem depois de haverem sido chamados.”

As antigas Doutrinas da Graça são amplamente resistidas pelos homens ímpios

Charles Spurgeon viveu numa época em que o Calvinismo era bastante resistido, em que muitos eram unânimes em afirmar que a teologia calvinista era desapropriada para as necessidades e espírito dos tempos modernos. Isso porque as antigas doutrinas da graça reduzem o homem a nada e exalta a Deus soberanamente. As antigas doutrinas da Graça salientam a incapacidade humana e o amor redentor de Deus. O calvinismo está interessado em reconhecer plenamente a majestade, a soberania, à independência, à onisciência, a presciência, a onipotência, a onipresença, santidade, fidelidade, justiça, bondade, longanimidade, amor, misericórdia, e os demais atributos de Deus comunicando-lhe toda virtude, honra, glória, louvor e adoração só a Ele devidas.

Jonh Wesley reconheceu a ênfase calvinista quando afirmou com relação a Whitefield, por ocasião do seu funeral: “seu ponto fundamental era dar a Deus toda a glória de tudo o que de bom pode haver no homem. No que diz respeito a salvação, ele colocou Cristo o mais alto possível e o homem o mais baixo”.
a Doutrina Calvinista: TULIP

O calvinismo pode ser condensado no acróstico "TULIP":

• Total Depravação (T) → O homem está morto nos seus delitos e pecados e não pode escolher livremente a Deus, sua natureza e inclinações são ativas, adeptas e reféns ao mal. Só o ato soberano e misericordioso de Deus pode resgatá-lo dessa situação;

• Eleição Incondicional (U) → Dentre toda a raça decadente, Deus livremente e movido por Compaixão escolheu salvar alguns, independente de seus méritos e suas ações. Deus não escolhe aqueles que se arrependem, eles se arrependem porque são escolhidos. São eleitos não por obras, mas por causa do grande amor salvífico de Deus. O calvinista diz “Devo minha fé a Minha Eleição” e não “devo minha eleição a minha fé”.

• Expiação Limitada (L) → Também conhecido como "Expiação Objetiva". O arminianismo crê que Jesus possibilitou a salvação de todos, já o calvinismo assegura que Jesus morreu apenas para assegurar a salvação dos eleitos. A morte de Jesus é suficiente para salvar todos, mas eficaz apenas aos eleitos. No fim das contas, apenas os eleitos serão objetivamente salvos. O calvinista diz “ Cristo obteve para mim minha salvação no Calvário” e não “eu não poderia obter minha salvação sem o calvário”.

• Graça Irresistível (I) → Esse conceito também é conhecido como "Vocação Eficaz". A idéia transmitida nesse conceito é a capacidade que o Espírito Santo tem de convencer a capacidade rebelde do homem a se submeter a Deus e a obedecê-lO, sem isentá-lo de sua responsabilidade.

• Perseverança dos Santos (P) → Também chamado de "Preservação dos Santos". A idéia transmitida  por esse conceito é que aqueles que são chamados por Deus, serão conduzidos inevitavelmente a salvação. Pode ocorrer que eles tropecem e até eventualmente caiam, mas inevitavelmente serão restaurados e conduzidos por Ele à Glória. Sustentam que por ser obra do Deus Tri-Uno, ela é eterna.

ALGUMAS BASES BÍBLICAS PARA O TULIP

• TOTAL DEPRAVAÇÃO → Gn 2:17; Sl 51:5; Rm 3:10-12; 5:12; Ef 2:1,5
• ELEIÇÃO INCONDICIONAL → Ef 1:4,5; 1 Ts 2:13; Rm 8:33
• EXPIAÇÃO LIMITADA → Mt 20:28; Is 53:8-12; At 20:28; Tt 2:14
• GRAÇA IRRESISTÍVEL → Sl 119:36; Pv 21:1; Dn 4:35; Jo 1:12-13
• PERSEVERANÇA DOS SANTOS → Fp 1:6; Jd 24; Jo 10:27-29

Os Calvinistas e as Missões:

Todos aqueles que tem uma noção básica de História da Igreja sabem que os grandes evangelistas, são em sua maioria calvinistas.  Citamos, para exemplo, Calvino, Knox, Whitefield, Jonh Elliot, David Brainerd, Spurgeon; na época do Brasil Colonial, vinte por cento dos pastores calvinistas trabalhavam como evangelistas entre os índios. Os fundadores das Sociedades missionárias que levaram o evangelho à India, à Africa, à Australia, à América do Sul eram todos calvinistas.

O calvinismo pode ser mal interpretado e resultar em HiperCalvinismo ou então em Arminianismo. Mas se corretamente compreendido, ele é fonte de alegria para a mente e fogo para o coração. O que apresentamos aqui foi muito sintetizado, devido ao tempo e ao espaço que dispomos, cremos que se alguém aplicar o Coração a tal estudo entenderá melhor essa sã doutrina, pois o Senhor prometeu:Se alguém decidir fazer a vontade de Deus descobrirá se o meu ensino vem de Deus ou se falo por mim mesmo.” (João 7:17).

Fontes Bibliográficas:

Calvinismo – As antigas doutrinas da Graça – Paulo Anglada
História da Igreja – Jesse L. Burtlman


sábado, 19 de outubro de 2013

Por que eu não recebo o que peço?

Por que eu não recebo o que peço? – Tiago 4:3

“Quando pedem, não recebem, pois pedem por motivos errados, para gastar em seus prazeres.”

1. O que pedimos é inútil, destrutivo, nocivo, desprezível e vai nos ferir;

Tudo o que é útil, construtivo, geralmente:

• Traz conhecimento e doutrina – 1 Co. 14:6;
• Exige trabalho e destina-se a repartir aos outros – Ef. 4:28,29
• Está respaldado pela Palavra de Deus – 2 Tm. 3:16

2. Pedimos de maneira errada;

Há uma maneira correta de se pedir as coisas:

• Devemos pedir ao Pai em nome de Jesus – Jo. 16:23,24
• Devemos pedir com fé – Mt. 21:22
• O que pedimos deve ser para glorificar a Deus – Jo. 14:13

3. O que pedimos, geralmente é para saciar nossos desejos pecaminosos;

Esses prazeres pecaminosos:

• Sufocam a Palavra – Lc. 8:14
• Produzem morte espiritual – 1 Tm 5:6
• Concorrem com Deus em nossas vidas – Tt. 3:3