quinta-feira, 28 de novembro de 2013

A formação do Cânon do Novo Testamento

A formação do Cânon do Novo Testamento
Definição do Termo:

O termo foi usado pela primeira vez por Quintiliano para designar a biblioteca de obras clássicas, nos parâmetros da escola de Alexandria.
O termo só passou a ter conotação teológica no terceiro século com Orígenes.

Cânon – “Vara de Medir”, por conseguinte, regra ou padrão de fé, ou seja,  livros divinamente inspirados por Deus.

Formação do Cânon:

Os escritos do Novo Testamento foram concluídos pouco depois do inicio do 2º século, entretanto, a formação do Novo Testamento com os livros que o compõem, como Cânon, não foi imediata. Não é possível determinar a data exata do reconhecimento completo do Novo Testamento, tal como o usamos atualmente, mas sabe-se que não aconteceu antes do ano 300.

Os concílios que se realizavam, de quando em quando, não escolheram os livros para a formação do Cânon, apenas ratificaram as escolhas já feitas pelas Igrejas. Não devemos imaginar que o processo de definição do Canon foi obra de comissões que se reuniram para julgar os escritos cristãos e decidir se podiam fazer parte do Canon ou não. Seria mais exato dizer que os documentos que acabaram entrando no Canon demonstraram sua autoridade intrínseca por meio do uso constante na Igreja.

A primeira tentativa semi-oficial de criar um Cânon correto das Escrituras aconteceu em Roma em 170 dC, chamado “cânon muratório”, esse cânon incluía os quatro Evangelhos, Atos, Romanos, 1 e 2 Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses, 1 e 2 Tessalonicenses, 1 e 2 Timóteo, Tito, Filemom,  A sabedoria de Salomão. Esse cânon já considerava inspirados os livros da bíblia Hebraica (Antigo Testamento).

Atanásio foi quem trouxe a primeira lista autorizada de 66 livros inspirados da Bíblia Cristã na sua carta de páscoa, disseminada entre os bispos cristãos em 367, essa lista é idêntica ao novo Testamento que temos hoje que foi amplamente aceita no Oriente, a mesma conclusão foi endossada no Ocidente por uma declaração papal em 405, e no norte da África nos sínodos de Hipona (393) e Cartago (397), ou seja, já no século quarto, o novo testamento como o temos atualmente já era aceito universalmente; além disso, Atanásio identificou uma lista de livros secundários que posteriormente surgiriam na igreja ocidental (latina, católica romana) como os apócrifos inspirados.

Gradual e lentamente, os livros do Novo Testamento, da forma como hoje os usamos, conquistaram a proeminência de Escrituras Inspiradas.

Os primeiros documentos a serem reunidos foram as Cartas de Paulo. O herege Marcião nos informa que antes de sua época (cerca de 140 dC), já havia uma coleção fixa das dez cartas principais de Paulo. Por volta do ano 200 havia coleções que também incluíam 1 e 2 Timóteo e Tito. Os autores cristãos desse período os citavam freqüentemente como tendo autoridade das Escrituras.  Embora houvesse duvidas freqüentes sobre a autoria de Hebreus, já em 200 dC cristãos egípcios a incluíam em sua coleção de cartas de Paulo. Mas ela só teve maior aceitação na igreja ocidental a partir do quarto século.

Os Evangelhos à medida que os cristãos se familiarizavam com mais de um Evangelho, perceberam que cada um trazia uma perspectiva diferente de Jesus. Por volta de 150 dC, Justino Mártir já descrevia como os Cristãos reunidos para a adoração liam as “memórias” dos apóstolos “que são chamadas Evangelhos” (Apologia 1:66). Antes do ano 200, Irineu já afirmava que é tão natural haver quatro evangelhos, quanto há quatro ventos e quatro cantos da terra (Contra Heresias 3.11.8)

Cartas Católicas ou Gerais, ou Universais (Tiago a Judas) formaram a última coleção a ser reunida. Pelo fato de não ter claro reconhecimento se autoria apostólica, todas, exceto 1Pedro e 1 João, foram pouco usadas antes do quarto século. Um pouco depois do ano 300 dC, Eusébio fez referência a uma coleção de sete “cartas católicas”. Provavelmente a coleçao surgiu do desejo de se ter um testemunho comum dos apóstolos “tidos como colunas” da Igreja. Judas foi aceito, segundo parece, somente por causa da tradição  amplamente aceita  de que o autor era irmão de Jesus.

Atos e Apocalipse  A importância de Atos já era reconhecida por volta do ano 200 dC como evidencia de que Paulo e os outros apóstolos pregavam o mesmo evangelho, ao contrario dos esforços de Marcião e outros hereges  de reivindicar Paulo para si e rejeitar os outros apóstolos. O livro de Apocalipse foi aceito mais rapidamente no Oriente, mas esteve sob suspeita no Ocidente devido ao mau uso que os hereges montanistas fizeram dele acerca de especulações quanto ao fim do mundo.

Classificação dos Livros por Eusébio:

1.      Livros aceitos pelas Igrejas sem qualquer restrição – “Quatro Evangelhos, Atos, 14 cartas de Paulo, 1 João, 1 Pedro e também Apocalipse “se desejável””.

2.      Livros contestados, isto é, aqueles que ainda não tinham aceitação universal – “Tiago, Judas, 2 Pedro, 2 e 3 João, os Atos de Paulo,  o Pastor de Hermas, o Apocalipse de Pedro, A carta de Barnabé, o didaquê”

3.      Os firmemente rejeitados – Evangelhos de Pedro, de Tomé,  e de Matias,  e os atos de André e João.


Todos os livros que foram rejeitados, o foram, pois careciam de qualidade profético-apostólica essencial e de ligação com o Cristianismo primitivo.

Critérios pelos quais cada livro foi rejeitado ou aceito pelas Igrejas como sendo canônicos:

1.      Origem e autoridade apostólica

Era crença firme entre os primeiros cristãos que a autoridade para dirigir a Igreja tanto verbalmente quanto por escrito, fora concedida pelo Senhor unicamente aos apóstolos. Tudo o que exigiam dos escritos eram as “credenciais do apostolado” por autoria ou autorização. Assim, os escritos de Marcos e Lucas, nunca foram colocados em dúvida, pois eram reconhecidos como escritos sob a direção de Pedro e de Paulo. Também chamado de “Princípio Profético-Apostólico”

2.      Origem Ortodoxa

O livro combina com a compreensão da fé crista que recebemos por meio da tradição viva da Igreja? Com base nisto muitos documentos com títulos aparentemente autênticos como o Evangelho de Tomé e atos de João e os Atos de Paulo, o Pastor de Hermas, o Apocalipse de Pedro, A carta de Barnabé, o didaquê foram rejeitados.

3.      É católico ou Geral?

O livro comunica a Palavra de  Deus a Igreja em Geral? Sua mensagem poderia ser transmitida a um público mais amplo?


4.      O livro alentou a vida das igrejas ao longo do Tempo?


No final das contas, o teste mais importante que podia ser aplicado a um documento era se ele havia demonstrado seu valor divino através de sua habilidade em renovar, sustentar e guiar a Igreja.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Deus não tem a obrigação de realizar seus sonhos!


*  As citações foram todas retiradas da N.V.I (Nova Versão Internacional – Sociedade Bíblica Internacional) salvo indicações ao contrário.

* Nota: Texto longo, e cheio de Citações Bíblicas

Foram-se os meus dias, os meus planos fracassaram, como também os desejos do meu coração.  (Jó 17:11)

O que é um Sonho?

O Dicionário Eletrônico Houaiss da Língua Portuguesa 3.0 define sonho como “ato ou efeito de sonhar; conjunto de imagens, de pensamentos ou de fantasias que se apresentam à mente durante o sono; seqüências de idéias soltas e incoerentes, às quais o espírito se entrega, devaneio, fantasia; plano ou desejo absurdo, sem fundamento, fantasia, utopia; desejo vivo e constante, anseio; coisa ou pessoa muito bonita, visão; idéia ou ideal dominante que alguém ou um grupo busca com interesse ou paixão”.

A Bíblia hora nenhuma mostra que Deus é obrigado a cumprir nossos sonhos, nossos desejos vivos, nossas metas, nossos devaneios, nossas fantasias, isso é resultado de um falso evangelho que tem se propagado numa geração consumista, uma geração que desconhece a verdade do Sofrimento Cristão.

Jó tinha sonhos e seus sonhos foram frustrados, a própria bíblia apresenta inclusive, que Deus frustra 
sonhos.

ð “Ele frustra os planos dos astutos, para que fracassem as mãos deles.” (Jó 5:12)
ð  O Senhor desfaz os planos das nações e frustra os propósitos dos povos. (Salmo 33:10)

A primeira vista, parece maldade da parte de Deus, mas não é; vejamos o porquê

1.      Os nossos planos excluem a Deus;

“Em sua presunção o ímpio não o busca; não há lugar para Deus em nenhum dos seus planos.” (Salmo 10:4)

Como a Bíblia chama aos nossos sonhos?

A bíblia chama nossos sonhos de “planos perversos” (Salmo 21:11; 26:10; 140:2) e “malignos” (Salmo 64:5), “planos de rebelião” (Salmo 106:43), “planos enganosos e inúteis” (Salmo 119:118), “maldosos” (Isaías 32:7).

Nós somos totalmente depravados e corrompidos, não buscamos a Deus, nos apressamos pelo caminho do mal, somos incapazes de fazer o bem. (Salmo 14:1-3; Romanos 3:10-18; Jeremias 13:23). Nossos desejos só se inclinam para a pecaminosidade do nosso coração corrupto (Tiago 4:3; Jeremias 17:9).

Nossa natureza é inimiga de Deus (Romanos 8:7), isso significa que não somente somos rebeldes contra Deus, mas somos ativos contra Deus.

A bíblia assegura que podemos excluir Deus de nossos sonhos (Isaías 30:1)

2.      Os nossos sonhos independentes de Deus geram destruição para nós:

A Palavra de Deus assegura que quem segue fantasia colherá: Miséria (Provérbios 28:19) e é uma pessoa que não tem juízo (Provérbios 12:11).

Tiago 4:3 no Novo Testamento Grego diz que não recebemos porque pedimos “Mal”. A palavra “mal” significa “algo destrutivo, nocivo, prejudicial, que quer satisfazer apenas os nossos pecados”. E o salário do pecado é a morte (Romanos 6:23; Tiago 1:15).

3.      Os planos de Deus são incomparavelmente melhores em relação aos nossos;

Os planos de Deus não podem ser frustrados por nada que façamos e nem por ninguém em todo Universo (Jó 42:2), os planos do Senhor são eternos (Salmo 33:11). O profeta Isaías diz que os Planos do Senhor são mais altos que os nossos e seus Caminhos melhores que os nossos da mesma forma que os Céus são mais altos que a Terra (Isaías 55:8,9).

Os planos do Senhor são para nos dar paz (Jeremias 29:11), no final, somente os planos do Senhor serão 
cumpridos (Provérbios 16:1; 21:1).

Desmistificando falsas idéias a respeito dos Planos de Deus:

1.      Os planos de Deus não nos isentam do sofrimento

Todos os Patriarcas, Profetas, Sacerdotes, Reis, Apóstolos, Evangelistas, Mestres foram homens e 
mulheres forjados no sofrimento:

è E eles me responderam: "Aqueles que sobreviveram ao cativeiro e estão lá na província, passam por grande sofrimento e humilhação. O muro de Jerusalém foi derrubado, e suas portas foram destruídas pelo fogo". (Neemias 1:3)

è De fato, vocês se tornaram nossos imitadores e do Senhor; apesar de muito sofrimento, receberam a palavra com alegria que vem do Espírito Santo. (1 Tessalonicenses 1:6)
è Lembrem-se dos primeiros dias, depois que vocês foram iluminados, quando suportaram muita luta e muito sofrimento. (Hebreus 10:32)

è Irmãos, tenham os profetas que falaram em nome do Senhor como exemplo de paciência diante do sofrimento. (Tiago 5:10)

è Pois que vantagem há em suportar açoites recebidos por terem cometido o mal? Mas se vocês suportam o sofrimento por terem feito o bem, isso é louvável diante de Deus. (1 Pedro 2:20)

è Sejam sóbrios e vigiem. O diabo, o inimigo de vocês, anda ao redor como leão, rugindo e procurando a quem possa devorar. Resistam-lhe, permanecendo firmes na fé, sabendo que os irmãos que vocês têm em todo o mundo estão passando pelos mesmos sofrimentos. O Deus de toda a graça, que os chamou para a sua glória eterna em Cristo Jesus, depois de terem sofrido durante pouco de tempo, os restaurará, os confirmará, lhes dará forças e os porá sobre firmes alicerces. (1 Pedro 5:8-10)

è Eu, João, irmão e companheiro de vocês no sofrimento, no Reino e na perseverança em Jesus, estava na ilha de Patmos, por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus. (Apocalipse 1:9)
Para trazer a pregação aos gentios depois de vinte anos de fundação da Igreja, o Senhor teve de trazer perseguição através de Saulo.

||Deus se compadece diante do nosso Sofrimento||

Deu-lhe o nome de Noé e disse: "Ele nos aliviará do nosso trabalho e do sofrimento de nossas mãos, causados pela terra que o SENHOR amaldiçoou” (Gênesis 5:29).

Disse-lhe ainda o Anjo do Senhor: "Você está grávida e terá um filho, e lhe dará o nome de Ismael, porque o Senhor a ouviu em seu sofrimento. (Gênesis 16:11).

 “Se o Deus de meu pai, o Deus de Abraão, o Temor de Isaque, não estivesse comigo, certamente você me despediria de mãos vazias. Mas Deus viu o meu sofrimento e o trabalho das minhas mãos e, na noite passada, ele manifestou a sua decisão". (Gênesis 31:42)

Então eles se desfizeram dos deuses estrangeiros que havia entre eles e prestaram culto ao Senhor. E ele não pôde mais suportar o sofrimento de Israel. (Juízes 10:16)

Mas aos que sofrem ele os livra em meio ao sofrimento; em sua aflição ele lhes fala. (Jó 36:15)

Pois não menosprezou nem repudiou o sofrimento do aflito; não escondeu dele o rosto, mas ouviu o seu grito de socorro. (Salmo 22:24)

2.      Os planos de Deus podem e muitas vezes não concordam com os nossos;

 Muitos são os planos no coração do homem, mas o que prevalece é o propósito do Senhor.  (Provérbios 19:21)

Citemos apenas dois exemplos: O profeta Jonas e os Discípulos

O profeta Jonas: Foi enviado por Deus a Nínive, capital do império Assírio, grande inimigo de Israel para pregar-lhe juízo a fim de arrepender-se, contudo, o profeta fez exatamente o oposto do que Deus lhe ordenara. Não foi a Nínive e foi a Jope, Nínive ficava num oposto do globo (Oeste) e Jope noutro oposto (Leste), no entanto, o propósito do Senhor prevaleceu e Jonas foi a Nínive e toda a Cidade se arrependeu.

Os discípulos: A mentalidade Judaica de um reino político-militar estava presente também nos discípulos, em uma das muitas refeições que tiveram com Jesus, lhe perguntaram: “Senhor, é neste tempo que restaurarás o Reino a Israel?”. A mentalidade dos discípulos era a mentalidade de uma Igreja composta apenas por Judeus convertidos a Jesus (Messiânicos), mas o propósito do Senhor era uma Igreja composta de membros de todas as raças, tribos, nações... E o propósito do Senhor prevaleceu... Mesmo que tenha demorado duas décadas para que o entendimento dos discípulos se abrisse a isso.

Isso significa que Deus não me quer feliz?

Absolutamente, não! Há varias passagens bíblicas que provam justamente o oposto, ou seja, que Deus nos quer felizes, vejamos:

ð Conceda-te o desejo do teu coração e leve a efeito todos os teus planos. (Salmo 20:4)
ð Deleite-se no Senhor, e ele atenderá aos desejos do seu coração. (Salmo 37:4)
ð Abres a tua mão e satisfazes os desejos de todos os seres vivos. (Salmo 145:16)
ð Realiza os desejos daqueles que o temem; ouve-os gritar por socorro e os salva. (Salmo 145:19)
ð O Senhor o guiará constantemente; satisfará os seus desejos numa terra ressequida pelo sol e fortalecerá os seus ossos. Você será como um jardim bem regado, como uma fonte cujas águas nunca faltam. (Isaías 58:11)
Mas isso tem um custo: Deleitar-se no SENHOR, temer ao SENHOR. Se não temermos o SENHOR e não o amarmos acima de tudo, ele tem o direito de não nos respondermos como quisermos, ele é Deus Soberano!
Deus e a “noite escura da alma”
A noite escura da alma é o nome que os Puritanos deram ao momento em que o Cristão passa o sofrimento e Deus se cala e a dor se agrava. O Salmo 88 é o único salmo que termina com a palavra “trevas”. O silencio de Deus durante o sofrimento torna o sofrimento pior ainda.
A nossa vida é cercada de sofrimentos...
Porque todos os seus dias são dores, e a sua ocupação é desgosto; até de noite não descansa o seu coração; também isso é vaidade. Eclesiastes 2:23 – A.R.C
Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu: tempo de chorar e tempo de rir; tempo de prantear e tempo de saltar; (Eclesiastes 3:1,4 – A.R.C)
Esse dia é o dia da adversidade (Eclesiastes 7:14), o dia mau (Efésios 5:16; 6:13), é um tempo prolongado (2 Pedro 3:8; Salmo 90:4), mas que tem fim (Salmo 30:5), só não sabe-se quando na terra.
Concluindo, prepare-se pra sofrer. É o meio pelo qual Deus purifica a sua igreja
1 Pedro 4:12,13 – Amados, não se surpreendam com o fogo que surge entre vocês para os provar, como se algo estranho lhes estivesse acontecendo. Mas alegrem-se à medida que participam dos sofrimentos de Cristo, para que também, quando a sua glória for revelada, vocês exultem com grande alegria.
Isaias 48:10 –  Veja, eu refinei você, embora não como prata; eu o provei na fornalha da aflição.
E não julgue o irmão (a) que passa pela noite escura da alma, pois todos temos os nossos vales da Sombra da Morte (Salmo 23:4), centre-se na vontade de Deus, nos planos dele, mesmo em meio a muitos sofrimentos (Atos 14:22), pois haverá um dia que tudo isso findará e estaremos para sempre com Deus em alegria eterna (Salmo 16:8-11).

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

As antigas doutrinas da Graça

AS ANTIGAS DOUTRINAS DA GRAÇA

As antigas Doutrinas da Graça são a síntese da doutrina dos reformadores

As antigas doutrinas da graça são a síntese da doutrina dos reformadores, as quais, por sua vez, consistem na redescoberta da pregação apostólica. As confissões de fé das Igrejas Luterana, Reformada, Presbiteriana, Anglicana Congregacional e Batista, professam em suas confissões de fé originais, as antigas doutrinas da Graça.

O termo Calvinismo é usado para identificar as antigas doutrinas da Graça, mas esse termo não é muito apropriado, não porque não corresponda às doutrinas ensinadas por João Calvino o reformador francês, mas porque, na realidade essas doutrinas não são subscritas apenas por Ele. 

As antigas doutrinas da Graça foram ensinadas pelo Senhor Jesus, por seus apóstolos, por Agostinho, por Lutero, por Calvino, por Tyndale, por Latimer, Por João Knox, por Parkins, por Rutherford, por João Bunyan, por Owen, por Mathew Henry, Jonathas Edwards, George Whitefield, por Charles Spurgeon, por Jonh Stott, Jonh Piper, Lloyd-Jones, Augustus Nicodemus, Hernandes Dias Lopes e tantos outros.

As antigas doutrinas da Graça são ortodoxas

Na época dos pais da Igreja, por volta do quarto século da Era Comum, levantou-se um monge chamado Pelágio, que ensinava que não herdamos as tendências pecaminosas de Adão, mas que cada alma faz sua escolha, seja para pecar, seja para viver retamente; ensinava que a vontade humana é livre e responsável por suas decisões. Contra essa idéia, surgiu então o maior teólogo da Igreja, depois do apóstolo Paulo, chamado de Agostinho de Hipona nascido no ano 354 DC no norte da África, convertido aos 33 anos por influência de Mônica sua mãe e dos ensinos de Ambrósio, bispo de Milão e bem assim pelos estudos das epístolas de Paulo, Agostinho defendia que Adão representava toda a raça humana, que no pecado de Adão, todos os homens pecaram e são pecadores, e todo o gênero humano é considerado culpado. Agostinho ensinava ainda que o homem não possa aceitar a salvação unicamente por sua própria escolha, mas somente pela vontade de Deus, o qual é quem escolhe aqueles que devem ser salvos.

 A doutrina Pelagiana foi condenada no concílio de Cartago no ano 418 e a teologia agostiniana tornou-se a regra ortodoxa da Igreja. Somente mais tarde, nos tempos modernos, na Holanda, sob orientação de Armínio, (ano de 1600) e no século XVIII, com Jonh Wesley é que a Igreja afastou-se do sistema doutrinário agostiniano.

A opinião pessoal de Charles Spurgeon, o príncipe dos pregadores é que “não há pregação de Cristo e este crucificado, a menos que se pregue a aquilo que atualmente se chama calvinismo. É cognome chamar isso de Calvinismo; pois calvinismo é o Evangelho e nada mais. Não creio que possamos pregar o evangelho a menos que preguemos a soberania de Deus em sua dispensação da graça; e também a menos que exaltemos o amor eletivo, imutável, eterno, inalterável e conquistador de Jeová; como também não penso que não podemos pregar o evangelho a menos que o alicercemos sobre a redenção especial e particular que Cristo realizou na cruz; e também não posso compreender um evangelho que permite que os santos apostatem depois de haverem sido chamados.”

As antigas Doutrinas da Graça são amplamente resistidas pelos homens ímpios

Charles Spurgeon viveu numa época em que o Calvinismo era bastante resistido, em que muitos eram unânimes em afirmar que a teologia calvinista era desapropriada para as necessidades e espírito dos tempos modernos. Isso porque as antigas doutrinas da graça reduzem o homem a nada e exalta a Deus soberanamente. As antigas doutrinas da Graça salientam a incapacidade humana e o amor redentor de Deus. O calvinismo está interessado em reconhecer plenamente a majestade, a soberania, à independência, à onisciência, a presciência, a onipotência, a onipresença, santidade, fidelidade, justiça, bondade, longanimidade, amor, misericórdia, e os demais atributos de Deus comunicando-lhe toda virtude, honra, glória, louvor e adoração só a Ele devidas.

Jonh Wesley reconheceu a ênfase calvinista quando afirmou com relação a Whitefield, por ocasião do seu funeral: “seu ponto fundamental era dar a Deus toda a glória de tudo o que de bom pode haver no homem. No que diz respeito a salvação, ele colocou Cristo o mais alto possível e o homem o mais baixo”.
a Doutrina Calvinista: TULIP

O calvinismo pode ser condensado no acróstico "TULIP":

• Total Depravação (T) → O homem está morto nos seus delitos e pecados e não pode escolher livremente a Deus, sua natureza e inclinações são ativas, adeptas e reféns ao mal. Só o ato soberano e misericordioso de Deus pode resgatá-lo dessa situação;

• Eleição Incondicional (U) → Dentre toda a raça decadente, Deus livremente e movido por Compaixão escolheu salvar alguns, independente de seus méritos e suas ações. Deus não escolhe aqueles que se arrependem, eles se arrependem porque são escolhidos. São eleitos não por obras, mas por causa do grande amor salvífico de Deus. O calvinista diz “Devo minha fé a Minha Eleição” e não “devo minha eleição a minha fé”.

• Expiação Limitada (L) → Também conhecido como "Expiação Objetiva". O arminianismo crê que Jesus possibilitou a salvação de todos, já o calvinismo assegura que Jesus morreu apenas para assegurar a salvação dos eleitos. A morte de Jesus é suficiente para salvar todos, mas eficaz apenas aos eleitos. No fim das contas, apenas os eleitos serão objetivamente salvos. O calvinista diz “ Cristo obteve para mim minha salvação no Calvário” e não “eu não poderia obter minha salvação sem o calvário”.

• Graça Irresistível (I) → Esse conceito também é conhecido como "Vocação Eficaz". A idéia transmitida nesse conceito é a capacidade que o Espírito Santo tem de convencer a capacidade rebelde do homem a se submeter a Deus e a obedecê-lO, sem isentá-lo de sua responsabilidade.

• Perseverança dos Santos (P) → Também chamado de "Preservação dos Santos". A idéia transmitida  por esse conceito é que aqueles que são chamados por Deus, serão conduzidos inevitavelmente a salvação. Pode ocorrer que eles tropecem e até eventualmente caiam, mas inevitavelmente serão restaurados e conduzidos por Ele à Glória. Sustentam que por ser obra do Deus Tri-Uno, ela é eterna.

ALGUMAS BASES BÍBLICAS PARA O TULIP

• TOTAL DEPRAVAÇÃO → Gn 2:17; Sl 51:5; Rm 3:10-12; 5:12; Ef 2:1,5
• ELEIÇÃO INCONDICIONAL → Ef 1:4,5; 1 Ts 2:13; Rm 8:33
• EXPIAÇÃO LIMITADA → Mt 20:28; Is 53:8-12; At 20:28; Tt 2:14
• GRAÇA IRRESISTÍVEL → Sl 119:36; Pv 21:1; Dn 4:35; Jo 1:12-13
• PERSEVERANÇA DOS SANTOS → Fp 1:6; Jd 24; Jo 10:27-29

Os Calvinistas e as Missões:

Todos aqueles que tem uma noção básica de História da Igreja sabem que os grandes evangelistas, são em sua maioria calvinistas.  Citamos, para exemplo, Calvino, Knox, Whitefield, Jonh Elliot, David Brainerd, Spurgeon; na época do Brasil Colonial, vinte por cento dos pastores calvinistas trabalhavam como evangelistas entre os índios. Os fundadores das Sociedades missionárias que levaram o evangelho à India, à Africa, à Australia, à América do Sul eram todos calvinistas.

O calvinismo pode ser mal interpretado e resultar em HiperCalvinismo ou então em Arminianismo. Mas se corretamente compreendido, ele é fonte de alegria para a mente e fogo para o coração. O que apresentamos aqui foi muito sintetizado, devido ao tempo e ao espaço que dispomos, cremos que se alguém aplicar o Coração a tal estudo entenderá melhor essa sã doutrina, pois o Senhor prometeu:Se alguém decidir fazer a vontade de Deus descobrirá se o meu ensino vem de Deus ou se falo por mim mesmo.” (João 7:17).

Fontes Bibliográficas:

Calvinismo – As antigas doutrinas da Graça – Paulo Anglada
História da Igreja – Jesse L. Burtlman