quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Comentário sobre o Natal

Por: Marcos Júnior*
Resolvi juntar-me aos muitos amigos que se manifestaram nessa rede social acerca do comportamento cristão e apropriado diante do Natal; portanto, expressarei minha opinião acerca dessa festa, e, como Lutero disse com acerto, opiniões são seguidas se quisermos, pois não são a infalível Palavra de Deus. Então, você pode, se quiser, discordar de mim e das minhas proposições, mas tal discordância não implica que abandonarei minha opinião tão facilmente. Então, sem mais delongas, vamos ao que interessa.
Respondendo àqueles cristãos sinceros, piedosos e tementes a Deus, aos quais amo e admiro, mas que dizem que o natal não deve ser comemorado por cristãos, por se tratar de uma festa dedicada ao deus Sol, celebrada no dia 25 de dezembro que foi incrementada ao calendário cristão diante do ecumenismo romano pós Constantino, e que, portanto, trata-se de uma festa pagã; digo que: Devemos agir como Orígenes, o pai da Igreja grega, famoso por cunhar a expressão "despojar os egípcios", uma linguagem figurada retirada do Êxodo de Israel do Egito. Ao utilizar essa expressão, Orígenes queria dizer que é válido tomar a verdade das fontes pagãs, quando estas são úteis para esclarecer a mensagem do Evangelho à pagãos interessados. Isso concorda com o pensamento de Agostinho de Hipona, que diz que "Toda verdade é a verdade de Deus, não importa de onde venha". Então, comemorar o natal, é um momento onde podemos juntos com cristãos nominais, pagãos, ateus, agnósticos, anunciar que "hoje, na cidade de Davi, nasceu o Salvador que é Cristo, o Senhor". (Lucas 2:11), mesmo que eles não acreditem, por tradição estão honrando o nascimento do Deus-Homem.
Respondendo àqueles que dizem tratar-se de uma festa originada na mitologia de Semíramis, mulher de Ninrode, personagem bíblico de Gênesis 10:10, homem que a lenda diz ser o primeiro escravagista da história, e que casou com sua própria mãe, que foi morto, mas que Semíramis diz ter-se reencarnado em seu filho, uma criança chamado Tamuz, o mesmo deus do Sol mencionado acima, que justamente nasceu segundo se diz em 25 de dezembro, inclusive, pseudo-deus este adorado por Israel no exílio, digo que,despojemos os egípcios. Aproveitemos a ocasião, para esclarecer que toda civilização antiga, tinha em seu escopo de religião, o nascimento de um deus que viria para ser o salvador do mundo.
Aproveitemos a ocasião para relembrar que, por mais distorcida que seja a imagem apresentada, ela não deixa de ter uma verdade; Todos os povos antigos, sabiam e esperavam que o Cristo viria para nos libertar. Tanto é assim, que Eva, ao conceber Caim, pensou já, em se tratar do descendente prometido. O original de Gênesis 4, diz "Alcancei um homem como filho, o Senhor". Bom, se o natal é tão benéfico assim para fins evangelísticos onde podemos ressaltar que cada cultura antiga tinha a esperança da vinda de um salvador divino e que é um meio mesmo que por tradição, onde juntos com todos, relembramos a concepção virginal do Deus encarnado, minha concepção é que podemos celebrar o natal sem dor na consciência, afinal "toda a verdade é a verdade de Deus" e toda a mitologia de Semíramis, anuncia ainda que distorcidamente, a verdade que um "menino nasceu, um filho se nos deu, o seu nome será: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz, o governo está sobre o seu ombro" (Isaías 9:6-7). Celebremos o natal! Despojemos os egípcios, afinal, comemoramos que Cristo nasceu!
Feliz natal!
Um abraço!
* Esse comentário expressa unicamente minha opinião e não reflete a opinião dos demais moderadores.


sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

O caráter precede a ação!

Recentemente fiz uma série de exposições sobre o ofício de diácono em minha igreja. O motivo é que a mesma estava passando por um processo de eleição. Decidi que estudaria o tema e procuraria expor as Escrituras, enfatizando o ofício do diaconato, com o propósito de orientar a Igreja e os próprios candidatos.

Entretanto, ao estudar o tema, fiquei surpreso, e acabei tirando uma das lições mais preciosas que poderia ter tirado naquela semana: o caráter precede a ação. Sim! Você primariamente precisa ser antes de fazer.

Olhando para o texto bíblico você encontra pouca ênfase sobre o que os diáconos deveriam fazer, mas sobre suas qualidades e quem eles deveriam ser o Novo Testamento está recheado. Em Atos 6.1-6, por exemplo, temos o famoso caso da instituição dos diáconos. Sem entrar em muitos detalhes do texto, os diáconos surgiram por causa de um pequeno problema de cunho social na Igreja com relação a distribuição diária de alimentos. Os helenistas reclamaram que suas viúvas estavam sendo esquecidas nessa distribuição. Os apóstolos, com sabedoria, decidiram dividir o trabalho, já que eles não poderiam abrir mão do que é primordial: pregação e oração. Daí surge os diáconos. Veja que o texto segue e não dá mais nenhuma ênfase ao que os diáconos deveriam fazer, mas sim ao que eles deveriam ser. O registro diz que eles deveriam ser: “homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria” (v.3). Quanto a escolha de Estevão, suas qualidades foram enfatizadas.

Seguindo essa ideia, outro texto interessante é o de Timóteo 3.1-13, que não fala apenas dos diáconos, mas também dos presbíteros. Olhando com cuidado para o texto, você vê Paulo falando com frequência sobre o caráter e sobre as qualidades que os presbíteros e os diáconos devem ter. Nos versos 2,3, praticamente tudo que Paulo fala é sobre caráter e pouco sobre as atividades que um presbitério deveria exercer, talvez a exceção seria o “apto para ensinar”, mostrando o dever dos presbíteros para com o ministério de ensino. Sei que alguns podem discordar, mas uma coisa é certa, Paulo enfatiza mais o caráter do que propriamente os deverem dos presbíteros para com seu ofício.

Analisando agora os diáconos a coisa fica mais clara ainda. Nos versos 8-13 você não encontra nada sobre o que os diáconos devem fazer. Paulo não fala que eles deveriam cuidar das viúvas; que deveriam fazer cestas básicas para os mais necessitados; ele não fala nada quanto ao cuidado com as estruturas da igreja; e por aí vai. Porém, Paulo gasta todo o seu discurso sobre os diáconos falando sobre o caráter deles. Veja: “respeitáveis, de uma só palavra, não inclinados a muito vinho, não cobiçosos de sórdida ganância...” (v.8).

A conclusão que cheguei é que as Escrituras enfatizam mais as qualidades e o caráter do que propriamente com o serviço que eles exercem. Que fantástico! O ser recebe mais ênfase do que o fazer. Depois de meditar sobre essa ideia, encontrei respostas para muitas perguntas que tinha sobre o motivo de muitos oficiais não terem dado certo. Eles eram “bons”, competentes e faziam um bom trabalho, mas não tinham as qualidades necessárias.

Você já pensou nisso? Quantas vezes queremos mostrar serviço e poucas vezes queremos ser quem deveríamos. Nos preocupamos bem mais com o que devemos fazer (externo) do que com o que deveríamos ser. Numa eleição de diáconos e presbíteros você consegue perceber isso. Os futuros candidatos já chegam apressados em você querendo saber o que eles devem e podem fazer, e é comum ver poucos se preocupando com o ser. Ser? Ser um bom esposo. Ser honesto e amoroso. Ser crente e um estudioso da Palavra.

E que seja assim daqui para frente. Que procuremos ser, antes mesmo de fazer. 

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

ESBOÇO DE GÁLATAS 5:13-26 "OS TRÊS MINISTÉRIOS DO ESPÍRITO SANTO DE DEUS"

Texto Bíblico: Gálatas 5:13-26

“Irmãos, vocês foram chamados para a liberdade. Mas não usem a liberdade para dar ocasião à vontade da carne; pelo contrário, sirvam uns aos outros mediante o amor. Toda a lei se resume num só mandamento: "Ame o seu próximo como a si mesmo".Mas se vocês se mordem e se devoram uns aos outros, cuidado para não se destruírem mutuamente.Por isso digo: vivam pelo Espírito, e de modo nenhum satisfarão os desejos da carne. Pois a carne deseja o que é contrário ao Espírito; e o Espírito, o que é contrário à carne. Eles estão em conflito um com o outro, de modo que vocês não fazem o que desejam.Mas, se vocês são guiados pelo Espírito, não estão debaixo da lei.Ora, as obras da carne são manifestas: imoralidade sexual, impureza e libertinagem; idolatria e feitiçaria; ódio, discórdia, ciúmes, ira, egoísmo, dissensões, facçõese inveja; embriaguez, orgias e coisas semelhantes. Eu os advirto, como antes já os adverti, que os que praticam essas coisas não herdarão o Reino de Deus.Mas o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade,mansidão e domínio próprio. Contra essas coisas não há lei.Os que pertencem a Cristo Jesus crucificaram a carne, com as suas paixões e os seus desejos. Se vivemos pelo Espírito, andemos também pelo Espírito.Não sejamos presunçosos, provocando uns aos outros e tendo inveja uns dos outros.”

Introdução: Essa perícope é dirigida à cristãos em vista da nova vida que receberam na conversão. Nessa perícope, Paulo discursa sobre a liberdade cristã e o conflito diário que há dentro de cada crente com aplicações práticas de como, na dependência do Espírito Santo vencer a natureza pecaminosa e como esse viver guiado pelo Espírito Santo se manifesta nos relacionamentos cotidianos. Na conversão, recebemos o Espírito Santo (Efésios 1:13,14), agora, Paulo discursará sobre como o mesmo Espírito Santo nos guia em nosso viver diário.

Este parágrafo é, possivelmente, o mais crítico de toda a seção final de Gálatas, pois nele Paulo explica três ministérios do Espírito Santo que permitem ao cristão desfrutar sua liberdade em Cristo.

1. O ESPÍRITO NOS CAPACITA A CUMPRIR A LEI DO AMOR (Gl 5:13-15)

Paulo começa listando no v. 13, a liberdade cristã, com um declaração de alforria bem conhecida da época que era a expressão “Chamado à liberdade”, uma expressão corrente em atestados de compra de escravos para a liberdade (Deissmann), algo de máxima importância para um alforriado. Quando se suspeitava de que ele era um dos numerosos escravos fugitivos e desaparecidos, apresentava o seu documento. Ali constava preto no branco: “Chamado à liberdade”! A liberdade do cristão não é uma licença para pecar, mas sim uma oportunidade para servir. Não podemos dar ocasião para a carne, isso é deixa-la fazer de nossa liberdade cristã sua base de operação (g. Aphormé). Paulo estava plenamente consciente de que, embora os gálatas agora fossem “irmãos” em Cristo, ainda estavam contaminados e acossados pelas sinistras influências de sua herança corrompida, de seus maus costumes de outrora e de seu meio ambiente deteriorado. Falando em termos gerais, a santificação não conclui toda a sua obra num só dia. Por isso necessitamos sermos guiados diariamente pelo Espírito Santo na vida cristã. O amor é o resultado prático de quem vive sob o controle do Espírito, pois é a virtude máxima do caráter (I Co. 13:1-13), é a forma como Deus se relaciona conosco (I Jo. 4:8,16), é uma doação do Espírito (Rm. 5:8) é um mandamento (Jo. 13:34,35). O ser guiado pelo Espírito Santo envolve o desejo de ouvir, predisposição para obedecer e a sensibilidade para discernir entre seus sentimentos e sua diligência para atuar. O Espírito Santo é o único capaz de transformar essa fera corrompida em nosso interior, a Lei tinha a finalidade de prendê-la, mas ela era a mesma, no entanto, o Espírito Santo transforma nossa vida de tal forma que agora, ao invés de ferir os irmãos passamos a amá-lo.

2. O ESPÍRITO NOS CAPACITA A VENCER A CARNE (Gl 5:16-21,24)

Andem no Espírito, uma ferramenta para vencer o conflito com a carne (v. 16): Encontramos em Gálatas pelo menos catorze referências ao Espírito Santo. Quando cremos em Cristo, o Espírito passa a habitar dentro de nós (GI 3:2). Somos "nascidos segundo o Espírito", como Isaque (GI 4:29). É o Espírito Santo no coração que dá a certeza da salvação (GI 4:6); e é o Espírito Santo que capacita a viver para Cristo e a glorificá-lo. O Espírito Santo não é apenas uma "influência divina"; é uma Pessoa divina, assim como o Pai e o Filho. Adolf Pohl diz que só nesse capítulo, o Espírito é mencionado cerca de oito vezes. E o imperativo do apóstolo para nós é: “Andem no Espírito”!

ANDAR NO ESPÍRITO SIGNIFICA CONDUZIR SUA VIDA EM OBEDIÊNCIA AO ESPÍRITO SANTO (g.peripateite).

Esse andar no Espírito certamente provoca um conflito que só o crente experimenta. Assim como Isaque e Ismael, o Espírito e a carne (a velha natureza) encontram-se em conflito. Ao se referir à "carne", é evidente que Paulo não fala do "corpo". O corpo humano é neutro, não pecaminoso. Neste contexto, essa palavra carne não significa o corpo, como se a sede do pecado fosse esse. Deve-se notar que muitos dos pecados mencionados nas "obras da carne" são pecados espirituais. "Carne", no dizer de Melanchton, é "a natureza inteira do homem, seu senso e razão, sem o Espírito Santo".

Quando o Espírito Santo controla o corpo, andamos no Espírito; mas quando entregamos o corpo ao controle da carne, andamos segundo as concupiscências da carne. O termo concupiscência significa mais apropriadamente como o “desejar constante”. Isso implica que após nossa conversão, nossa carne continua e continuará tendo os mesmos desejos errados até o dia de Cristo. Esses desejos opostos são iIustrados na Bíblia de várias maneiras. A ovelha, por exemplo,é um animal limpo, que evita a sujeira,enquanto o porco é um animal imundo, que gosta de se revolver na imundície (2 Pe 2:19-22).Depois que a chuva cessou e que a arca se encontrava em terra firme, Noé soltou um corvo, mas a ave não voltou (Gn 8:6, 7). O corvo é uma ave carniceira, portanto deve ter encontrado alimento de sobra. Mas, quando Noé soltou uma pomba (uma ave limpa), ela voltou (Gn 8:8-12). Quando soltou a pomba pela última vez e ela não voltou, Noé soube, ao certo, que ela havia encontrado um lugar limpo para pousar e que, portanto, as águas haviam baixado.A velha natureza é como o porco e o corvo, sempre procurando algo imundo para se alimentar. Nossa nova natureza é como a ovelha e a pomba, ansiando por aquilo que é limpo e santo.

Convém observar que o cristão não é capaz de vencer a carne simplesmente pela força de vontade: "porque são opostos entre si; para que não façais o que, porventura, seja do vosso querer" (GI 5:17). Paulo não diz que estas forças sejam iguais. O Espírito Santo é muito mais forte, mas se nós dependermos de nossa própria sabedoria tomaremos decisões equivocadas. Essa é uma luta acirrada na qual o Espírito sobressai. O crente não luta com o desespero na espinha, mas com a vitória nas costas.

No v 18, Paulo substitui o Andar inicial por ser guiado. Ser guiado pelo Espírito, nada mais é do que ser santificado diariamente pela prática e obediência à Palavra de Deus. Falando em termos gerais, a santificação não conclui toda a sua obra num só dia.

Esse andar e esse ser guiado pelo Espírito é algo a ser feito voluntariamente. . Esse versículo significa, literalmente: "Mas se forem voluntariamente conduzidos pelo Espírito, então não estarão debaixo da Lei".

Não há tentativa, nos vs. 19-21, para mencionar todos os pecados possíveis; são dados apenas alguns exemplos mais notáveis. No original os vícios seguintes até o v. 21 – com exceção de ―porfias e ―ciúmes – estão no plural. A tradução deveria corresponder a esse fato. O plural traz à memória de maneira ampla esferas inteiras, ao contrário do ato isolado. Ou seja, cada pecado citado engloba as características de todos. Fílo de Alexandria apresenta uma lista de mais de cem vícios. A listagem foi começada, mas não concluída. Somos desafiados a continuá-la de acordo com as nossas experiências.

Há quinze elementos na lista. Naturalmente que, no tocante ao conteúdo das palavras, há elementos que se repetem. Assim, enquanto que os três vícios: imoralidade, impureza e indecência tenham significados distintos, no entanto os três vícios possuem algo em comum, a saber, desvio da vontade de Deus com referência ao sexo. E o mesmo sucede com as demais palavras da lista

Lightfoot classifica-os sob as quatro categorias:

Paixões sensuais (relacionados ao sexo) (19). Prostituição, impureza, lascívia... (ARA), imoralidade sexual, impureza e libertinagem; (NVI). Lascívia; isto é, "devassidão" (Lightfoot), indecência aberta e desavergonhada. Não nos devemos esquecer que naquele antigo mundo pagão o vício sexual era provido pela lei pública, sendo incorporado até mesmo na adoração aos deuses. Impureza é um conceito bastante abrangente e inclui não só a impureza em atos, senão também em palavras, pensamentos e intenções do coração.  Libertinagem tem a sua ênfase na ausência de domínio próprio que caracteriza a pessoa que dá livre expansão aos impulsos de sua natureza pecaminosa. O adultério (traduzido aqui por "prostituição" na NVI: Imoralidade Sexual) é o sexo ilícito entre pessoas casadas; o mesmo pecado é cometido entre pessoas solteiras, pode ser chamado de fornicação.

A impureza é exatamente isso: uma imundícia da mente e do coração que contamina a pessoa. A pessoa contaminada vê impureza em tudo (ver Tt 1:15). Como é de conhecimento comum, esses pecados corriam soltos no império romano. As bebedices e glutonarias não necessitam de maiores explicações.

Manuseios ilegítimos das coisas espirituais (Relacionados a Religião ou pecado supersticiosos) (20). Idolatria, feitiçarias... O primeiro se refere ao reconhecimento público dado aos deuses falsos. Moffatt traduz feitiçaria como "mágica"; a referência é ao tráfico com os mortos (Psicografia), e assim sendo, com os poderes malignos, tão severamente condenados no Antigo Testamento.  A palavra grega que foi traduzida para feitiçarias encaixa-se no termo "farmácia" (no grego farmakéia - que significa "uso de fármacos", de onde vem a palavra farmácia.) e significa basicamente a administração de drogas e poções mágicas, mas passou a representar todo o tipo de prática de feitiçaria como Moffatt bem traduziu. Idolatria continua existindo hoje e significa simplesmente colocar qualquer outra coisa antes de Deus e das pessoas. Devemos adorar a Deus, amar as pessoas e usar as coisas; mas, muitas vezes, usamos as pessoas, amamos somente a nós mesmos e adoramos as coisas,  deixando Deus totalmente de fora.

Pecados Sociais (relacionamentos) (20-21). Inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões (divisões), facções (Partidarismo), invejas... Na NVI: “ciúmes, ira, egoísmo, dissensões, facções” Algumas variações: Ciúmes, isto é, "emulações". Iras, significa explosões apaixonadas de ira. Facções, isto é, "heresias", ou seja, partidos, uma forma agravada de divisões. "Homicídios", ainda que apareça em algumas versões, é palavra que não se encontra no original. Disputas e ciúme - caminham de mãos dadas, pois aquilo que começou como uma intensa devoção para com um líder, de tal maneira que qualquer outro nome é de imediato menosprezado entre muita desordem, degenera em anseio ciumento por manter o sentimento de apego ao líder, pelo desejo de “possuí-lo”,e pelo anseio de fazer crescer o seu prestígio custe o que custar. Em tais contextos, é natural que explosões de ira ou uivos de raiva surjam quando se menciona o nome do “rival”.

São resultantes de líderes da igreja que promovem a si mesmos e que insistem que as pessoas os sigam em lugar de seguirem ao Senhor (o termo heresia, em grego, significa "fazer uma escolha"). As invejas indicam rancores e o desejo profundo de ter aquilo que outros têm (ver Pv 14:30).

A pessoa que pratica esses pecados não herdará o reino de Deus. Paulo não fala de um ato pecaminoso, mas sim do hábito de pecar (g. prassontes, lit. Prática constante).

O fato de o cristão não estar debaixo da Lei,mas sim da graça, não serve de desculpa para pecar (Rm 6:15). Pelo contrário, a graça deve servir de estímulo para a obediência ao Senhor.

Excessos intemperantes (Alimentos – Relacionados ao nosso Ego) (21). Bebedices, glutonarias.

3. O ESPÍRITO NOS CAPACITA A PRODUZIR FRUTO (Gl 5:22, 23, 25, 26)

A carne produz "obras mortas" (Hb 9:14), enquanto o Espírito produz fruto vivo.

O Novo Testamento fala de vários tipos diferentes de "fruto": pessoas salvas para Cristo (Rm 1:13), a vida de santidade (Rm 6:22),dons concedidos por Deus (Rm 15:26-28),boas obras (CI 1:10) e louvores (Hb 13:15).

O "fruto do Espírito" relacionado nesta passagem refere-se ao caráter (GI 5:22, 23). É importante distinguir o dom do Espírito, que é a salvação (At 2:38; 11 :17), e os dons do Espírito, que dizem respeito ao serviço (1 Co12), das graças do Espírito, relacionadas ao caráter cristão. Infelizmente, costuma-se dar uma ênfase excessiva aos dons, levando os cristãos a negligenciar as graças do Espírito.

O fruto do Espírito (22) é sempre descrito no NT como singular (22-23) como fruto da justiça (Fp. 1:11 grego),  fruto da luz (Ef. 5:9). Um belo cacho de nove variedades de fruto é aqui descrito. Todas estas variedades estão ligadas como que para sugerir que a ausência de qualquer delas significa a anulação de todas, isto por uma lado, significa também que se temos uma, temos todas. A tríplice classificação feita por Lightfoot, em hábitos mentais, qualidades sociais e princípios gerais de conduta, uma vez mais é de grande ajuda.

Primeiramente o tríplice desdobramento do próprio amor – relacionados a Deus (amor, alegria, paz), depois seu tríplice desdobramento em relação ao próximo (longanimidade, benignidade, bondade), e finalmente o tríplice desdobramento da conduta pessoal (fidelidade, mansidão, domínio próprio).

P. Burckhardt tenta fazer justiça à unidade dessa multiformidade, da seguinte maneira (pág 86, citações com pequenas alterações): alegria como amor que jubila, paz como amor que restaura, longanimidade como amor que sustém, benignidade como amor que se compadece, bondade como amor que doa, fidelidade como amor confiável, mansidão como amor humilde, domínio próprio como amor disposto a renunciar.

Dons relacionados à Deus (Amor, Alegria e Paz)(22). Amor. O Espírito Santo inspira na alma aquele amor a Deus e aos homens que é o cumprimento da lei (cfr. vers. 14).Alegria. Profundo regozijo de coração, tal como as bebedeiras e outras obras da carne jamais podem produzir. Essa alegria é a alegria "no Senhor" (Fp 4:4), e não por causa das circunstâncias. Paz. O senso de harmonia no coração no que tange a Deus e ao homem, aquela paz de Deus que guarda o coração contra todas as preocupações e temores que pretendem invadi-lo (Fp 4:7). Cristo nos deu sua Paz (Jo. 14:27)

Dons relacionados ao próximo (Longanimidade, Benignidade, Bondade) (Relacionamentos) (22). Longanimidade. (NVI: Paciência; Grego: Paciência esticada) Paciência esticada quando sofremos as injúrias ou danos. Benignidade. (NVI: Amabilidade) A bondosa disposição para com o próximo. Bondade. Beneficência ativa, eu me disponho á ajudar e ajudo; sendo assim um passo além da benignidade relaciona-se com a atitude da pessoa para com os outros e envolve uma recusa em revidar ou se vingar do mal recebido. Longanimidade é ser perseverante e não desistir, benignidade é ser brando, carinhoso e bondade é amor em ação.

Princípios gerais de conduta (Relacionados a nós mesmos, fidelidade, mansidão e domínio próprio) (22-23). Fidelidade.  Isto pode ser traduzido como Lealdade. Mansidão. O temperamento especialmente Cristão de não defender de unhas e dentes os próprios direitos. Domínio próprio. (lit., reprimir com mão firme) Geralmente traduzido por "temperança" noutras versões; "autocontrole". A ideia sugerida é a do indivíduo que sabe controlar firmemente seus desejos e paixões. Significa moderação em todas as coisas e um domínio completo de cada paixão e apetite, ficando excluídos os excessos de toda espécie.

A velha natureza é capaz de simular algum fruto do Espírito, mas a carne jamais será capaz de produzir esse fruto. Uma das diferenças é que, quando o Espírito produz fruto, Deus é glorificado, e o cristão não tem consciência de sua espiritualidade; mas quando é a carne que opera, a pessoa orgulha-se interiormente e se sente realizada com os elogios de outros.

COMO VENCER A CARNE à CRUCIFICAÇAO

 No v. 24, Paulo ressalta num segundo momento que em todo o trecho ele pressupõe cristãos. E os que são de Cristo Jesus acolhe uma antiga autodesignação dos primeiros cristãos. Por trás dela existe um modo de pensar, segundo o qual uma pessoa não pertence a si própria, mas sempre é propriedade de alguém. No entanto, quando pertence a um, é livre do outro. ― “Ninguém pode servir a dois senhores” (Mt 6:24). Ser propriedade de Cristo, portanto, é ao mesmo tempo uma experiência de libertação. Em Rm 8:9 Paulo marca a data em que Cristo toma posse de alguém e em que esse por isso é libertado do domínio da carne, para o instante do recebimento do Espírito. Por intermédio do Espírito, o Senhor exaltado tomou posse de sua propriedade, a fim de afirmá-la como sua esfera de senhorio e bênção. Unicamente nessa situação a convocação para andar no Espírito faz sentido, porque somente então está dado o reverso: o desprendimento do poder da carne. Por isso o cristão não precisa mais deixar-se acovardar pela apresentação autoritária dele. O cristão não deve mais nada à carne (Rm 8:12). As demandas dela são nulas. Ele não tem a ver com ela mais do que teria com um morto. Borse ensina: “Os próprios gálatas crucificaram sua carne quando chegaram à fé no Crucificado”.

Para Paulo era importante que entre seus leitores esse ato de morrer com Cristo crucificado fosse esticado por todo o tempo de vida do cristão. O diagnóstico “morto com Cristo” precisa continuar a ser escrito dia após dia. “Eu morro todos os dias” (VFL), diz Paulo em 1Co 15:31; cf. Lc 9.23. Em 2Co 4:10 ele antecipa enfaticamente, para diferenciar de uma experiência ocasional: “levando sempre no corpo o morrer de Jesus”. Buscamos uma crescente comunhão dos seus sofrimentos (Fp 3:10,11; 2Co 11:23).Ao lidarmos com a carne, precisamos crucifica-la. Cristo não apenas morreu por nós, mas nós morremos com Cristo. Ele morreu por nós para remover o castigo de nosso pecado, mas nós morremos com Cristo para romper o poder do pecado. O APÓSTOLO NÃO DIZ QUE NÓS DEVEMOS NOS CRUCIFICAR, POIS ISSO É IMPOSSÍVEL (A CRUCIFICAÇÃO É UM TIPO DE MORTE QUE NINGUÉM PODE APLICAR SOBRE SI MESMO). ELE DIZ QUE A CARNE JÁ FOI CRUCIFICADA. É NOSSA RESPONSABILIDADE CRER NISSO E AGIR DE ACORDO COM ISSO.

O imperativo: Vós deveis! Nada mais é que uma atualização do indicativo: Afinal, tendes! O que é exigido decorre do que foi dado com naturalidade. Isto é, Deus só exige que andemos no Espírito, pois na conversão já nos deu o Seu Espírito. O que na Galácia havia começado no Espírito corria o perigo de ser continuado, absurdamente, na carne (Gl 3:3). Por isso não se deve ignorar o tom de incentivo. O Espírito Santo indubitavelmente é um poder arrasador, porém isso não deveria ser motivo para cruzar passivamente os braços e espreitar o seu agir. Ao contrário, Paulo exclama: Mexam-se, afinal! Dêem passos, ajam! Vençam o mal com o bem (Rm 12.21), façam o bem, digam o bem, pensem o bem (Gl 6:9-11)! Quem não faz movimentos de natação, afunda. Um navio que não se move tampouco pode ser guiado. Portanto, quando somos passivos, a carne se torna ativa. Ela apenas está aguardando uma oportunidade dessas (v. 13b).

Andemos (v 25 no grego: stoichéo “conservar a linha da marcha, permanecendo na linha e na fila”) Uma palavra diferente da que é empregada no vers. 16, pois se trata de vocábulo que dá a ideia de andar em fila: no grego clássico era usado para indicar a marcha em ordem de batalha. A ideia sugerida é que a orientação do Espírito Santo deve ser seguida bem de perto. Andar no Espírito é ter nossas atividades, nossos  pensamentos nossas ações,  feitos na energia do Espírito, ou no poder do Espírito, em sujeição ao Espírito.

No v. 26, o que chama a atenção, diferente do v. 15, é o fato de que dessa vez Paulo se inclui pessoalmente (“Não nos deixemos”). Ele sabe do que está falando. Também ele conhece esse hálito de desejos carnais, que se rebelam contra o Espírito (v. 17). Isso também o incentiva a usar de uma moderação sensitiva, que caracteriza o trecho seguinte. Ele próprio realiza aquela atitude que, a seguir, recomenda à igreja ao lidar com falhas alheias.

OS RESULTADOS DE SERMOS DIRIGIDOS PELO ESPÍRITO:

  1. Aqueles que são dirigidos pelo Espírito respiram o ar alegre e revigorante da liberdade moral e espiritual. Não mais estando sob a escravidão da lei, obedecem aos preceitos de Deus com alegria de coração (Gl 5:1,18).

  2. Odeiam e vigorosamente se opõem à “as obras da carne” (5:17, 19-21,24).

  3. Suas vidas têm em abundância “o fruto do Espírito” (Gl 5:22,23; 6:2, 8-10).


Que o Espírito Santo guie e controle sua vida cada dia. Logo as palavras de Cristo estarão em sua mente, o amor de Cristo estará em suas ações e o poder de Cristo o ajudará a controlar seus desejos egoístas.

sábado, 25 de outubro de 2014

497 anos de Reforma Protestante: Um convite à reflexão




Todos os historiadores datam o início da Reforma como sendo o dia 31 de Outubro de 1517. Justo González e Hernandes Dias Lopes dizem que o dia que Martinho Lutero escolheu para afixar as teses na Igreja de Wittenberg foi estratégico, pois que antecedia o dia de todos os santos, aonde todos os fiéis iam a Igreja e assim todos puderam ver as teses do Teólogo nas quais ele analisava uma série de comportamentos da Igreja Romana.

Neste mês estamos comemorando 497 anos de Reforma e eu gostaria de analisar com todos 7 fatos sobre A Reforma Protestante. Esses fatos são como segue:

1.    A reforma é uma obra que começou em Deus

A semente da Reforma não estava apenas em Lutero, antes dele vieram homens desejosos de uma reforma na Igreja Medieval, dentre esses homens podemos citar Jerônimo Savonarola e João Huss, por exemplo. Não apenas isto, mas também havia o desejo no povo de uma Reforma no Clero devido a Corrupção e aos escândalos, tão grandes eram que os clérigos pagavam aos bispos para terem relações sexuais, acabavam de celebrar a Missa e iam para  as festas se embriagarem e jogarem.

 Como era uma obra originada em Deus, Ele trouxe apoiadores para Lutero como, por exemplo, num primeiro instante, Erasmo de Rotterdam e os humanistas, Frederico, o Sábio. Sendo uma obra originada em Deus, A reforma não aconteceu apenas na Alemanha, mas a rainha do que hoje é a Espanha, rainha conhecida como Isabel, a católica, já desejava uma reforma na Igreja Nacional, evidente que não seguiu os padrões luteranos, mas é suficiente para demonstrar que isso não era um devaneio de um professor de Teologia, e sim, uma obra que nasceu em Deus. Um dos movimentos que precederam a Reforma é conhecido como “Irmãos da Vida Comum”, movimento originário nos países baixos, esses “irmãos” como os humanistas, prezavam pela Leitura das Escrituras nos idiomas regionais, um pilar que Lutero seguiu.

Sendo uma obra que nasceu em Deus, a Reforma protestante coincidiu com o período renascentista, onde todos puderam vislumbrar grandes conquistas. Com o renascentismo, a hegemonia da Igreja Romana foi sendo quebrada em diversas áreas, das quais a Reforma é apenas a Área doutrinária-teológica. Por exemplo, é nessa época de renascentismo que Galileu Galilei e Copérnico vão afirmar o mundo era Heliocêntrico, ou seja, que a Terra gira em torno do Sol, contrariando e retirando assim a hegemonia da Igreja Romana sobre a Ciência. O período renascentista foi extremamente importante para a Reforma devido a invenção da Impressa por Johannes Guttenberg, tão  grande era o desejo do povo por uma religião pura que a primeira obra a ser impressa foi uma Bíblia, hoje conhecida como Bíblia de Guttenberg.

Tendo demonstrado que a Reforma surgiu em Deus, sabemos que ela é também:

2.    Uma obra extremamente erudita

Erasmo de Rotterdam ou Erasmo Desidério, erudito cristão, humanista que viveu entre 1466-1536 foi um homem que ao lado dos humanistas descortinou diante do povo uma paixão pelos idiomas clássicos (aramaico, latim e grego) mas o fizeram de forma independente do viés da Igreja, de fato, os estudiosos italianos desse período, em sua maioria, eram homens mais conhecidos pela erudição do que pela piedade. Os próprios papas caem nessa categoria.  Quando Lutero afixou as 95 teses na Igreja de Vittemberg, o fez visando um debate acadêmico, visto que estavam escritas em Latim, idioma que o povo comum desconhecia, com exceção de alguns poucos. Lutero queria propor aos acadêmicos que reavaliassem a Teologia da Época. Prova de tal erudição é que anos depois Lutero é seguido por muitos professores de Teologia em suas colocações.

Vale ressaltar também que esse desinteresse pela Teologia é algo que os reformadores desconhecem. Lutero era doutor em Teologia já em 1512, Calvino, era doutor em Artes e também formado em Direito. Quando o protestantismo penetrava em algum país, os pastores preparavam seminários para futuros líderes. Diga-se de passagem, que na época da Escolástica a Teologia era conhecida como a “Rainha das Ciências”.

Lembremo-nos amigos que nessa época havia o Índex, ou seja, um conjunto de livros que a Igreja Romana proibia o uso. Esse Índex, incluía todas as versões da Bíblia, exceto a Vulgata (versão até então oficial de Roma) e todos os livros que incitassem a pesquisa de um modo geral.

Os reformados em geral seguiram esse moto de erudição. Spurgeon, príncipe dos pregadores dizia: “Visite bons livros, fique na Bíblia”. Há comentaristas que dizem que quando o apóstolo escreveu a Timóteo: “Traga-me também os livros”, o apóstolo estava referindo à livros de pesquisa. Se cremos assim, temos então, que a erudição vem desde os tempo neo-testamentário e de fato, sabemos que como fariseu, o apóstolo foi um homem erudito.

3.     Uma obra Bíblica.

Tem sido asseverado que Lutero ao iniciar a Reforma conhecia pouco a Bíblia, ledo engano. O monge agostiniano e reformador já havia feito preleções em Gálatas e Salmos antes de Iniciar a Reforma e foi durante o preparo das preleções em Romanos que ele descobriu a doutrina da Justificação somente pela fé. Já em 1512, ele tinha o doutorado em Teologia, sendo alguém exímio conhecedor da Escritura.

Conta-se que Lutero iniciou a Reforma lendo as palavras de Romanos 1:17,que diz: “Porque no evangelho é revelada a justiça de Deus, uma justiça que do princípio ao fim é pela fé, como está escrito: "O justo viverá pela fé"”. Romanos tem sido uma carta que Deus tem usado para grandes avivamentos, diga-se de passagem. Foi a carta que desempenhou a conversão de Agostinho de Hipona, a carta da Reforma e a carta da Vida de Wesley.

Há autores que dizem ainda que junto com Romanos 1:17, Lutero descobriu o principio da Justificação pela Fé lendo também Romanos 4:5 que diz: “Todavia, àquele que não trabalha, mas confia em Deus que justifica o ímpio, sua fé lhe é creditada como justiça.”

Ao descobrir a verdade da Justificação somente pela fé, Lutero desenvolve cinco Solas ou cinco “Somentes”,  onde a ênfase recai sobre a Palavra somente, indicando que a fonte autoritativa da Igreja estava mudando.

 Sproul nos informa que ao declarar a justificação pela Fé através do “Sola Gratia” (Somente a Graça), Lutero rechaçou completamente a tradição teológica medieval do “Tesouro pelos méritos”, teologia romana que dizia que os santos piedosos acumulavam ‘créditos’ diante de Deus e que quando esses santos piedosos morriam e iam ao paraíso, o restante do ‘crédito’ que tinham com Deus ficava na conta da Igreja, que poderia usá-los para tirar alguém do Inferno, ou Purgatório.

Esse “Tesouro de Mérito” era o que embasava a doutrina da venda de Indulgências. Inclusive, diga-se que foi a indignação com a  venda de Indulgências feitas por Tetzel na Alemanha para arrecadar fundos para a construção da Basílica de São Pedro que levou Lutero a afixar as suas teses.

Como já dissemos, a fonte autoritativa da Igreja mudou com a Reforma. Na Igreja Medieval, a Escritura e a Tradição estavam em pé de igualdade, agora, entretanto, o que prevalece é a Escritura e a tradição é serva da Escritura. É importante ressaltar que os reformadores fizeram questão de não desprezar a tradição como muitos hoje fazem... O apóstolo Paulo até elogia quem retém a tradição nas suas epístolas. O principio do Sola Scriptura quer dizer que a Escritura é a única fonte infalível a qual a Igreja deve submeter-se como esclarece Sproul.

A reforma foi uma obra bíblica porque o que era importante na época não era o texto sagrado, mas sim as notas de rodapé. Os reformadores, no entanto, enalteceram a Escritura. Lutero dizia: “Onde não se anuncia a Palavra, ali a espiritualidade será deteriorada”. Lutero denominou esse principio pelas palavras latinas “Sola Scriptura”. (Somente a Escritura). De fato, Lutero pronunciou essas palavras quando repreendeu um grupo de entusiastas que ele chamou de “Profetas de Zwickau” que diziam que não havia mais necessidade de Escritura, pois que o Espírito lhes falava diretamente.

Esse apreço pela Escritura pode ser visto também na Confissão das Igrejas Reformadas da França que diz: “Não é lícito aos homens, nem aos anjos, fazer, nas Santas Escrituras, qualquer acréscimo, diminuição ou mudança. Por conseguinte, nem a antiguidade, nem os costumes, nem a multidão, nem a sabedoria humana, nem os pensamentos, nem as sentenças, nem os editos, nem os decretos, nem os concílios, nem as visões, nem os milagres devem contrapor-se as estas santas: mas ao contrário, é por elas que todas as coisas devem examinar, regular e reformar”. Lutero disse: “Qualq]uer ensinamento que não se enquadre nas Escrituras deve ser rejeitado, mesmo que faça chover milagres todos os dias”

4.    Uma obra providencial:

O pai de Lutero queria que o Reformador fosse advogado e não um monge agostiniano. O que o levou a sê-lo foi o medo da morte diante de um raio que o atingiu no meio de uma tempestade, na qual, Lutero fez um voto a Santa Ana que se ela o livrasse da morte, ele seria monge e assim o fez. Deus, em sua providência, Levou Lutero ao encontro de João Staupitz que o orientou a olhar para o Crucificado quando atormentado pelos seus pecados. 
A influência de Staupitz pode ser vista naquilo que o Reformador chama de Teologia da Cruz, que em miúdos quer dizer que a melhor revelação de Deus está na condescendência de Deus aos pecadores na Cruz de Cristo.

Outro fator importante na vida de Lutero foi o respaldo que Frederico, o Sábio, eleitor da Saxônia lhe deu. Quando ameaçado de morte na dieta de Worms em 1521, Lutero foi capturado por exércitos de Frederico e levado a um castelo que nem mesmo Frederico sabia onde era e pôde ali compor a sua tradução da Bíblia para o Alemão e compor também vários tratados protestantes e várias canções como, por exemplo, castelo forte é o nosso Deus.

Outra prova providencial para o protestantismo foi a Morte de Maximiliano e a confusão do papado. Isso fortaleceu a Teologia Luterana de que Cristo era o cabeça da Igreja e não o papa e o povo entendeu que isso era sinal da aprovação divina. Acrescenta-se a isso, o fato da morte de Maria Tudor, a Sanguinária. Exímia perseguidora dos protestantes, mulher cruel, foi removida do trono abrindo caminho para Isabel I, a mulher que impulsionou a reforma da Igreja da Inglaterra (Anglicana).

Outro fator importante nesse período foi a guerra entre Carlos V que queria extirpar o Protestantismo e Francisco I que queria tirar-lhe o trono. Isso deu um fôlego para o protestantismo, pois ora Carlos precisava do apoio dos protestantes e lhes dava tréguas. Tréguas que inclusive chegavam mesmo aos católicos e protestantes. Isso aqui é de importância vital para nós, porque nenhum reformador queria dividir a Catolicidade da Igreja, queria apenas reforma-la. Os católicos são muito amados pelos protestantes e vice-versa, aprendemos, pois a divergir com respeito e amor. Cabe aqui o dito de Agostinho: “Nas coisas essenciais unidade, nas coisas não essenciais, liberdade e em todas as coisas o amor”.  Eu mesmo amo demais uma família de amigos católicos que tenho e os respeito.

Outra prova providencial vem de Guilherme Farel e Calvino. Conta-se que Calvino queria um lugar tranquilo para estudar a Escritura e foi refugiado para a Suíça.  De passagem por Genebra, Farel suplica-lhe que fique por lá, no entanto, Calvino, que nem queria ser reformador resiste e só permanece devido a uma imprecação que Farel lhe lança se passasse por Genebra sem auxilia-lo. João Knox, pai do presbiteriano escocês, diz que Genebra é a “mais perfeita escola de Cristo desde os tempos dos apóstolos.” Foi lá que Calvino compôs as Institutas da Religião Cristã.

5.    Uma obra diversificada
  •  Quanto a Liderança
Havia duas classes de reformadores: Magisteriais* (aqueles que encabeçaram o movimento) como, por exemplo, Lutero, Melancthon, Bucero, Ecolampádio, Zwínglio, Calvino, Knox e os radicais (aqueles que achavam que os reformadores foram superficiais demais na Reforma), como, por exemplo: Menno Simons, Hubmaier. Há ainda Jacobus Arminius líder dos remonstrantes, teólogo, aluno de Teodoro Beza. Pastor dedicado que discordava da predestinação calvinista e eleição incondicional.

  •       Nos sacramentos 

     Acerca da Eucaristia:

Lutero e Zwinglio chegaram a conclusões semelhantes pelo Estudo da Escritura e foram grandes instrumentos de Deus na Reforma, no entanto, divergiram totalmente na questão da Ceia do Senhor.

Lutero defendia algo que conhecemos como Consubstanciação.

Consubstanciação é Ideia característica da teologia luterana de que na Ceia do Senhor o pão e o vinho não são transformados no corpo e no sangue de Cristo, mas que as moléculas da carne e do sangue estão presentes "em, com e sob" as moléculas do pão e do vinho.

Zwínglio já defendia que a Ceia era apenas um memorial do Calvário. Tendo por base o dito do Senhor: “Façam em MEMÓRIA DE MIM”... Sendo o pão tão somente pão e o vinho tão 
somente vinho.

     Acerca do Batismo:

Há uma longa disputa teológica sobre o batismo. Se deve ser feito por aspersão ou por imersão, se deve ou não batizar crianças. Os reformadores batizavam crianças. Os anabatistas (rebatizadores) não. Há igrejas reformadas que batizam crianças, outras não. Os dois lados tem bons argumentos. Mas ouçamos o Didaquê escrito em meados do segundo século nos diz:

No que diz respeito ao batismo, batizai em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo em água corrente.  Se não tens água corrente, batiza em outra água; se não puderes em água fria, faze-o em água quente.  Na falta de uma e outra, derrama três vezes água sobre a cabeça em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.

Observe que ele dá espaço tanto para aspersão como para imersão. Essa é uma discussão inconclusa desde os tempos dos pais apostólicos.
  •           Nos Países  – Alemanha, Suíça, Escócia, Holanda, França –
 A Reforma não foi algo regional, foi algo mundial... Alcançou todos os confins da terra.  Inclusive Calvino enviou para o Brasil, uma delegação de pastores calvinistas...
  •     Nas ramificações: Pietismo, Luteranismo, Anglicanismo, Arminianismo, Calvinismo, Pentecostalismo.
Luteranismo: Todos os que discordavam da teologia romana, a princípio receberam essa terminologia. São os discípulos de Lutero. Sua Teologia fundamenta-se principalmente na Justificação somente pela fé dentre outras coisas.

Pietismo: Movimento iniciado no séc. XVII em reação ao escolasticismo luterano. Enfatizava a Fé pessoal e o anti-intelectualismo. Seus principais líderes foram: Spener e Frank. Atualmente, se vê uma semelhança entre algumas alas do Cristianismo com o Pietismo do séc. XVII,  que priorizam mais a subjetividade do que a Escritura. Tornemo-nos ao Sola Scriptura. Os quackers também tinham muito do pietismo e da sua “luz interior”, onde não necessitavam tão agudamente da Escritura, mas o Espírito lhes falava individualmente... Faz-nos lembrar dos espiritualistas da Reforma, isto é, os profetas de Zwickau que rechaçaram a Bíblia dizendo: “Poderá a Bíblia fazer-nos sermão?”

Anglicanismo: Teologia Cristã baseada na Reforma Eclesiástica promovida por Henrique VIII na Inglaterra.  O Pr. Claudionor de Andrade nos diz que o Anglicanismo Visava estabelecer uma doutrina pura e combater a corrupção clerical. Seus pilares são: A Bíblia como autoridade infalível e final em questões de fé e prática, os sacramentos (Ceia e Batismo), o credo dos apóstolos, o governo episcopal, a oração do Livro Comum e os 39 artigos da Religião. Thomas Cranmer está entre seus principais teólogos e pensadores. O interessante do Anglicanismo é que ele dá a liberdade aos reverendos de posicionarem-se sem represálias, exemplo: Se a Igreja anglicana é cessacionista e o reverendo se diz ser continuísta, isso não constitui problema para a denominação.

Arminianismo: Calvinismo e Arminianismo são estritamente falando uma cosmovisão soteriológica, pois dizem respeito à origem e ao desenvolvimento da Salvação humana. O Arminianismo desenvolveu-se após a morte de João Calvino e opunha-se a Predestinação Pessoal e Eleição Incondicional ensinada por teólogos calvinistas como Beza. Arminius que era teólogo, nunca ensinou abertamente suas doutrinas, mas seus alunos reuniram seus escritos e os publicaram no Sínodo de Dort como os “Cinco Pontos da Remonstrância”. Eles ensinavam que: 1) a Predestinação depende de como o homem corresponde com Deus; 2) Cristo morreu por todos, mas só serão salvos aqueles que creem; 3) Todo ser humana recebe a “Graça preveniente” de Deus que o capacita a aceitar ou rejeitar o Evangelho; 4) Essa Graça pode ser resistida; 5) Mesmo aqueles que o Aceitaram a Cristo, podem vir a cair da Graça e perder-se eternamente.

Calvinismo: Ensino que erroneamente recebeu o nome de Joao Calvino por ser ele seu principal expoente no séc. XVI, que no entanto, remonta até o ensino Bíblico, perpassando por  Calvino, Teodoro Beza, Spurgeon,  George Whitefield, John Bunyan,  Jonh Piper, Augustus Nicodemus, Hernandes Dias Lopes, Paulo Anglada, Jonh Owen, Jonathan Edwards e tantos outros, inclusive este que vos escreve. O calvinismo também é conhecido como as “Doutrinas da Graça”. Seus ensinos soteriológicos são resumidos no acróstico inglês TULIP que são como segue:

Total depravação (T) – O homem está espiritualmente morto nos seus delitos e pecados, totalmente incapaz de fazer o bem, cego para as coisas de Deus, é filho da Ira, é Inimigo de Deus é escravo do pecado é refém do diabo. Por natureza, tudo o que faz é contrário a Lei de Deus, não tem nenhuma inclinação salvífica para ir a Deus.

Eleição Incondicional (U) – Deus desde a eternidade, livre e soberanamente escolheu dentre toda a raça caída, alguns pecadores que lhe aprouve salvar sem consentimento algum por suas obras ou escolhas futuras. E de forma incondicional fez deles ‘seus vasos de misericórdia’.

Expiação Limitada (L) – Cristo morreu por todos aqueles que Deus decidiu salvar na mais remota eternidade, estes que são os Eleitos, compõem seu povo, sua Igreja. De fato, há redenção possível para todos os homens, mas só a redenção eficaz para os quais Deus Pai elegeu e Cristo Jesus redimiu na  Cruz.

Graça Irresistível (I) – Aqueles que o Pai elegeu na eternidade, que Cristo redimiu na cruz, serão no tempo oportuno atraídos pelo Espírito Santo que lhes aplica eficazmente a obra expiatória de Cristo. Eles podem inicialmente apresentar resistência, mas a operação do Espírito supera toda resistência e no fim, os eleitos serão convencidos pelo Espírito pela pregação do Evangelho e sem terem sua vontade violada virão de modo irresistível a Cristo Jesus.

Perseverança (de Deus) nos Santos (P) – Aqueles que o Pai elegeu, o Filho redimiu e o Espírito selou não poderão cair total nem definitivamente do estado de graça, Deus os guardará e os levará a seu reino celestial.

Pentecostalismo: Movimento surgido nos Estados Unidos com estrita ligação com as Igrejas Holiness (que priorizavam a Santidade na vida), inicialmente com Charles Parham e seus alunos do Instituto Bíblico em Topeka em 1900 de onde ficou marcado distintivamente pela glossolalia (falar em línguas). Suas raízes são nitidamente arminianas, entre seus maiores expoentes conhecidos encontra-se Charles Finney, que, diga-se de passagem, em sua Teologia Sistemática declarou-se pelagiano abertamente. Phoebe Palmer, que era evangelista, também desempenhou um papel importante na difusão do Pentecostalismo. 

Outro Arminiano bastante conhecido é John Wesley, que anteriormente fora ministro anglicano e fundou o Movimento Metodista.  Hoje, a maioria das denominações protestantes são arminianas. Suas principais doutrinas são: A atualidade do batismo do Espírito Santo como segunda benção e os dons espirituais, curas divinas, a iminente volta de Cristo, sua escatologia é dispensacionalista.  Hoje, há muitos reformados que se declaram pentecostais reformados, dentre esses conta-se o Bispo Walter McAlister, Bispo Primaz das Igrejas Cristãs Nova Vida, homem que admiro e considero.

6.    Uma obra perseguida

A perseguição é um dos sinais mais seguros da autenticidade do nosso cristianismo. (Benjamin E. Fernando)

De fato, todos os que desejam viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos (Paulo, apóstolo)

Como toda obra que origina-se em Deus é perseguida, tal aconteceu também com a Reforma Protestante. Podemos destacar três áreas nas quais a Reforma foi perseguida:

- Internamente: Profetas de Zwickau e seu desprezo pela Bíblia (Entusiastas)
- Externamente: Papado e Inacio de Loyola e a Companhia de Jesus
- Politicamente: Rompimento com Erasmo e os humanistas

Por ora, já que comentamos resumidamente sobre os profetas de Zwickau e sobre Erasmo e os humanistas, detenhamo-nos agora à Companhia de Jesus também conhecida como Jesuítas.

 “Fundada por Inacio de Loyola, essa ordem monástica reconhecida pelo Vaticano em 1540. A obra missionária tem sido o maior alvo dos jesuítas. Após o seu estabelecimento foram usados também para combater o protestantismo (através da Inquisição) e foram eles os pioneiros nas missões transculturais (no sentido hodierno) e seu teólogo oficial é Tomás de Aquino”.

A vida de Loyola assemelha-se muito a de Lutero, seus conflitos pessoais, seu desejo reformador, seu apreço pela Teologia, Seu zelo evangelístico. A Contra-Reforma estabeleceu o concílio de Trento para rechaçar as doutrinas protestantes e contou com a Companhia para difundir esses ensinos e matar os dissidentes e hereges.  Podemos contar entre essas chacinas a noite de São Bartolomeu, o Índex e tantas outras coisas.

7.    Uma obra imperfeita

De inicio dissemos que a Reforma foi uma obra de Deus e isso é totalmente claro. Todavia, a Reforma foi também uma obra humana e como tal, tendo homens na liderança foi uma obra falha como todos os homens são falhos. Queremos relatar aqui alguns eventos que mostram a falibilidade da Reforma

è  Nova Jerusalém em Münster

Com o movimento anabatista anunciava-se a iminência do dia do Senhor Jesus e cria-se que a Nova Jerusalém seria estabelecida nas cidades celeiros onde a Reforma havia triunfado. A primeira dessas cidades foi Estrasburgo. Então alguém disse que na realidade a Nova Jerusalém seria estabelecida, não em Estrasburgo, mas sim em Münster. Cidade onde os católicos e protestantes viviam pacificamente incialmente. No entanto os anabatistas radicais expulsaram o bispo que acabou sitiando a ‘Nova Jerusalém’ deixando-a sem alimentos. Devido à guerra constante e o êxodo de muitos homens, a população feminina da cidade era muito maior que a masculina, e João de Leiden decretou a poligamia, usada pelos patriarcas do Antigo Testamento.

É interessante notar que já no século XVI havia alguns que defenderam erroneamente o local do estabelecimento do Reino tal qual fizeram Ellen G White e Charles T Russel, principal profetisa do movimento Adventistas do sétimo dia e um dos principais líderes dos Testemunhas de Jeová, note que tanto os Adventistas quanto as Testemunhas surgiram de um mesmo grupo evangélico e ao mesmo tempo e tem doutrinas muito semelhantes. O episódio com os anabatistas revolucionários serve para prevenir-nos com os excessos escatológicos. Excessos esses que os Adventistas e as Testemunhas fizeram. As Testemunhas foram por duas vezes frustradas com sua profecia e agora dizem que Cristo veio  invisível e secretamente  em 1914.

è Falibilidade dos líderes: Lutero e Calvino bebiam e Lutero aconselhou bigamia

Para espanto de muitos protestantes, Lutero e Calvino eram bons consumidores de cerveja. Há inclusive uma cerveja que se chama Calvinus em homenagem ao Reformador. Lutero inclusive disse que durante a Reforma ele bebia cerveja e a Palavra fazia tudo. Diga-se de passagem, que beber uma cerveja não é pecado, o pecado é embriagar-se e deixar-se ser vencido pelo alcoolismo. A maioria dos protestantes não bebem para não escandalizar os mais fracos na consciência e por ser mal visto nos círculos mais radicais. Mas a Escritura até estimula o uso de Vinho. Tanto para medicamento (1 Timóteo 5:23) como meio de relaxamento (Provérbios 31:6,7). Nosso Senhor mesmo bebeu vinho (Lucas 7:33,34). Inclusive, Spurgeon, príncipe dos pregadores, durante certo tempo de seu ministério fumava charuto.

Quanto a questão da Bigamia note que o primeiro golpe que o protestantismo recebeu nesse sentido foi a bigamia de Felipe de Hesse. Este chefe da Liga de Esmalcalda era um homem digno e dedicado à causa protestante, que tinha sem dúvida algumas fortes dores de consciência porque lhe era impossível levar uma vida marital com sua esposa de vários anos e tampouco tinha condições de ser continente. Não se tratava de um libertino,  mas de um homem atormentado por seus apetites sexuais, e pelo remorso que sua satisfação ilícita lhe causava. Felipe pediu conselho aos chefes principais da Reforma, e Lutero, Melanchton e Bucero concordaram em que as Escrituras não proibiam a poligamia, e que Felipe podia tomar uma segunda esposa sem abandonar a primeira, desde que isso não fosse público, pois a lei civil proibia a poligamia. Felipe seguiu o conselho e quando o escândalo surgiu, tanto ele como os teólogos a quem havia consultado se viram numa situação um tanto difícil.

Devemos nos atentar a esse fato simplesmente porque, nós, teólogos podemos ter opiniões divergentes e falhas, pois nem sempre a Escritura é clara em todos os assuntos. Ela é clara no que tange a mensagem de Salvação, mas em outras coisas como a problemática da antinomia teológica ela nem sempre é clara. Por essa razão devemos olhar para a história passada da Igreja e aprender com ela, visto que ela pode ser nossa pedagoga ou coveira, isso só depende de como a tratamos. Aprendemos com esse fato que mesmo entre aqueles que professam a mesma fé, haja disparidades em algumas coisas não essenciais.


Sem contar o fato que Lutero considerava a Epístola de Tiago, uma ‘Epístola de Palha’ porque não tinha nela nada de Evangélica, ele definia um Cânon dentro do Cânon. No entanto, nos seus estudos posteriores, Lutero deixou de chamar a Epístola de Tiago de 'Epístola de Palha'.¹

è A execução de Miguel Serveto

Há aqueles que gostam de mencionar aos reformados que Calvino matou Serveto e assim dizem que o Reformador é falho. Ora, qual o homem que não é falho? No entanto, devemos fazer justiça aos fatos sobre a condenação de Serveto.

Tudo começa quando Calvino decide permanecer em Genebra a pedido de Farel a fim de conduzir a Reforma em Genebra. Porém quando se impôs que se seguissem fielmente os princípios reformadores, muitos dos huguenotes ofereceram resistência a Calvino e ele foi obrigado a ser exilado junto com Farel. No entanto, Genebra solicitou o retorno de Calvino e durante doze anos seguintes houve conflitos entre o consistório (liderança eclesiástica) e o governo da Cidade. Pois o consistório tratava os costumes com uma severidade que nem sempre era do agrado do Governo Genebrino.

Nesse ínterim, foi que começou o processo de Miguel Servetto, que era médico, escritor de vários livros de Teologia e que chegou a equivocada conclusão de que o concílio de Nicéia havia ofendido a Deus com o dogma da Trindade e que a união da Igreja com o Estado constituía numa grande apostasia. Serveto já havia sido condenado por um concílio católico na França e, fugitivo, passando por Genebra foi ouvir Calvino pregar onde foi reconhecido e preso. Os próprios resistentes à causa protestante apoiaram a prisão de Serveto e Calvino consultou os demais países protestantes sobre o que deveria fazer com Serveto e todos concordaram que ele era um herege e deveria ser executado. Calvino prepara então uma lista de 38 acusações contra Serveto e ele é condenado à fogueira, todavia, Calvino, ameniza a execução e o faz ser decapitado o que segundo se diz é uma pena menos dolorosa. Calvino, façamos justiça, foi um homem demasiado rígido, pois expulsou Sebastião Castellón da cidade por interpretar Cântico dos Cânticos como um poema de amor. Mas, se fomos falar que a execução de Serveto mancha de modo irreversível o caráter de Calvino, devíamos também falar que a Inquisição mancha irreversivelmente e de uma proporção maior ainda o caráter da Igreja Romana. Apesar da imperfeição presente na Reforma, não podemos negligenciá-la. Foi uma obra que foi um marco e admiramos a ousadia que Deus deu ao Monge Lutero. Precisamos de outra Reforma.

è  Falsas predições escatológicas dentro do Anabatismo

Já vimos que Münster foi palco de uma falsa profecia sobre a Nova Jerusalém. No entanto, Hans Hut , ex-discípulo de Thomas Münster previu que Cristo retornaria no domingo de Pentecoste de 1528, então ele reuniu 144.000 santos e os selou, batizando-os com o sinal da cruz na testa, como a profecia não se cumpriu, o movimento se dividiu e foi então estabelecido que o Cristo voltaria em 1534 em Estrasburgo, e , novamente a profecia falhou e foi aí que foi dito que Münster sediaria a Nova Jerusalém. Hoffman, outro líder anabatista estava convencido de que era o Elias que restauraria todas as coisas de que Jesus falou, ele, porém ignorava o fato de os escritores inspirados “entenderam que Jesus lhes falava de João Batista”. Depois, outro discípulo de Hoffman declarou ser Enoque. Foram eles que mudaram a ‘Nova Jerusalém’ de Estrasburgo para Münster.

Jan Leyden, um dos discípulos de Hofmann declarou-se “rei de Justiça sobre todos” e legalizou a poligamia no estilo do Antigo Testamento. Sem contar o fato que um de seus antecessores, chamado Jan Mathijs ungiu doze apóstolos, dos quais Jan Leyden era um.

Houve um homem chamado David Joris que se conclamou o Davi escatológico descrito pelos profetas.

A própria data da Reforma, tem sido atacada com o Halloween que é um sincretismo religioso em homenagem aos mortos e aos deuses. A tradição desse fenômeno diz que ele surgiu com o objetivo de aplacar a fúria dos deuses e era comemorado no ultimo dia do ano para os celtas, povo onde se originou tal costume. É válido perceber que Halloween tem um toque demoníaco e sombrio. Que hoje, nossos amigos leitores, possam comemorar a redescoberta do Evangelho em Wittenberg ainda em 1517 e não o Halloween.


Para concluirmos esse artigo gostaria de analisar a relevância que a Reforma tem atualmente, vamos lá:

1.    Estamos vivendo dias semelhantes aos dias da Reforma.

Ao contrário das Indulgencias, hoje há “rosas ungidas, toalhas ungidas, atos proféticos, arca da Aliança” etc. O povo está descontente com os sacerdotes de hoje. Há ‘pastores’ que apoiam o aborto, algo contrário do ensino da Escritura. Precisamos de uma volta urgente aos princípios ensinados pela Reforma. Há a Teologia da Prosperidade em ampla divulgação, a um misticismo exagerado... Recordemo-nos dos princípios norteadores da Reforma...

2.    O protestantismo trouxe muitos avanços
Calvino foi quem estabeleceu a primeira escola pública em Genebra, foi o protestantismo que trouxe a igualdade de direitos entre as pessoas, pois deu valor à vida de deficientes e trouxe ainda liberdade cúltica. Calvino estabeleceu também um hospital público em Genebra.

3.    A Reforma deu acesso à liberdade de pensamento
O Índex proibia a leitura de livros que incitava a pesquisa, no entanto, Os reformadores a estimulavam e quando possível traduziam para o idioma comum do povo.

Que nos alegremos com a Reforma e que continuemos o seu legado! Nos dizeres do pastor e teólogo holandês Gisbertus Voetius (1589-1676) criou mais ou menos em 1618 a frase “Igreja Reformada sempre se reformando”. Que estejamos sempre tendo a mesma disposição de analisar tudo a luz da Escritura como os reformadores faziam.
Deus o abençoe!

* Reformadores Magisteriais seu movimento de reforma foi endossado, aliás oficializado, pelos magistrados, as autoridade civis (GEORGE, TIMOTHY: Teologia dos reformadores / Timothy George ; tradução Gérson Dudus e Valéria Fontana. — São Paulo : Vida Nova, 1993. 344p.

¹ Conforme livro "Mais uma pergunta, Dr Lutero... e também Conversas com Lutero".