quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Salmo 84:11

O SENHOR Deus é sol e escudo; O SENHOR concede favor e honra; não recusa nenhum bem aos que andam na integridade (Salmo 84:11 – NVI).

Introdução: A Escritura é a voz de Deus. Quando a Escritura fala Deus fala. Para fins didáticos dividiremos esse versículo em três partes: I) Quem Deus é (Seus Atributos) II) O que Deus faz (Suas Obras) III) O que Deus quer (Suas exigências). Esse versículo ensina-nos muito acerca de nosso Deus. Vamos analisar o que podemos aprender com esse versículo a respeito de Deus:

I.             Quem o SENHOR é (Atributos)

“O SENHOR Deus é sol e escudo”

Evidentemente a linguagem desse texto é poética; isso pode ser percebido mediante as expressões “sol” e “escudo”, porque o sol é uma criação de Deus (Gênesis 1:16; Salmo 136:8) e escudo porque é uma invenção humana para sua própria defesa.

 Isso posto, o que podemos aprender com esse simbolismo? Para tal tarefa, precisamos recorrer as demais ocorrências simbólicas do Sol e do Escudo na Escritura. E nas Escrituras, o Sol em simbolismo, fala de:

Constância (Salmo 72:5,17; 89:36) – Indicando a Imutabilidade de Deus e a eternidade de Deus. Deus não muda (Malaquias 3:6; Hebreus 1:11; 13:8; Tiago 1:17) e a eterna existência de Deus (Salmo 90:2; Isaías 43:13; Daniel 7:9; Apocalipse 1:8). Indicando ainda a Fidelidade de Deus (Êxodo 34:6,7; Deuteronômio 7:9; 1 Coríntios 10:13; 2 Timóteo 2:11-13; Apocalipse 19:11).

Aprendemos aqui que Deus é eterno, imutável e fiel.

Justiça e Salvação (Malaquias 4:2) – Sempre salvação e justiça são palavras inter-relacionadas na Escritura (Isaías 45:21; Romanos 1:16,17; 2 Coríntios 5:18-21). Isso porque a justiça de Cristo é a base da nossa salvação (Romanos 3:25,26). Quando dizemos que Deus como nosso sol é Justiça e Salvação, estamos dizendo que ele é quem nos justifica por graça e não merecimento e nos salva com base nos méritos de Cristo e não nos nossos próprios méritos acumulados. (Efésios 2:8-10)

Aprendemos aqui que Deus é nosso Salvador e Justificador através da Fé

Iluminação e esclarecimento (Lucas 1:78) – O Sol é a estrela que nos proporciona luz natural e Deus é luz (1 João 1:5) então é aquele que ilumina nossos corações para compreender de modo salvífico a mensagem do Evangelho (2 Coríntios 4:6; Efésios 1:18).

Aprendemos aqui que Deus é quem nos abre o entendimento de modo salvífico para as verdades da Palavra (Lucas 24:45)

Glória de Cristo (Mateus 17:2; Apocalipse 1:16) – A Glória de Cristo fala da sua exaltação, divindade, soberania (Filipenses 2:8-11; Hebreus 1:1-4; Salmo 110:1).

Aprendemos aqui que nosso Deus é exaltado e soberano.

 Com relação ao escudo em simbolismo traz alguns significados semelhantes como Salvação (Deuteronômio 33:29; 2 Samuel 22:36), Fidelidade (Salmo 91:4) mas acrescenta-se a estes, outros dois que são:

Auxílio (Salmo 33:20) – Recordemo-nos que no Novo Testamento, o Espírito Santo de Deus é chamado de o Auxiliador, o Consolador, o Conselheiro, o Advogado (grego Paraklétos – João 14:16) indicando alguém que carrega junto conosco os nossos fardos e transmite sua graça em momentos de necessidade (Romanos 8:26; Hebreus 4:16). O Salmista (Salmo 46:1) diz “Deus é nosso socorro bem presente na angústia”. O apóstolo Paulo experimentou essa faceta de Deus em Corinto (2 Coríntios 1:3ss)

Aprendemos aqui que Deus é torre forte, segura, amparo nas tribulações.

Fé (Efésios 6:16) – Fé é dom de Deus (Efésios 2:8), fé vem através da Palavra (Romanos 10:17), a fé é algo próprio dos eleitos (Tito 1:1; 2 Tessalonicenses 3:2) é a vitória que vence o mundo (1 João 5:4).

Aprendemos aqui que nosso Deus é gracioso para com seu povo dando-nos fé em vez de incredulidade.

II.           O que Deus faz (obras divinas)

“O SENHOR concede favor e honra”

Há vários níveis do favor de Deus. Há o favor geral e o favor específico de Deus. Discorreremos um pouco mais sobre ambos:

Favor geral (graça comum):

A graça comum de Deus alcança todas as pessoas com estações frutíferas, colheitas fartas, isto é, coisas ordinárias da vida. (Mateus 5:45; Atos 14:17; Salmo 145:9). A graça comum de Deus destina-se aos ímpios e eleitos.

Favor salvífico (graça especial):

Deus concede salvação aos seus escolhidos (Jonas 2:9), desde a fundação do mundo (2 Timóteo 1:9) em Cristo (2 Timóteo 2:10) para sempre (Hebreus 5:9). Esse povo escolhido são os filhos que compõem a Igreja (Tito 2:14) pelos quais Cristo morreu (Mateus 20:28).

A Honra que Deus promete aqui é similar aquela registrada em 1 Samuel 2:30, onde se diz que Deus honra aqueles que o honram, isso porque “tudo o que o homem plantar isso também colherá” (Gálatas 6:7). Para ter honra de Deus precisamos honrar a Deus. Honrar a Deus é obedecer o Filho (João 5:23).

III.         O que Deus quer (exigências divinas):

“Não recusa nenhum bem aos que andam na integridade”

O que é integridade bíblica? A palavra integridade desse texto também ocorre em textos como Gênesis 6:9 e 17:1. Ocorre também em Jó 1. 

O que essa palavra sugere é que os íntegros são aqueles que andam em obediência a Palavra de Deus, porque o Salmo 19:7 diz que a Palavra do Senhor é íntegra. Tanto íntegro como perfeito são traduções apropriadas para esse vocábulo.

Íntegro é aquele que anda em obediência à Palavra e à vontade de Deus!

Se queremos receber as benesses de Deus devemos andar em obediência a sua vontade.

Partindo do pressuposto da Vontade de Deus entendemos que ela é:

- Revelada – Deus não iria exigir de nós algo que não fosse completamente acessível à nos. Nos é possível conhecer a vontade de Deus!

- Individual e Geral – Há passagens que deixam a vontade geral de Deus especificada. Como, por exemplo, a santidade (1 Tessalonicenses 4:7-8), a oração (1 Tessalonicenses 5:17-18). Mas há passagens que dizem que há uma vontade especifica de Deus para cada homem (Atos 13:36; 22:14; Jeremias 1:5).

- Respondida – O apóstolo João escreveu que se pedirmos alguma coisa segundo a vontade de Deus, ele nos ouve (1 João 5:14). O bem que Deus nos dará que o Salmo fala é a vontade de Deus que é boa, agradável e perfeita (Romanos 12:2)

Não estamos sozinhos para descobrir a vontade de Deus para nossas vidas, para tal empreendimento, Deus nos enviou o seu Espírito Santo (Romanos 8:27).

Conclusão:  Vamos concluir fazendo algumas observações do que esse versículo NÃO promete.

1.  Esse versículo não promete que receberemos tudo o que quisermos; - Recebemos aquilo que pedimos de acordo com a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. Nossa vontade é depravada


2. Esse versículo não promete só coisas boas; - O SENHOR é quem envia a riqueza e a pobreza, a exaltação e a humilhação o bem e o mal (1 Samuel 2:4-8; Lamentações 3:38; Amós 3:6).

Que Deus nos ajude a andarmos segundo sua vontade revelada na Escritura e iluminada em nossas mentes pelo Espírito!

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

SOBERANIA DE DEUS

SOBERANIA DE DEUS

Teus, ó SENHOR, são a grandeza, o poder, a glória, a majestade e o esplendor, pois tudo o que há nos céus e na terra é teu. Teu, ó SENHOR, é o reino; tu estás acima de tudo. A riqueza e a honra vêm de ti; tu dominas sobre todas as coisas. Nas tuas mãos estão a força e o poder para exaltar e dar força a todos. (1 Crônicas 29:11,12 NVI)

Introdução: A soberania de Deus é um tema bíblico e como tal é desenvolvido do início ao fim das Escrituras, porém, ao mesmo tempo, é também uma verdade muitas vezes esquecida pelos filhos e filhas de Deus. Quando não é esquecida é deturpada caindo no extremo do fatalismo ou humanismo. Fatalismo quando ressaltamos demasiadamente a soberania divina e humanismo quando ressaltamos demasiadamente a responsabilidade humana.

As Escrituras nos oferecem um equilíbrio entre esses extremos. Ela enfatiza tanto a soberania divina quanto a responsabilidade humana e hoje pretendemos abordar algumas coisas a respeito da Soberania Divina:

I.             Deus Trino é o Único Soberano reconhecido pela Bíblia

O apóstolo Paulo ao escrever a Timóteo disse que Deus é o único soberano. Isso se reveste de importância vital nos nossos dias, pois é corrente que há uma luta penosa entre Deus e o diabo pelas almas, quando na verdade, as escrituras dizem que até o agir do diabo é limitado pela mão onipotente de Deus, o valente está manietado.


Reveste-se de importância vital ainda em vista do relativismo, onde tudo depende da sorte e do acaso. Contudo, isso não é o ensinamento Bíblico. As Escrituras ensinam que tanto a direção que uma flecha toma quanto a morte de um pássaro estão debaixo do controle absoluto de Deus.   

Em última instância até mesmo os atos dos homens estão cativos à soberania divina. As Escrituras declaram que o julgamento de Jesus e sua execução foram responsabilidade dos seus executores, mas foi uma ação totalmente deliberada pela Soberania Divina. A insanidade de Nabucodonosor é outro exemplo de tal soberania sobre as ações humanos, aquele gigante ficou sete anos comendo relva até reconhecer que Deus é quem domina sobre o reino dos homens. O fato de a soberania de Deus estar intimamente relacionada com nossas ações, não anula de nenhuma forma nossa responsabilidade pessoal, pelo simples fato de que Deus estabeleceu assim.

II.           O comportamento apropriado diante da Soberania Divina

Primeiro, já que Deus é soberano, devemos temê-Lo. Temer a Deus significa lembrar quão grande, santo e poderoso é Deus. Significa também lembrar quão pequenos, pecaminosos e fracos somos nós. Significa fazer a Sua vontade e crer tudo o que Ele nos diz em Sua Palavra.

Segundo, como Deus é soberano devemos aceitar com gosto tudo o que nos acontece. Podemos queixar-nos quando não temos o que desejamos, o podemos sentir que merecemos alguma bênção em particular.

 Talvez sintamos que merecemos o êxito ou a felicidade. Mas se somos crentes verdadeiros, sabemos que Deus não nos dá o castigo que os nossos pecados merecem. Os crentes verdadeiros percebem que, em vez de punir-nos, Deus tem sido muito bondoso para conosco em todos os aspectos, quando merecíamos o contrário. E se realmente acreditamos que Deus é soberano em tudo, então devemos reconhecer que Ele tem o direito de fazer o que Lhe apraz com o que é dEle, inclusive conosco. Portanto, se Deus faz com que nos aconteçam coisas de que não gostamos, devemos aceitá-las sabendo que provêm de sua mão, e que Ele procura somente o nosso bem

Finalmente, já que Deus é soberano, devemos adorá-Lo. Ele usa seu poder sabiamente e para benefício de seu povo. Devido a que Deus é completamente sábio, não pode cometer nenhum erro; porque Ele é santo, também não fará mal nenhum. Se não conhecêssemos mais sobre Deus, exceto que a Sua vontade é soberana, então somente teríamos medo dEle. Porém, podemos regozijar-nos porque sabemos que a poderosa e imutável vontade de Deus é também inteiramente boa.  O propósito divino de controlar tudo é mostrar a Sua própria santidade, bondade e verdade

III.         A abrangência da Soberania Divina

Deus é soberano no uso do seu poder. Usou seu poder contra os imperadores arrogantes como Faraó, contra gigantes como Golias

Deus é soberano no uso da sua misericórdia. A misericórdia não é um direito ao qual o homem faz jus. Misericórdia é o atributo de Deus, pelo qual Ele tem dó e compaixão dos miseráveis e os alivia. Mas, sob a justiça de Deus, ninguém é miserável que não mereça estar nessa situação. O objeto da misericórdia, portanto, são os miseráveis, e a miséria é o resultado do pecado. Então os miseráveis merecem o castigo, não a misericórdia. Falar sobre misericórdia merecida é uma contradição!

Deus é soberano no uso de sua graça. Deus reteve sua graça salvadora de Esaú e a deu a Jacó; a escondeu do Sinédrio e a revelou aos pastores; escondeu dos sábios e revelou aos pequeninos.

Conclusão: Poderíamos explanar muito mais acerca dessa maravilhosa doutrina. Contudo gostaríamos de concluir trazendo algumas aplicações práticas:

A soberania de Deus não exclui nossa santificação – Devemos orar mesmo que Deus já tenha determinado tudo o que acontecerá. Orar é mandamento de Deus! Soberania é um estímulo para nossa vida devocional.

A soberania de Deus não nos estimula a pecar – Devemos nos santificar, porque o desejo de Deus é a nossa santificação e uma vez que recebemos a graça a recebemos para mortificar os feitos do corpo.


A Soberania de Deus é um estímulo ao descanso – O nosso Deus que governa todas as coisas, não nos esquece e não nos nega nenhum bem. Que Deus nos ajude a descansar a sua soberania!