sábado, 25 de janeiro de 2014

História da Igreja - 1ª Parte: A Igreja Apostólica

O QUE É HISTÓRIA?

A palavra “história”, de origem grega, vem de histor aquele que sabe, que conhece, conhecedor da lei, juiz. Pode ser definida como narração metódica dos principais fatos ocorridos na vida dos povos, em particular, e na vida da humanidade em geral.O termo foi cunhado por Heródoto (484 – 425 AC) e tinha as seguintes conotações: informação, relatório, exposição.

A história por razão didática tem sido dividida em quatro períodos. A divisão clássica é:

1)  Idade Antiga – De 4000 AC até 476 DC – Começa com a Escrita e termina com a queda de Roma.

 2) Idade Média – Começa com a queda de Roma e termina com a Queda de Constantinopla, abarca o período de 476 a 1453 DC.

3) Idade Moderna – Inicia com a queda de Constantinopla e termina com a Revolução Francesa, abarca o período de 1453 a 1789.

 4) Idade Contemporânea – Inicia-se em 1789 e estende-se até os nossos dias.

Há várias razões para o cristão interessar-se pela História, Geral e Eclesiástica:

1) O Deus judaico-cristão é o Deus da História;

2) A bíblia, pilastra normativa de crença, doutrina e vivência dos cristãos é a junção da revelação de Deus na História;

3)  O próprio dado religioso se constrói na História, em meio aos fenômenos políticos, sociais e econômicos;

4) Existe também na Teologia Disciplinar, uma Teologia Histórica.

Teologia Histórica procurar entender como a igreja interpretou a Escritura e desenvolveu suas doutrinas desde os apóstolos até o presente.

A História da Igreja se divide em seis períodos gerais:

1) A Igreja Apostólica – Da Ascensão de Cristo a Morte de  João, apóstolo.
2)A Igreja Perseguida – Da morte de João ao Edito de Constantino.
3) A Igreja Imperial – Do Edito de Constantino à queda de Roma.
4) A Igreja Medieval – Da queda de Roma à queda de Constantinopla.
 5) A Igreja Reformada – Da queda de Constantinopla à fim da Guerra dos trinta anos.
6) A Igreja Moderna -  Do fim da Guerra dos trinta anos ao século XX.

 Para começarmos nosso estudo da História da Igreja, faremos agora um passeio sintético pelo Novo Testamento:

Período Interbíblico: O pano de Fundo do Novo Testamento

Ao falarmos de Novo Testamento, temos de nos lembrar como Deus providenciou meios para a maior expansão do Evangelho já no período interbíblico (meados de 400 AC até 5 AC aproximadamente).
O período Interbíblico foi um período bastante produtivo; nesse tempo, ocorreu a produção dos livros apócrifos, a tradução da LXX, helenização de todo o mundo conhecido, a oficialização do idioma grego, a vitória dos Macabeus sobre Antíoco Epifanes e assunção do governo Romano. Jesus Cristo nasce nesse contexto, na plenitude dos tempos.

Uma Síntese do Novo Testamento: O Prelúdio da Igreja

As informações iniciais sobre a Igreja estão registradas no Novo Testamento, especialmente em atos dos apóstolos. O Novo Testamento foi escrito em cinqüenta anos começando sua narrativa com os prenúncios dos nascimentos de João Batista e Jesus Cristo, respectivamente e culminando com a volta de Jesus Cristo em Glória.  

O Novo Testamento tem oito autores (nove, se consideramos hebreus de autoria desconhecida):

Apóstolos – Mateus, João, Pedro, Paulo.
Companheiros dos apóstolos – Lucas e Marcos
Irmãos do Senhor – Tiago e Judas

O Novo Testamento tem 27 livros respectivamente:

* Evangelhos: Mateus, Marcos e Lucas e João.
* Histórico: Atos dos Apóstolos
* Epístolas: Romanos a Judas
* Profético: Apocalipse

A IGREJA APOSTÓLICA – ANO 30 A 100 DC.
O nascimento na Igreja

Quanto ao nascimento da Igreja há muita divergência quanto a data. Os adeptos da teologia federal afirmam a igreja ser o Israel de Deus, quanto aos demais, afirmam eles que a Igreja nasceu no pentecostes no ano 30 EC.

A Igreja teve inicio na cidade de Jerusalém, evidentemente nos primeiros anos a atividade da igreja limitava-se aquela cidade e arredores. Aramis C de Barros diz que durante os vinte primeiros anos a igreja era composta apenas por judeus. Naquela época a igreja se reunia coletivamente no Cenáculo e no Pórtico de Salomão.

a.      Membros

Originariamente eram todos judeus, divididos em três classes distintas:

1.      Hebreus (Atos 6:1; 21:40) – Aqueles cujos antepassados habitavam a Palestina, eram eles os verdadeiros israelitas. Falavam em Hebraico.

2.      Helenistas (Atos 2:9-11; 6:9) Judeus da Dispersão, isto é que habitavam em terra estrangeira e falavam grego; fora da Palestina era o povo mais numeroso, rico, culto e liberal

3.      Prosélitos (Atos 6:5) – Pessoas não judaicas que renunciavam ao paganismo, aceitavam a Lei judaica sendo circuncidados. Não devem ser confundidos com os “Devotos, tementes a Deus”, pois, estes em contraposição àqueles não eram circuncidados e não observavam as minúcias da Lei.

b.  Forma de Governo

A forma de governo da Igreja Primitiva parece ser Representativo, exercido pelos presbíteros da Igreja, conforme se vê em Atos 15 e outras passagens da Escritura.
  
A EXPANSÃO DA IGREJA: Perseguições chegaram

Jesus deu um esboço para a Igreja em Atos 1:8 e o livro de atos mostra seu cabal cumprimento:

Jerusalém e Judéia:  Atuação da Igreja durante 20 anos e palco de Atos 1 a 7
Samaria: Evangelismo narrado em Atos 8 a 12
Confins da Terra: Evangelismo narrado de atos 13 – 28

Na noite de 18 de Julho de 64, o imperador Nero ateou fogo em dez bairros de Roma, incêndio esse que durou seis dias e sete noites e responsabilizou os judeus e cristãos por tal atrocidade, começando aí uma cruel perseguição à Igreja, no meio dessa perseguição, os apóstolos Paulo e Pedro são mortos. Tiago, Filho de Zebedeu já havia sido decapitado em 44 DC.  Paulo morre decapitado, Pedro morre crucificado.

No ano 70, Vespasiano cercou Jerusalém, matou bastante pessoas, a tal ponto de faltar madeira para crucificar pessoas. No mesmo ano, Vespasiano inaugura o coliseu romano e mais de dez mil pessoas foram mortas em cem dias.


No ano de 81, Domiciano acende ao governo e mata sua esposa Flávia Domicila e seu parente Flávio Clemente por serem cristãos. É conhecido como “Segundo Nero” por sua crueldade. É nesse tempo que o apóstolo João é desterrado à ilha de Patmos e recebe a revelação do Apocalipse em cerca de 96 EC, João morre em Éfeso, conforme tradição, aos cem anos de idade, por motivos naturais. Aqui encerra-se, de modo muito sucinto a história da igreja primitiva, a igreja apostólica.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Ponham à prova todas as coisas e fiquem com o que é bom - I Tessalonicenses 5:21

Uma das coisas que se percebe na História da Igreja é a diversidade de interpretações, mesmo pessoas contemporâneas tinham opiniões divergentes sobre o mesmo assunto, texto bíblico. Por exemplo, Zuinglio e Lutero tinham a mesma hermenêutica, mas divergiam seriamente nas questões da Ceia do Senhor. Um achava que a ceia era ao mesmo tempo pão e corpo do Senhor, o vinho era vinho e ao mesmo tempo sangue do Senhor, ao passo que outro pensava que o pão e o vinho eram apenas símbolos do corpo e do sangue do Senhor, um memorial.

Essa liberdade de interpretação veio em parte do princípio que os reformadores sustentavam: Todo cristão é livre para interpretar as Escrituras, sem depender do aval de Roma. Nessa época, os comentários romanos eram mais importantes que o texto da Escritura. A Igreja Romana sustentava que ela era a “mãe” das Escrituras e da tradição. Ao passo que os reformadores sustentavam que a Escritura era a regra normativa, autoritativa para a Igreja.

O Princípio bíblico básico aqui é aquele que o apóstolo Paulo dá em I Tessalonicenses 5:21 – “ponham à prova todas as coisas e fiquem com o que é bom”.

Dito isso é necessário esclarecer algumas coisas:

1.      Ao congregar numa denominação cristã, professamos concordar com todos os dogmas e doutrinas ali ensinados;

Não vamos sair por aí revoltosos com os pastores devido a nossa teologia, pois está implícito que concordamos com os seus ensinamentos. Porém, se não concorda com a sã doutrina, procuramos sair em paz.

2.      Não precisamos concordar com tudo o que os teólogos modernos dizem;

Cito meu exemplo:

 Quanto a soteriologia sou calvinista – Creio que a salvação começa e termina somente em Deus e por sua causa e glória.

Quanto a Pneumatologia sou Cessacionista– Creio que os dons sobrenaturais do Espírito Santo não estão em vigência hoje e creio ser o batismo do Espírito uma experiência  que todos os crentes recebem na conversão. Ainda que precisemos ser continuamente enchidos pelo mesmo Espírito. O Cessacionista crê nos dons do Espírito, só não reconhece como em vigência os dons miraculosos (profecia, línguas, cura)

Quanto a Escatologia sou Aliancista – Creio que Deus tem um plano único para Israel e para a Igreja. De sorte que na Igreja, todas as profecias que Deus deu a Israel se cumprem.

 Quanto a Eclesiologia concordo com o governo presbiteriano(adotado por exemplo na Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB) –  O governo presbiteriano serviu e serve de inspirações a vários regimes democráticos ao redor do mundo, principalmente no que diz respeito às esferas de poder. A forma de governo consiste numa ordem crescente de conselhos. O menor de todos os conselhos é o Conselho da Igreja Local, formado pelos ministros docentes (pastores) e pelos ministros leigos (presbíteros). Acima dos conselhos locais se encontram os Presbitérios, formados por presbíteros representantes de cada igreja de sua área de abrangência. Envolvendo os Presbitérios e formado por representantes dos mesmos, está o Sínodo, de autoridade máxima em sua circunscrição. Como estância máxima de apelação e decisões sobre a igreja está a Assembléia Geral ou Supremo Concílio, que toma todas as decisões sobre a Igreja e trata dos assuntos externos, ficando a cargo de exercer poder jurídico sobre decisões tomadas por conselhos inferiores.

Quanto a Exegese e hermenêutica – Prefiro o método gramático-histórico de Interpretação. Não sou liberal, nesse sentido sou “fundamentalista histórico” (hehehe)

É impossível ser teólogo sem um sistema de teologia pré-definido. É como o Rev. Augustus diz: Todo intérprete tem um óculos pelo qual interpreta as escrituras, se os óculos desse intérprete for amarelo, ele enxergará tudo amarelo, então, nossa teologia determinará a nossa interpretação.


Concluo esse pequeno escrito recitando o conselho de Paulo: ponham à prova todas as coisas e fiquem com o que é bom. Analise tudo  e fique com o que é mais bíblico.