sábado, 29 de março de 2014

História da Igreja: A Igreja Reformada

Esse quinto período que trata da Igreja Reformada começa com a queda de Constantinopla em 1453 dC e termina em 1648 dC com o final da guerra dos trinta anos. Esses cento e noventa e cinco anos abrangem vários acontecimentos tais como Influências que conduziram à reforma, a origem do termo protestante, a origem das denominações dentre outras coisas. Começando nosso estudo sobre a Igreja reformada falaremos então sobre
  1. AS INFLUÊNCIAS QUE CONDUZIRAM À REFORMA
Jesse L Hurlbut em seu livro "História da Igreja Cristã" diz que foram três essas influências:

  • A Renascença 
A Renascença foi o despertar da Europa para um novo interesse para literatura, pelas artes, pela ciência, um retorno à leitura dos Clássicos, das Línguas Originais da Bíblia de forma independente da Igreja. Nessa época, tudo aqui listado estava debaixo da Hegemonia da Igreja Católica. A Interpretação correta da Bíblia era aquela que a Igreja dizia ser a correta, a ciência correta era aquela que a Igreja dizia ser correta. Aqui existia forte cesaropapismo. A renascença veio romper com tudo isso, a liderança da renascença não centrava-se nos sacerdotes, mas nos leigos a renascença não era um movimento anti-religioso, mas tinha um forte caráter cético. Os próprios papas dessa época eram homens caracterizados mais pela cultura do que pela fé. A renascença acontece principalmente na Itália no séc. XV.

A renascença tocou cinco áreas principais:

▬ Economia

Nessa época, era virtuoso ser pobre, existia inclusive, ordens monásticas como a ordem dos franciscanos que os pregadores vivam das esmolas que recebiam. Porém, a essa altura surge a burguesia, acontece a descoberta de novos países, abrindo assim, caminho para a ruptura do governo de Roma sobre a Economia.

▬ Artes

Tudo o que era belo o era, porque era visto debaixo das lentes da Igreja Romana, porém a essa altura, Michelangelo, Leonardo Da Vinci quebraram a hegemonia da Igreja pintando Davi, Moisés, retratando a beleza do corpo como fora criado por Deus, sem o aval da Igreja.

▬ Ciência

A Igreja Romana advogava que o Sistema era Geocêntrico, ou seja, que tudo girava em torno da Terra; a terra era o centro de Tudo. Quem questionasse esse ponto de vista era perseguido como herege. No entanto Copérnico lança a teoria correta de que o Universo é na verdade Heliocêntrico, ou seja, o sistema é solar. Tudo gravitava em torno do Sol. Sendo amplamente perseguido pela Igreja Romana retratou-se. Porém, seu discípulo, Galileu Galilei sustenta essa posição, sofre também intensa perseguição e em meio a tanta agitação, João Calvino toma o partido de Galileu Galilei. Hoje, inclusive, sabemos que o Sol é uma das menores estrelas do amplo Universo.

▬ Política

Como já dissemos, a essa altura reinava soberano o cesaropapismo. Cesaropapismo é a interferência da Igreja nos negócios do Estado é a inter-dependência entre ambos. Os imperadores, reis eram sujeitos ao papa e suas bulas e decretos. Sendo que a Escritura mostra-nos dois polos distintos: A Igreja e o Estado e não a Igreja Estado e nem o Estado-Igreja. Por esse tempo Maquiavel escreve sua obra "O Príncipe" no qual ele defende justamente esse ponto de vista.

▬ Religião

Antes da Reforma o que importava não era o texto da Escritura mas as anotações de rodapé diz-nos Hernandes Dias Lopes em "Panorama da História Cristã". Vivemos dias semelhantes, vale mais as palavras dos apóstolos neopentecostais, dos profetas itinerantes, do que a Santa Escritura. Foi em virtude disso que os reformadores conclamaram "Sola Scriptura, Tota Scriptura". Isto é, Somente a Escritura e toda a Escritura deve ser a norma de vida regra dos cristãos e não os decretos e bulas papais." Isso deve ser resgatado hoje, não os decretos dos apóstolos neopentecostais, não as profecias dos profetas itinerantes, mas Somente a Escritura e Toda a Escritura. Oséias é mais que atual: "O meu povo perece por falta de Conhecimento", Mateus assevera: "Vocês erram por não conhecerem as Escrituras", João conclui: "E conhecerão a verdade e a verdade os libertará".

Havia um descontentamento geral devido a corrupção do clero, as ambições da alta hierarquia, as religiões supersticiosas e ignorante das massas e o relacionamento questionável com o Estado.


  •    A Invenção da Imprensa de Johannes Guttenberg


Essa descoberta deu-se em 1456 em Mongúcia no Reno e consistia em imprimir livros em tipos móveis, fazendo-os circular  facilmente aos milhares. Antes da invenção da imprensa os livros eram copiados à mão e uma Bíblia custava o salário de um ano de operário. É significativo o fato que o primeiro livro impresso por Johannes Guttenberg foi uma Bíblia, expressando assim o intenso desejo da época pela Palavra do Senhor. Essa descoberta possibilitou a rápida expansão da Escritura e dos escritos dos reformadores. Além disso, incentivou a tradução e divulgação da Sagrada Escritura.


  • O espírito nacionalista


Lembremo-nos de que o Papa era quem constituía e depunha os bispos, abades e dignatários da Igreja, entretanto, esse papa vivia num país distante e provavelmente desconhecia a realidade dos povos. Esse tipo de comportamento levou à ascensão do espírito nacionalistas, que mais tarde deu origem às Igrejas Independentes ou Nacionais.

2. AS ORIGENS TEOLÓGICAS DA REFORMA PROTESTANTE:

Tudo começou em razão da construção da Basílica de São Pedro em Roma. O papa reinante Leão X para concluir a Basílica, permitiu que um enviado seu chamado João Tetzel percorresse toda a Alemanha vendendo indulgências e bulas papais que diziam conceder perdão aos que as compravam; não só aos possuidores das bulas, mas aos amigos mortos ou vivos, desde que estas fossem compradas em nome daqueles. O perdão era imediato, sem necessidade de absolvição ou confissão ao sacerdote.

Tetzel fazia essa afirmação ao povo: "Tão depressa o vosso dinheiro caia no cofre, a alma de vossos amigos subirá do purgatório ao céu.".

Lutero então começa sua reforma pregando contra Tetzel e suas heresias e no dia 31 de outubro  de 1517 ele afixa na porta da Igreja de Wittenberg suas 95 teses em oposição ao ensino católico romano da época. Fato significativo é que Lutero o fez na véspera do feriado de todos os santos, pois como monge que era, sabia que todos as pessoas viriam a Igreja no dia de todos os santos e então leriam suas teses de objeção a Roma.

A partir de então, traça-se três princípios comuns a todos os protestantes: Sola Scriptura, Sola Fide et gratia e o sacerdócio de todos os Crentes.

Sola Scriptura - Somente a Escritura é o padrão de vida dos cristãos e não o Papa. Tal façanha é digna de nota, pois em 1521, Lutero foi convocado em uma Dieta (reunião da Corte Imperial) para retratar-se de suas posições teológicas sob pena de morte e ele disse: "A menos que vocês me convençam pelas Escrituras que eu estou errado, eu não posso me retratar, pois não é justo e nem correto um homem agir contra a sua consciência, que Deus me ajude, amém". O próprio Lutero já disse: "Minha consciência é cativa à Palavra de Deus".

Eis o que diz o artigo V da Confissão de Fé da Igreja Reformada da França adotada em 1559: " Não é lícito aos homens, nem mesmo aos anjos, fazer nas Santas Escrituras qualquer acréscimo, diminuição ou mudança.  Por conseguinte, nem a antiguidade, nem os costumes, nem a multidão, nem a sabedoria humana,nem pensamentos,  nem sentenças, nem editos, nem decretos, nem concílios, nem visões, nem milagres devem contrapor-se a estas santas escrituras; mas, ao contrário, é por elas que todas as coisas se devem examinar, regular e reformar".

Sola Fide et Gratia (Somente a Graça mediante a Fé) fazia frente direta à venda de indulgências que Tetzel pregava... Lutero baseado unicamente na Escritura descobriu que o Justo vive pela Fé e que a justificação forense que daí decorre é obra exclusiva da obra redentora de Cristo na Cruz. Isso significa que não é por obras, mas pela fé, fé que não é nossa é dom Deus (Efésios 2:8,9). Não são indulgências é o precioso sangue do Cordeiro de Deus que compra e traz nossa salvação.

Sacerdócio de todos os crentes - Já dissemos que havia uma insatisfação com a corrupção do Clero. O Clero é conhecido na Escritura como Nicolaítas (Nicolaíta = Aqueles que dominam o povo). E o povo na ânsia do seu espírito nacionalista queria leis iguais aos sacerdotes e leigos e a reforma trouxe o princípio bíblico que a Igreja é nação santa, reino sacerdotal de Deus (1 Pedro 2:9) de que Jesus fez-nos sacerdotes para o seu Pai (Apocalipse 1:6), que toda a Igreja é sacerdotal (Êxodo 19:6).

3. A ORIGEM DO NOME 'PROTESTANTE'

Com a reforma de Lutero, toda Alemanha estava dividida entre adeptos de Lutero e adeptos de Roma, essa divisão deu-se entre Sul (Adeptos de Roma) e Norte (Adeptos de Lutero) da Alemanha.  Em 1529, com o objetivo de dirimir disputas, reuniu-se uma Dieta de maioria católica que condenou os ensinos luteranos e estabeleceu que o luteranismo era proibido onde predominava o catolicismo, entretanto, determinaram que onde predominava o luteranismo, o catolicismo poderiam exercer livremente sua religião. Os príncipes 'luteranos' protestaram contra essa lei injusta e daí por diante ficaram conhecidos como Protestantes.

4. A ORIGEM DAS DENOMINAÇÕES: OS LÍDERES DO MOVIMENTO REFORMADO E ALGUMAS DIVERGÊNCIAS

Nesta nossa lista, incluiremos os reformadores de várias gerações desde a primeira com Lutero e Zuinglio dentre outros...

Os princípios da Reforma alastraram pelo mundo todo, na Suíça com Zuínglio surgiu um movimento com os mesmos ideais de Lutero, porém independente deste. Na França Jacques Lefevre foi o responsável pela supervisão da Igreja Reformada. Nos países baixos a reforma estava sob a supervisão de Guilherme Taciturno. Na Inglaterra a reforma estava na supervisão de Cranmer, Tyndale foi na Inglaterra que surgiu a Igreja Anglicana. Na Escócia sob a supervisão de Jonh Knox, o pai do presbiterianismo. Outros líderes proeminentes da Linha Reformada são Martin Bucer e Henrique Bullinger. Em Genebra ' a mais perfeita escola de Cristo desde os apóstolos' a reforma estava sob a supervisão e direção de Calvino.

Depois da reforma houveram distintas interpretações uma vez que cada cristão é livre para estudar a Escritura. E dessa liberdade resultaram os reformadores magisteriais (luteranos, reformados anglicanos), que no começo estiveram estáveis, porém, nos anos seguintes viram surgir ramificações devido essa liberdade de pensamento oriunda dos reformadores, o luteranismo viu surgiu o pietismo, os anglicanos viram surgir os batistas, metodistas e puritanos,  os reformados viram surgir os calvinistas e arminianos, zuinglianos. Depois dos puritanos, surgiram os pentecostais, os neopentecostais. Na Igreja Católica acontece o mesmo: Igreja Católica Apostólica Romana, Igreja Católica Carismática, Ecumenismo etc... Na Igreja Reformada surgiram ainda os anabatistas... O que contribuiu para que hoje houvesse tantas denominações protestantes, cabe ressaltar que o pensamentos dos reformadores nunca foi de dividir o corpo, sequer sair da Igreja Católica, o pensamento deles era que a Igreja Católica continuasse sendo una e voltasse aos padrões Neo-Testamentários, não sendo possível, eclodiu a reforma protestante.

A Teologia Reformada é uma cosmovisão completa e não se limita apenas ao acróstico tulip, que se refere a doutrina da salvação na ótica reformada: Total depravação, Eleição Incondicional, Expiação Limitada, Graça Irresistível, Perseverança dos Santos. É todo uma visão de mundo..

5. CONTRIBUIÇÕES DAS RAMIFICAÇÕES DA REFORMA:

1. Pietismo; A reforma deixou de ser apenas intelectual e passou a cuidar também das emoções, os reformadores preocuparam-se muito com o intelecto e esqueceram as emoções. Seu lado negativo é que priorizou as emoções tendendo ao misticismo tão presente na igreja atual.

2. Anabatista:  Ensinaram que a fé é individual e a responsabilidade de cada um. Portanto, uma criança sendo batizada pela fé dos pais não lhe garante a salvação. Seu legado negativo é que enfatizou bastante o sinergismo.

3. Pentecostais: Deram uma revitalizada na doutrina do Espírito Santo; o que fez com que a Teologia reformada tratasse desse assunto mais diretamente, pois quando se falava do Espírito Santo estava dentro da Cristologia Reformada. Legado negativo é que abriu caminho para o misticismo neo-pentecostais e pouco preparo teológico, ao enfatizar os dons miraculosos do Espírito, no entanto, hoje essa situação tem-se transformado, pela bondade de Deus e eles tem tido, piedade e ortodoxia, unção e conhecimento.

4. Os Puritanos: A Ênfase dos puritanos era de uma igreja como nome sugere 'pura', nos moldes do Novo Testamento. Queira Deus que nossa geração seja mais puritana!

CONCLUSÃO:

Nós devemos ter como lema: Igreja Reformada, sempre se reformando de Gisbertius Voetius, o que implica que precisamos sempre nos recordar dos pilares da reforma: Somente Cristo (Solo Christus), Somente a Fé (Sola Fide), Somente a Graça (Sola Gratia), Somente a Escritura (Sola Scriptura) e Somente a Deus a Glória (Soli Deo Gloria). Estejamos atentos ao Padrão da Reforma que foi nada mais do que o retorno à pregação bíblica, apostólica e pôs o púlpito de volta a centralidade da Igreja. Sejamos cristãos reformados que estão sempre se reformando, ou seja, lembrando-se e valendo-se dos princípios da Reforma.

sábado, 22 de março de 2014

A IGREJA MEDIEVAL E OS PRÉ REFORMADORES

Idade Média foi um termo depreciativo criado por autores do Renascimento visando subestimar o longo período , tido como monótono e estagnado, situado entre a antiguidade clássica e o período em que viviam. A primeira e a segunda metade da Idade Média foram diferentes em vários aspectos. Esse período abrange da queda de Roma (476) até a queda de Constantinopla (1453).

Nos primeiros séculos  denominado de "Idade das Trevas, o antigo império romano ocidental foi substituído pelo império dos francos - O Sacro Império Romano - cujo monarca mais notável foi Carlos Magno. As Igrejas Ocidental e Oriental ainda mantiveram alguns laços de comunhão e entendimento. A atividade cultural era limitada aos mosteiros e houve menos dinamismo na área teológica.  Foi nesse tempo que surgiu o Islamismo.

Após o ano 1000, ocorreram várias reformas administrativas importantes na Igreja, um enorme fortalecimento do papado e grandes conflitos com o poder civil. Além do Sacro Império (agora Germânico) surgiram grandes reinos como França, Inglaterra e Espanha. Consumou-se definitivamente as rupturas entre a Igreja Ortodoxa e a Igreja Católica. A Teologia experimentou uma grande revitalização por meio da Escolástica.

Foi nesse tempo, que houve a preparação para a Reforma em meados do século XV na Itália com a Renascença. A Renascença foi um movimento que tirou da tutela de Roma as economias, as artes, a ciência, a política e a religião. Nessa época o povo voltou-se para a leitura dos clássicos, inclusive, o Novo Testamento no original (grego) e descobriu quantas distorções haviam adentrado no cristianismo. Nessa época também, Johannes Guttenberg inventou a imprensa (1540), o que  muito auxiliou na distribuição da Sagrada Escritura e outras obras escritas pelos reformadores.

Para citar apenas uma dessas distorções, na área científica, quando  Copérnico declarou que o sistema era Heliocêntrico, a Igreja Católica refutou como heresia essa afirmação, ao passo que os reformadores, (especialmente João Calvino) ficou do lado de Copérnico e Galileu.

Essas distorções na Área Teológica, chegaram ao seu apogeu quando o texto do rodapé era mais importante que o texto da Escritura. Foi nesse tempo que surgiram as cruzadas, as ordens monásticas, as universidades.

Esse é o contexto histórico e conturbado em que viviam os pré-reformadores e alguns estudiosos de renome. Alguns pré-reformadores tais como os Albigenses, os Valdenses, Jonh Wycliffe, Jonh Huss, Jerônimo Savonarola, Anselmo, Abelardo, Bernardo de Claraval (importante teólogo católico) e Tomás de Aquino (outro importante teólogo católico e um doutor nas ciências, bastante citado inclusive no Direito). 

Como o tempo e o espaço são demasiadamente escassos concentraremos nossa atenção aos pré-reformadores, cientes que estamos omitindo vasto conteúdo como o papado de Gregório I, o Escolasticismo, a vida de Occam entre outras coisas, que se Deus quiser e permitir abordaremos em outro estudo, pois bem, concentremo-nos nos pré-reformadores:

Albigenses (1170)

Também conhecidos como cátaros, conseguiram proeminência no sul da França.  Rejeitavam a autoridade da Tradição, opunham-se a doutrinas romanas como purgatório, adoração de imagens, e pretensões sacerdotais. Tinham alguns desvios teológicos graves, é verdade, tais como rejeição do Antigo Testamento, por essa razão, distribuíam ao povo somente o Novo Testamento. O papa Inocêncio III, mobilizou contra eles uma "cruzada" que gerou no extermínio dos albigenses. Não somente eles, mas também quase toda população, tanto católica, quanto a população considerada herética.

Valdenses (1170)

Tiveram como mentor um homem chamado Pedro Valdo, um comerciante de Lyon que lia, explicava e distribuía as Escrituras, com as quais contestava os costumes e doutrinas dos católicos romanos. Pedro Valdo fundou uma ordem de evangelistas itinerantes conhecida como os "pobres de Lyon" que viajavam pelo centro e sul da França ganhando adeptos. Foram perseguidos, expulsos da França, contudo encontraram abrigo nos vales do norte da Itália e hoje constituem parte do pequeno grupo de protestantes  na Itália.

 João Wycliff (Wycliffe) 1329 - 1384:

Nascido no século XIV, filho de camponeses, tornou-se a estrela da alva da Reforma. Viveu na época do "Cativeiro Babilônico" do papado. Era erudito, mestre famoso na Universidade de Oxford, polemista demolidor e pregador ungido. Combateu várias doutrinas católicas como clericalismo, transubstanciação, papado. Iniciou a primeira tradução bíblica para o Inglês. Foi duramente perseguido. Foi o mentor dos Lolardos.

João Huss (1369 - 1415):

Nascido na Boêmia, leitor assíduo dos escritos de Wycliff, reitor da Universidade de Praga. Pregou as mesmas doutrinas que Wycliff e foi excomungado pelo papa. Nesse interregno, continuou escrevendo cartas confirmando suas idéias. Ao fim de dois anos recebeu a proposta de ir ao Concílio de Constança com um salvo-conduto, porém o salvo-conduto não foi respeitado e Huss foi queimado em 1415. No seu martírio, Huss disse: "Hoje vocês estão matando um ganso (na língua Materna de Huss, seu nome e ganso tem o mesmo significado), mas daqui cem anos Deus levantará uma águia (Lutero) que vocês não poderão matar". Cento e dois anos depois, Lutero estaria fixando suas noventa e cinco teses na Catedral de Wittenberg.

Jerônimo Savonarola (Girolamo Savonarola) - 1452 - 1498

Monge dominicano em Florença, Itália, pior do mosteiro de São Marcos. Diz-se que ele pregava igual aos profetas antigos contra os males sociais, eclesiásticos, políticos de seu tempo. A grande catedral enchia-se para ouvir e obedecer-lhe os ensinos. Durante algum tempo foi o ditador de Florença assim como Calvino seria a mente de Genebra na reforma. Savonarola então foi excomungado pelo Papa, preso, condenado e enforcado e seu corpo queimado na praça de florença. Seu martírio deu-se apenas dezenove anos antes de Lutero afixar as 95 teses na porta da catedral de Wittenberg.

Concluindo esse pequeno estudo, gostaríamos de mostrar algumas aplicações para nossa geração:

  1. Deus sempre tem seu remanescente fiel em qualquer tempo e lugar;
  2. Importa sempre obedecer primeiro a Deus e depois aos homens se estes condizerem com Deus
  3. Pregue a Verdade da Escritura mesmo em detrimento de tudo o mais
  4. Sempre haverá uma restauração para a Igreja, mesmo que pareça que ela esteja morta
Paulo orientou Timóteo "Prega a Palavra... Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina". É tempo de olharmos para a Igreja Medieval e orarmos: "Aviva tua obra  Senhor". É tempo de entendermos que podemos contribuir juntamente com eles para a glória de Deus. Minha oração é que Deus nos dê uma centralidade na Escritura e um povo disposto para o Senhor.

segunda-feira, 10 de março de 2014

A Igreja Imperial: Do edito de Constantino à Queda de Roma (313 - 476 dC)

Flávio Valério Constantino nasceu em 27 de fevereiro possivelmente após o ano 280 dC. Há várias histórias de seus progenitores, alguns estudiosos dizem que ele era filho de Constantino Cloro , com uma princesa britânica filha do rei Coilo chamada Elena; outros alegam que era filho de Constantino cloro com a sua concubina também chamada Elena;Constantino nasceu na Grã-Bretanha. A partir de Constantino o cristianismo deixou de ser uma religião perseguida para tornar-se a religião oficial do Império. Evidentemente, os cristãos que durante tanto tempo estiveram oprimidos, de forma rápida e inesperada, por assim dizer,  passaram da prisão para o trono. A Igreja perseguida passou a ser a Igreja Imperial. A cruz tomou o lugar da águia como símbolo da bandeira da nação. 

No ano 305, quando Diocleciano abdicou do trono, a religião cristã era terminantemente proibida e aqueles que a professassem eram castigados com torturas e morte. Depois da abdicação de Diocleciano, no ano 305, quatro aspirantes à coroa estavam em guerra. Os dois rivais mais poderosos eram Maxêncio e Constantino, cujos exércitos se enfrentaram na ponte Múvia sobre o Tibre, a 16 quilômetros de  Roma no ano 312. Maxêncio representava perseguição aos cristãos. Constantino era favorável aos cristãos, apesar de ainda não se confessar como tal. 

Ele afirmou ter visto no céu uma cruz luminosa com a seguinte inscrição: "Com este sinal vencerás" (Lat. In Hoc Signo Vinces). Maxêncio morreu afogado no rio Tibre e Constantino venceu a batalha, tornando-se imperador no ano de 323 favorecendo assim o Cristianismo.

A vitória do Cristianismo na ascensão de Constantino, trouxe benefícios e prejuízos para a Igreja e o Estado.

Alguns dos benefícios para a Igreja são: Fim da Perseguição, Igrejas restauradas, fim dos sacrifícios pagãos em casas particulares, dedicação de templos pagãos a culto cristãos, doações à Igreja, privilégios concedidos ao clero, proclamação do domingo como dia do descanso, construção de cemitérios cristãos, rápido crescimento numérico da Igreja, os bens saqueados dos cristãos em tempos de perseguição foram devolvidos.

Alguns dos benefícios para o Estado são: Crucificação abolida, repressão do infanticídio, influência no tratamento dos escravos, proibição dos duelos de gladiadores. A cruz deixou de ser uma morte excruciante para os escravos e criminosos, a crucificação fora proibida. Era comum em Roma que qualquer criança que não fosse do agrado do pai,  era asfixiada ou abandonada para morrer. Alguns se dedicavam a recolher crianças abandonadas, criá-las e depois vendê-las como escravas, o cristianismo valorizou a vida humana e fez com que o infanticídio fosse banido do Império.

Porém, apesar de todas essas benesses, a "Cristianização" do Império também trouxe muitos prejuízos tais como: 

  • Todos na Igreja - A porta de entrada para a Igreja deixou de ser a conversão para ser a conveniência, todos queriam estar na Igreja, e quase todos eram aceitos. Tanto bons como maus, os que buscavam a Deus e os hipócritas buscando vantagens. Homens mundanos, ambiciosos, inescrupulosos, todos queriam ingressar na Igreja para obterem influência social e política. As pessoas vinha para a Igreja não por estarem convencidas de seus pecados, mas pelos benefícios dados pelo Estado.
  • Sua rápida paganização - Ao vir para a Igreja, os não-regenerados trouxeram também toda bagagem de paganismo politeísta. Os costumes e cerimônias do paganismo foram pouco a pouco se infiltrando nos cultos de adoração sendo aceitos na Igreja com nomes diferentes; no ano 405 começaram a aparecer na Igreja as imagens dos santos e mártires como objetos de reverência, adoração e culto. A adoração a Virgem Maria substituiu a adoração a Vênus e a Diana.
  • Mundanização - Não se vê mais a Igreja transformando o mundo, vê-se o mundo dominando a Igreja. Alguém já disse: "Fui procurar a Igreja e a encontrei no mundo; fui procurar o mundo e o encontrei na Igreja". Outro alguém já disse: "A Igreja é como a arca de Noé, se não fosse a tempestade lá fora, ninguém suportaria o cheiro aqui dentro".
  • Concubinato entre Igreja e Estado - O Imperador passou a governar tanto a Igreja quanto o Estado. Constantino determinou que se construísse outra capital, visto que para ele, Roma estava intimamente ligada ao paganismo, além disso geograficamente falando, Roma estava suscetível a ataques dos inimigos. A nossa capital ergueu-se na antiga Bizâncio conhecida como Constantinopla - a cidade de Constantino, atual Istambul. Na nova capital não havia templos pagãos, mas não tardou que edificassem várias igrejas, a maior de todas foi a de Santa Sofia - "Sabedoria Sagrada". Essa Igreja foi edificada por ordem do próprio Constantino. A história dessa Igreja é longa, ela já foi destruída por incêndio, reconstruída e hoje é uma mesquita.
Com a "Cristianização" do Império, houve também a divisão do Império em Império Grego (Oriental) e Império Latino (Ocidental) em razão do idioma predominante em cada um deles. A divisão do Império, foi uma "profecia" futura da divisão da Cristandade em 1054.  Nesse ínterim em que o Império e a Igreja caminhavam lado a lado, aproximava-se a queda do Império Ocidental (Latino). Vinte e cinco após a morte de Constantino, no ano 337, os muros do Império do Ocidente foram derrubados pelos bárbaros (todos os outros povos exceto romanos e judeus). A causa da queda do Império foram as seguintes: Cobiça das riquezas do Império por parte dos bárbaros, despreparo das legiões romanas, e a invasão das tribos invasoras (visigodos, vândalos, burgúndios, francos, anglo-saxões, hunos). 

Por causa das invasões e divisões, o vasto Império de outrora, foi reduzido a um pequeno território em torno da capital. No ano 476, uma tribo de germânicos aparentemente pequena, chamada de hérulos, liderada pelo rei Odoacro apoderou-se de Roma, destronando o Imperador Rômulo Augusto ou então "Augústulo". Nesse momento Odoacro intitula-se rei da Itália e o Império Romano do Ocidente deixa de existir. Desde a fundação de Roma, até a queda do Império, passaram-se mil e quinhentos anos. O império do Oriente que tinha como capital Constantinopla perdurou até 1453.

Podemos extrair uma lição da divisão e subsequente queda do Império Romano (primeiro do Ocidente em 476). A lição é: "Todo reino dividido contra si mesmo será arruinado, e toda cidade ou casa dividida contra si mesma não subsistirá." (Mateus 12:25)