quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Reflexão sobre Teologia

Neste dia de Natal gostaria de compartilhar com vocês alguma coisa a respeito da Teologia Cristã Protestante. Pois Teologia no seu sentido mais puro é “assunto a respeito de Deus”. Fato é que todas as pessoas em todo lugar, em qualquer época, tem sua teologia, quer reconheçam isso quer não.

Não é meu objetivo aqui, esclarecer neste dia de Natal, se Jesus nasceu ou não nessa mesma época, ou o que significam os símbolos e datas que vieram a estar ligadas ao Natal. Quem sabe faço isso em outro momento. Meu objetivo aqui é incentivá-los a terem uma fé racional, que sabe os fundamentos bíblicos e históricos que professam. Não tenciono ser exaustivo nesse pequeno escopo, mas quem sabe, contribuir um pouco para que nossa geração esteja mais bem informada a respeito da fé e da história da Teologia da Cristandade.

A primeira coisa a dizer é que o surgimento Histórico da Teologia não foi especulativo ou porque não tinham mais o que fazer. A teologia surgiu por uma necessidade de defender o Cristianismo Bíblico e Autêntico das heresias e cismas que os sectários faziam depois da morte dos apóstolos. Todo Concílio que houve desde então foi feito com o propósito de dirimir disputar e voltar à fé bíblica.

A segunda coisa a se dizer é que as pessoas interessavam-se pela Teologia no dia a dia. Um dos pais capadócios chamado Gregório de Nissa, grande defensor da Doutrina da Trindade, escreveu: “Se a gente pedir um trocado, alguém irá filosofar sobre o Gerado e o Não-gerado. Se perguntar o preço do pão, dirão: O Pai é maior e o Filho é inferior. Se perguntar: O banho está pronto?, dirão: O Filho foi criado do Nada”. Gregório certamente não estava reclamando do envolvimento de cristãos comuns nas disputas teológicas. Seu tom de queixa é porque a maioria dos leigos daquele tempo parecia simpatizar com a posição ariana ou semi-ariana que rejeitava a igualdade entre Jesus, o Filho e Deus Pai. Como em muitas outras controvérsias doutrinárias antes e depois daquela, tanto leigos como líderes eclesiásticos e teólogos profissionais encontram-se ativamente envolvidos no debate sobre crenças cristãs corretas. As crenças tinham importância e devem continuar tendo agora. [1]

No entanto o pensamento dominante é o relativismo cada um tem uma verdade. O foco primordial hoje é o pragmatismo e aquilo que funciona. O grande problema aqui, nesse caso, é que o que era verdade, fora da Palavra de Deus, no passado pode não ser verdade para outros amanhã; e aquilo que era funcional para gerações passadas podem não ser funcional amanhã.

A terceira coisa a se dizer a esse respeito é que a Teologia é o terreno da nossa defesa racional contra ataques céticos e descabidos; ou seja, a Teologia está intimamente ligada a Apologética.

Por que não adoramos imagens? Quem estuda iconoclastia responderá. A resposta bíblica é “Pois Deus nos ordenou dizendo: Não farás para Ti imagens de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima, nos céus, ou embaixo, na terra; ou nas águas, embaixo da Terra” (Êxodo 20), mas por outro lado, argumentam os católicos romanos e ortodoxos orientais, que as imagens não são adoradas, mas apenas uma lembrança de santos piedosos que com suas vidas os estimulam. Aí entra o ramo teológico da Apologética. Responder-se-á que um grande defensor para tal prática foi João Damasceno no século VIII, e que antes de tal data não havia tal pratica na Igreja Cristã.

Responder-se-á ainda que os iconoclastas argumentavam que o uso de imagens na Igreja limitava a natureza divina de Cristo e traria uma divisão de duas unidades conflitantes em Cristo, sendo por isso condenada.
Outra razão nos é dada por Moisés, porque não adotamos imagens no culto cristão: “Então o Senhor falou a vocês do meio do fogo. Vocês ouviram as palavras, mas não viram forma alguma; apenas se ouvia a voz”. (Deuteronômio 4:12)

O apóstolo Pedro escreveu para a Igreja o seguinte: “Estejam sempre preparados para responder a qualquer que lhes pedir a razão da esperança que há em vocês.” (1 Pedro 3:15). Sabe-se que o texto poderia muito bem ser traduzido assim para o português: “Estejam sempre preparados para fazer apologia da esperança que há em vocês”, pois a palavra “razão” do texto de Pedro nada mais quer dizer que apologia ou defesa racional da fé.

A quarta coisa a se dizer é que a Teologia tem seus contornos. Explico; Os grandes teólogos não ficavam fazendo perguntas idiotas; hoje mesmo vi uma pergunta numa rede social como “Jesus vivia no Judaísmo ou no Cristianismo?”. Bom, é idiotice ou no mínimo perda de tempo estudar um assunto desses com tanta heresia em nossos dias precisando ser corrigidas dentro da própria Igreja. Por que não se preocupar com coisas mais sérias?

Os grandes teólogos não ficavam discutindo “quantos anjos conseguem dançar na ponta de um alfinete?” [2] Eles discutiam coisas das quais eram necessárias respostas, pois o alicerce bíblico estava ameaçado.

Faz-se necessário dizer também que a Teologia tem vários ramos, cito apenas quatro:

 ◘ Teologia Natural – Tenta unir Filosofia e Religião para dirimir conflitos
 ◘ Teologia Sistemática – Aborda temas teológicos em toda a Bíblia (salvação)
 ◘ Teologia Bíblica – Aborda um assunto bíblico em um único Livro Bíblico
 ◘ Teologia Histórica – Aborda como surgiram as doutrinas na História

A quinta coisa que gostaria de dizer que a Teologia é serva da Piedade e não o contrário. Muitos têm fogo no coração, mas não tem iluminação na mente, e quando a iluminação vem (quando se entra no Seminário ou se começar a ler a respeito) a tendência é diminuir o fogo (a piedade). Não deve ser assim. Devemos como diz o Dr. Martin Lloyd-Jones “ter fogo no coração e iluminação na mente”.

Por último gostaria de dizer que há vários níveis de teólogos.

O filósofo e teólogo R. C. Sproul faz a seguinte afirmação: “Nenhum cristão pode evitar a teologia. Todo cristão é um teólogo. Ele pode não ser um teólogo no sentido técnico ou profissional, mas ainda é um teólogo. A questão não é ser ou não ser um teólogo, mas se somos bons ou maus teólogos”.
Partindo desta afirmação criaremos um leque teológico que vai desde a “teologia popular” até seu oposto a “teologia acadêmica”.

1º Teologia Popular - A teologia popular é baseada simplesmente na crença não refletida, é uma fé cega que costuma valorizar a tradição, liderança e todo tipo de afirmação religiosa sem ao menos se questionar se aquilo é realmente reflexo do que as Escrituras ensinam.

2º Teologia Leiga – Quando se começa a questionar os mitos e lendas da Teologia Popular em busca da Verdade e Base Bíblica para tanto.

3º Teologia Ministerial - A fé refletida por ministros treinados e educadores nas igrejas cristãs. Costumam utilizar todo tipo de ferramenta disponível para estudar, basear sua fé e adquirir sabedoria para utilizá-la na igreja. Esses tem conhecimento básico de idiomas bíblicos ou pelo menos habilidade no uso de concordâncias, comentários, software relacionado às Escrituras, além de um conhecimento razoável de perspectiva histórica acerca do desenvolvimento da teologia no transcurso da história do cristianismo, inclusive pensamento sistemático perspicaz apto a reconhecer inconsistências entre crenças e a estabelecer a coerência entre um item da fé e outro.

4º Teologia Profissional - O primeiro é alguém cuja vocação requer extrema habilidade com as ferramentas utilizadas pelo teólogo ministerial. Estes mestres buscam arrancar os cristãos do pensamento popular formando neles a consciência crítica. Os métodos utilizados por eles são, publicações de livros e artigos, palestras, oficinas e até mesmo um método ministerial: a pregação.

5º Teologia Acadêmica – Aqueles que se aprofundam em Universidades, Colégios, Seminários, doutorados etc.

Gostaria de incentivá-lo a ser um teólogo ministerial. Aquele que guia a Igreja pelo caminho correto, que maneja bem a palavra da verdade (2 Tm 2:15). Prepare-se para responder a cada um que pedir razão da esperança que há em vocês. Um abraço!



[1] História da Teologia Cristã – 2.000 anos de tradição e reformas – Roger Olson, pág. 17 – Editora Vida, 2001
[2] História da Teologia Cristã – 2.000 anos de tradição e reformas – Roger Olson, pág. 15 – Editora Vida, 2001

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Sola Scriptura: Passando pelo crivo da Palavra de Deus

O apóstolo Paulo diz que toda Escritura tem a função de ensinar, repreender, corrigir e educar os eleitos de Deus. Essa foi a grande redescoberta de Jerônimo Savonarola, dos Valdenses, dos reformadores e precisa ser a nossa redescoberta novamente. Pois o Evangelho pregado hoje está eivado de misticismo. O Evangelho de hoje está adulterado, mercadejado.

Algumas provas cabais que o evangelho pregado atualmente está eivado:

1.      Cada um pensa o que quer

Quando a Escritura diz que na Igreja Primitiva era uma só a mente dos discípulos. Todos tinham a mesma forma de pensar. Quando a Escritura diz: “Todos tenham o mesmo sentimento, tenham um mesmo parecer”.
Isso se deve em parte as Escolas de Interpretação de Alexandria e Antioquia. A escola Alexandrina interpretava as Escrituras alegoricamente, já a Escola Antioquena interpretava histórico-gramaticalmente. 

Cada método de interpretação trouxe um entendimento diferente das mesmas passagens bíblicas, gerando assim conflitos hermenêuticos que perduram atualmente. A situação agravou-se tanto que em 1054 houve a separação definitiva da Igreja em dois ramos: O ramo Ortodoxo Oriental (grega) que prioriza o método alegórico e o ramo Latino (católico romano) que mistura um pouco de ambos, posteriormente, no séc XVI 
surgiu o Protestantismo que em via de regra prioriza o ramo antioqueno – o método histórico gramatical

2.      O excessivo pragmatismo nas Igrejas

A maioria de nós não se interessa pelas questões teológicas, a maioria só quer saber do que é funcional. Gregório de Nissa, um dos pais capadócios da Igreja retrata justamente o oposto; Em sua época, a controvérsia teológica predominante era se o Filho era nascido do Pai ou Co-existente com o Pai, portanto, se existia ou não a Trindade, e Gregório relata que se você fosse ao mercado, o povo diria do Gerado ou não-Gerado, isto é, se o Filho era criado pelo Pai ou então se o Filho era Co-Existente com o Pai. A experiência toda nos mostra apenas que naquela época o povo interessava-se por teologia. O que é justamente o oposto dos dias atuais, nós só queremos o que funciona, independentemente de como aconteça, se viola ou não os princípios de Deus.

3.      Os atuais “Judaizantes”

No pacto com Israel, Deus se revelou através de símbolos, de instrumentos terrenos com aplicação espiritual. Os atuais judaizantes trazem símbolos para a Igreja com a intenção de trazer um mover de Deus sobre a Igreja. Esquecem-se, porém que tudo isso era simplesmente uma figura de Cristo e que nele temos recebido do Pai toda a sua plenitude.

4.      Ênfase exagerada em questões triviais

Para exemplo: O batismo nas Águas.

Os anabatistas versus pedobatistas.
Imersão versus aspersão

Há grupos protestantes que praticam o pedobatismo e há exemplos na história de batismo por Aspersão, o próprio Ambrósio batizou Agostinho dessa forma (por Aspersão).

Para Exemplo: O retorno de Cristo:

Pré-Tribulacionistas versus Pós-Tribulacionistas
Amilenistas versus milenistas

Independente se o Senhor vem antes, durante ou depois da Grande Tribulação o fato é que estaremos com Ele para Sempre. Independente se haverá o reino Milenar ou não, nós seremos sempre seus súditos, noiva e filhos.

O grande segredo é diferenciar entre Dogma, Doutrina e Adiáfora.

Dogma é aquela crença que qualquer cristão genuíno tem como por exemplo: A crença na ressurreição dos mortos, a crença na Trindade, a Crença na Volta de Jesus, a crença de Jesus é igualmente Deus e igualmente homem.

Doutrina é aquela crença que faz pouca ou nenhuma diferença como por exemplo: Se o batismo é por aspersão ou imersão, se é infantil ou adulto.

Adiáfora é a maneira como a Igreja administra esses sacramentos: Se é lícito ouvir ou não música secular, se é presbitério, se é congregacional etc.

O mais importante dentre todos esses é o dogma, o problema atual é que priorizamos muito mais a adiáfora do que ao dogma.

Posto que já apresentamos sinteticamente algumas possíveis razões para tal evangelho eivado como Solucioná-lo?

Voltando para a Palavra de Deus

Em 2 Timóteo 3:16 se diz que toda a Escritura é útil para:

Ensinar – Informar se os costumes e usos das Igrejas são bíblicos ou não.
Repreender – Reprovar nossos erros, apontar nossa deficiência espiritual.
Corrigir – Trazer-nos novamente para o caminho certo do qual saímos.
Educar – Formar em nós o conceito que Deus tem acerca de qualquer coisa.

A única coisa que não volta vazia para Deus é sua Palavra.

Como então, voltar para a Palavra?

1.      Examinando cuidadosamente:

Os fariseus na época de Jesus a examinavam – João 5:39.
Os judeus bereanos na época de Paulo a Examinavam – Atos 17:10-11
Conferindo a Escritura com a Escritura (Analogia da Fé) – 1 Coríntios 2:13

2.      Praticando-a

As Escrituras nos foram dados para mudar nossa vida e não para acúmulo de conhecimento. Tiago 1:21-23
3.      Ensinando-a

Quando estamos ensinando somos obrigados a estudar acuradamente para não ensinar heresia (2 Timóteo 2:2)

O único caminho seguro é a volta para a Bíblia! Um povo que como Lutero tem a consciência cativa somente a Deus e sua Palavra. Vamos retornar não a Jerusalém, mas a Palavra!



domingo, 8 de dezembro de 2013

O Cânon do Antigo Testamento

O Cânon do Antigo Testamento

Divisão Tríplice:

1.      Lei, Profetas e Escritos – Lucas 24:44

Elias, levita, escrevendo em 1588, fala da crença que o povo tinha, dizendo: “No tempo de Esdras os 24 livros ainda não estavam unidos em um volume. Esdras e seus associados fizeram deles um volume dividido em três partes, a lei, os profetas e a hagiógrafa.” Esta tradição contém verdades. Se pode ser aceita em todos os seus particulares, isso depende de determinar a data em que certo, livros foram escritos, tais como Neemias e Crônicas.

Há três traduções universalmente reconhecidas do Cânon do Antigo Testamento e cada qual segue um arranjo e coleção de livros diferentes.

O Texto Grego (LXX)
A Vulgata (Latina)
O Texto Massorético (TM)

O texto Grego segue um arranjo temático e tem catorze livros e adições que não constam no TM, que posteriormente foram reconhecidos como Apócrifos.

Divide o texto em quatro pilares: 1) Lei; 2) História; 3) Poesia 4) Proféticos.

 A Vulgata segue o mesmo arranjo que o texto Grego; A Bíblia protestante segue o arranjo da Vulgata e o conteúdo do TM.

O texto Massorético também conhecido com Tanakh que são as iniciais das divisões:

T (Torah) – Lei – Gênesis a Deuteronômio
N (Nebihim) – Profetas – Josué a Malaquias
K (Ketubim) – Escritos – Jó a 2 Crônicas

Suas respectivas Divisões:

O Cânone Hebraico sempre permaneceu o mesmo, ora sendo dividido em 22 livros (agrupando os livros de Samuel, Reis e Crônicas, agrupando o livro de Juízes e Rute, agrupando os livros de Jeremias e Lamentações), ora em 24 livros (mantendo unidos os livros de Samuel, Reis e Crônicas, mas separando Juízes de Rute e separando Lamentações do Livro de Jeremias), ora sendo dividido em 39 livros (formação protestante).

As listas “Canônicas”:

1.      Bispo Melito de Sardes (c. 170 dC) – Omite-se Ester por motivos desconhecidos e todos os apócrifos.

2.      Orígenes (c. 200 dC) – uma lista de 22 livros iguais ao TM, com adição da Epístola de Jeremias.

3.      Tertuliano (c. 160 a 250 dC) uma lista de 24 livros

4.      Hilário de Poitiers (c. 305-366 dC) uma lista de 22 livros

5.      Atanásio – “Há, pois, no Antigo Testamento vinte e dois livros” (39ª Carta, parágrafo 4)

Testemunhas da veracidade desse Cânone:

Já na época de Josefo (c. 100 dC) já havia um cânone do Antigo Testamento como o conhecemos hoje. O livro de Eclesiástico (c. 190 aC) já demonstrava em seu prólogo uma lista autorizada como conhecemos hoje. Josefo diz que desde Xerxes (época de Malaquias) já não se tinham mais escrito nenhum livro inspirado.

Os livros contestados (Antilegômena)

Cânticos, Ester, Eclesiastes, Provérbios e Ezequiel. A escola de Shammai recusava a autenticidade e a escola de Hillel a sustentava. Essa discussão encerrou-se no concílio de Jâmnia em 90 dC.

Cânticos por sua linguagem altamente sensual – resolveu-se interpretando alegoricamente.

Ester por não constar o nome de Deus – resolveu-se observando a providência de Deus em todo o livro.

Ezequiel por diferenças mínimas do templo nele narrado com o templo de Salomão e o templo de Herodes – resolveu-se dizendo que o templo nele narrado aponta para o Reinado Messiânico.
Os Apócrifos e Sua Rejeição:
Muitos argumentam sua canonicidade apelando para versões antigas, porém, a única versão antiga que os adota é a LXX, mesmo assim com discordâncias.
Muitos argumentam sua canonicidade apelando para o “Cânone Alexandrino”, ignorando que nem mesmo Filo de Alexandria cita esse “Cânone Alexandrino”, ao contrário, cita o “Cânone Palestiniano”, ou seja, o TM. Já no segundo século, os alexandrinos adotaram a versão de Áquila em detrimento da LXX, versão de Áquila não tinha os apócrifos.
Muitos argumentam sua canonicidade apelando para as recentes descobertas das cavernas de Cunrã, esquecendo-se, porém que o simples fato de citá-los não comprovam a canonicidade. O apóstolo Paulo cita Arato em Atos 15:28 e cita Menander em 1 Coríntios 15:33 e cita Epimênides em Tito 1:12  como Judas também cita Enoque em Judas 14, isso de modo nenhum comprova autenticidade divina desses escritos.
Outros comprovam sua canonicidade apelando para citações dos pais apostólicos. Todavia, sabe-se que Agostinho ao enfrentar um antagonista que apelou para 2 Macabeus para encerrar um argumento, Agostinho respondeu: “Sua causa é deveras fraca demais,  se recorreres a um livro que não era da mesma categoria (de inspiração) daqueles que eram recebidos e aceitos pelos Judeus”. Sabe-se ainda que Atanásio, rechaçou completamente os apócrifos na sua 39ª carta conforme já demonstrado.
Um argumento contrário é que nunca houve unanimidade desses apócrifos. Começaram com catorze livros ou adições e em 1672 a Igreja Grega os reduziu a apenas quatro: Sabedoria, Eclesiástico, Judite e Tobias.
Princípios de Canonicidade
Há vários princípios rejeitados, mas há um princípio universalmente aceito: O Testemunho que Deus dá da autoridade e autenticidade da sua Palavra. Antes mesmo de haver um testemunho escrito da Lei, havia o testemunho oral. O Cânone foi se formando lentamente e sua canonicidade era implícita.
“Os livros do Antigo Testamento foram divinamente revelados, seus autores humanos eram homens santos guiados pelo Espírito Santo (2 Pedro 1:20-21). Na sua boa providência, Deus fez que seu povo reconhecesse e recebesse sua Palavra. Como é que se implantou nos seus corações, no que diz respeito à identidade de sua Palavra, é algo que talvez nunca saibamos compreender ou explicar totalmente. Podemos, não obstante, seguir nosso Senhor, que deu o imprimatur da sua infalível autoridade aos Livros do Antigo Testamento”[1]
O uso intrínseco dos judeus por parte desses livros foi o que acabou gerando o reconhecimento universal de sua canonicidade e rejeitando os demais livros, pois, nem todos os demais livros eram usados universalmente.
O princípio profético foi uma evidência imediata de sua canonicidade, demonstrado no “assim diz o SENHOR” tanto atestado na Bíblia.
A reunião de tais livros no Canon Hebraico deve-se a Esdras e a Grande Sinagoga, dos quais os Escribas copiavam para as uso nas suas sinagogas. Havia uma tradição corrente, que o cânon fora arranjado no tempo de Esdras e de Neemias. Josefo, já citado, fala da crença universal de seus patrícios de que nenhum livro havia sido acrescentado desde o tempo de Artaxerxes, isto é, desde Esdras e Neemias. Elias, levita, escrevendo em 1588, fala da crença que o povo tinha, dizendo: “No tempo de Esdras os 24 livros ainda não estavam unidos em um volume. Esdras e seus associados fizeram deles um volume dividido em três partes, a lei, os profetas e a hagiógrafa.” Esta tradição contém verdades. Se pode ser aceita em todos os seus particulares, isso depende de determinar a data em que certo, livros foram escritos, tais como Neemias e Crônicas.
Os judeus aceitavam a canonicidade de tais escritos como atesta Josefo:
Faz parte da natureza de cada judeu, desde o dia em que nasce, considerar estas Escrituras como ensinos de Deus; confiar nelas, e, se for necessário, dar alegremente a vida, em sua defesa 
Conclusão e Resumo:

1.      O Cânone do AT formou-se gradativamente desde Moisés até Malaquias e Esdras e foram reunidos por Esdras em um volume;

2.      O principal critério para canonicidade é o uso intrínseco das Escrituras pelos Judeus e o cumprimento das Profecias ou exatidão histórica.

3.      Os apócrifos foram rejeitados desde cedo e não há consenso comum entre eles;

4.      A lista de livros inspirados aceitos universalmente é idêntica a que possuímos hoje no nosso AT.




[1] E. J. Young, “O Cânon do Antigo Testamento, Revelation and the Bible”, p. 168 

domingo, 1 de dezembro de 2013

Sermõezinhos geram Cristãezinhos

John Stott já dizia "Sermõezinhos produzem cristãezinhos"; essa é a verdade que se vê na maioria das denominações hoje: pregadores rasos entregando mensagens rasas, consequentemente gerando um povo raso. Gerando pessoas desqualificadas para suportar a pressão, as tentações, as provações, as turbulências que vem inevitavelmente.

Pregamos muito sobre prosperidade, cura, unção, restituição, conquista e nada disso é errado, desde que não ocupe todo o tempo, desde que não esgote todo o esforço. É necessário que preguemos também sobre o sofrimento, sobre a tribulação, sobre as tentações, pois são assuntos igualmente bíblicos.

Temos o mau costume de enfatizar um tema em detrimento de outro. Precisamos pregar 'todo o conselho de Deus' que inclui o sofrimento. 

"O maior inimigo do cristianismo não é o anticristianismo, mas o 'subcristianismo'" (Stanley Jones). O nosso maior problema não são as heresias, o nosso maior problema é a nossa negligência em preparar um povo que maneja corretamente a palavra da verdade, um povo plenamente preparado para o Senhor. Moody dizia "o maior problema da Obra são os Obreiros".

"Há muitas igrejas cheias de pessoas vazias e vazias de pessoas cheias de Deus" (Errol Hulse), "Não teremos reavivamento enchendo nossas igrejas de homens, mas enchendo com Deus os que já frequentam a igreja" (D. Campbell).

Por vezes, fui em 'cultos' onde saí como entrei, pode-se argumentar: "Você não foi de coração aberto, por isso não recebeu", mas, a Bíblia argumenta que quando Deus fala sua palavra é poderosa e queima em nossos corações por si só.

Vamos reconsiderar o cristianismo que dizemos ser bíblico. Ousemos pregar toda a Palavra, somente a Palavra.

Ousamos falar das Tribulações:

Isaías 48:10 “Veja, eu refinei você, embora não como prata; eu o provei na fornalha da aflição.”

João 16:33 “"Eu lhes disse essas coisas para que em mim vocês tenham paz. Neste mundo vocês terão aflições; contudo, tenham ânimo! Eu venci o mundo".”

Atos 14:22 “fortalecendo os discípulos e encorajando-os a permanecer na fé, dizendo: "É necessário que passemos por muitas tribulações para entrarmos no Reino de Deus".”

I Tessalonicenses 3:3 “para que ninguém seja abalado por essas tribulações. Vocês sabem muito bem que fomos designados para isso.”

Ousemos falar do sofrimento:

Jó 17:11 “Foram-se os meus dias, os meus planos fracassaram, como também os desejos do meu coração.”

Jó 30:16 “"E agora esvai-se a minha vida; estou preso a dias de sofrimento.”

Jó 30:27 “Nunca pára a agitação dentro de mim; dias de sofrimento me confrontam.”

Romanos 8:17 “Se somos filhos, então somos herdeiros; herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo, se de fato participamos dos seus sofrimentos, para que também participemos da sua glória.”

Romanos 8:18 “Considero que os nossos sofrimentos atuais não podem ser comparados com a glória que em nós será revelada.”

Ministros do Evangelho, conclamo a todos que conheço, cumpramos, (incluo-me aqui com vocês) o que Paulo escreveu a Timóteo: 

“Na presença de Deus e de Cristo Jesus, que há de julgar os vivos e os mortos por sua manifestação e por seu Reino, eu o exorto solenemente: Pregue a palavra, esteja preparado a tempo e fora de tempo, repreenda, corrija, exorte com toda a paciência e doutrina. Pois virá o tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, sentindo coceira nos ouvidos, segundo os seus próprios desejos juntarão mestres para si mesmos.” 

Vamos expor ao nosso povo somente a Bíblia como Neemias e Esdras fizeram (Neemias 8:8), vamos falar somente a Palavra e toda a Palavra.

A Igreja Brasileira está como está, por causa de nós, pastores. A Igreja é reflexo do seu pastor. Se o pastor for um graveto seco a queimar, lenha verde começará a arder diz o Rev. Hernandes Lopes.

Que possamos pregar, mas pregar com ousadia todo o conselho de Deus e pregar no poder do Espírito Santo.