quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Comentário sobre o Natal

Por: Marcos Júnior*
Resolvi juntar-me aos muitos amigos que se manifestaram nessa rede social acerca do comportamento cristão e apropriado diante do Natal; portanto, expressarei minha opinião acerca dessa festa, e, como Lutero disse com acerto, opiniões são seguidas se quisermos, pois não são a infalível Palavra de Deus. Então, você pode, se quiser, discordar de mim e das minhas proposições, mas tal discordância não implica que abandonarei minha opinião tão facilmente. Então, sem mais delongas, vamos ao que interessa.
Respondendo àqueles cristãos sinceros, piedosos e tementes a Deus, aos quais amo e admiro, mas que dizem que o natal não deve ser comemorado por cristãos, por se tratar de uma festa dedicada ao deus Sol, celebrada no dia 25 de dezembro que foi incrementada ao calendário cristão diante do ecumenismo romano pós Constantino, e que, portanto, trata-se de uma festa pagã; digo que: Devemos agir como Orígenes, o pai da Igreja grega, famoso por cunhar a expressão "despojar os egípcios", uma linguagem figurada retirada do Êxodo de Israel do Egito. Ao utilizar essa expressão, Orígenes queria dizer que é válido tomar a verdade das fontes pagãs, quando estas são úteis para esclarecer a mensagem do Evangelho à pagãos interessados. Isso concorda com o pensamento de Agostinho de Hipona, que diz que "Toda verdade é a verdade de Deus, não importa de onde venha". Então, comemorar o natal, é um momento onde podemos juntos com cristãos nominais, pagãos, ateus, agnósticos, anunciar que "hoje, na cidade de Davi, nasceu o Salvador que é Cristo, o Senhor". (Lucas 2:11), mesmo que eles não acreditem, por tradição estão honrando o nascimento do Deus-Homem.
Respondendo àqueles que dizem tratar-se de uma festa originada na mitologia de Semíramis, mulher de Ninrode, personagem bíblico de Gênesis 10:10, homem que a lenda diz ser o primeiro escravagista da história, e que casou com sua própria mãe, que foi morto, mas que Semíramis diz ter-se reencarnado em seu filho, uma criança chamado Tamuz, o mesmo deus do Sol mencionado acima, que justamente nasceu segundo se diz em 25 de dezembro, inclusive, pseudo-deus este adorado por Israel no exílio, digo que,despojemos os egípcios. Aproveitemos a ocasião, para esclarecer que toda civilização antiga, tinha em seu escopo de religião, o nascimento de um deus que viria para ser o salvador do mundo.
Aproveitemos a ocasião para relembrar que, por mais distorcida que seja a imagem apresentada, ela não deixa de ter uma verdade; Todos os povos antigos, sabiam e esperavam que o Cristo viria para nos libertar. Tanto é assim, que Eva, ao conceber Caim, pensou já, em se tratar do descendente prometido. O original de Gênesis 4, diz "Alcancei um homem como filho, o Senhor". Bom, se o natal é tão benéfico assim para fins evangelísticos onde podemos ressaltar que cada cultura antiga tinha a esperança da vinda de um salvador divino e que é um meio mesmo que por tradição, onde juntos com todos, relembramos a concepção virginal do Deus encarnado, minha concepção é que podemos celebrar o natal sem dor na consciência, afinal "toda a verdade é a verdade de Deus" e toda a mitologia de Semíramis, anuncia ainda que distorcidamente, a verdade que um "menino nasceu, um filho se nos deu, o seu nome será: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz, o governo está sobre o seu ombro" (Isaías 9:6-7). Celebremos o natal! Despojemos os egípcios, afinal, comemoramos que Cristo nasceu!
Feliz natal!
Um abraço!
* Esse comentário expressa unicamente minha opinião e não reflete a opinião dos demais moderadores.


sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

O caráter precede a ação!

Recentemente fiz uma série de exposições sobre o ofício de diácono em minha igreja. O motivo é que a mesma estava passando por um processo de eleição. Decidi que estudaria o tema e procuraria expor as Escrituras, enfatizando o ofício do diaconato, com o propósito de orientar a Igreja e os próprios candidatos.

Entretanto, ao estudar o tema, fiquei surpreso, e acabei tirando uma das lições mais preciosas que poderia ter tirado naquela semana: o caráter precede a ação. Sim! Você primariamente precisa ser antes de fazer.

Olhando para o texto bíblico você encontra pouca ênfase sobre o que os diáconos deveriam fazer, mas sobre suas qualidades e quem eles deveriam ser o Novo Testamento está recheado. Em Atos 6.1-6, por exemplo, temos o famoso caso da instituição dos diáconos. Sem entrar em muitos detalhes do texto, os diáconos surgiram por causa de um pequeno problema de cunho social na Igreja com relação a distribuição diária de alimentos. Os helenistas reclamaram que suas viúvas estavam sendo esquecidas nessa distribuição. Os apóstolos, com sabedoria, decidiram dividir o trabalho, já que eles não poderiam abrir mão do que é primordial: pregação e oração. Daí surge os diáconos. Veja que o texto segue e não dá mais nenhuma ênfase ao que os diáconos deveriam fazer, mas sim ao que eles deveriam ser. O registro diz que eles deveriam ser: “homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria” (v.3). Quanto a escolha de Estevão, suas qualidades foram enfatizadas.

Seguindo essa ideia, outro texto interessante é o de Timóteo 3.1-13, que não fala apenas dos diáconos, mas também dos presbíteros. Olhando com cuidado para o texto, você vê Paulo falando com frequência sobre o caráter e sobre as qualidades que os presbíteros e os diáconos devem ter. Nos versos 2,3, praticamente tudo que Paulo fala é sobre caráter e pouco sobre as atividades que um presbitério deveria exercer, talvez a exceção seria o “apto para ensinar”, mostrando o dever dos presbíteros para com o ministério de ensino. Sei que alguns podem discordar, mas uma coisa é certa, Paulo enfatiza mais o caráter do que propriamente os deverem dos presbíteros para com seu ofício.

Analisando agora os diáconos a coisa fica mais clara ainda. Nos versos 8-13 você não encontra nada sobre o que os diáconos devem fazer. Paulo não fala que eles deveriam cuidar das viúvas; que deveriam fazer cestas básicas para os mais necessitados; ele não fala nada quanto ao cuidado com as estruturas da igreja; e por aí vai. Porém, Paulo gasta todo o seu discurso sobre os diáconos falando sobre o caráter deles. Veja: “respeitáveis, de uma só palavra, não inclinados a muito vinho, não cobiçosos de sórdida ganância...” (v.8).

A conclusão que cheguei é que as Escrituras enfatizam mais as qualidades e o caráter do que propriamente com o serviço que eles exercem. Que fantástico! O ser recebe mais ênfase do que o fazer. Depois de meditar sobre essa ideia, encontrei respostas para muitas perguntas que tinha sobre o motivo de muitos oficiais não terem dado certo. Eles eram “bons”, competentes e faziam um bom trabalho, mas não tinham as qualidades necessárias.

Você já pensou nisso? Quantas vezes queremos mostrar serviço e poucas vezes queremos ser quem deveríamos. Nos preocupamos bem mais com o que devemos fazer (externo) do que com o que deveríamos ser. Numa eleição de diáconos e presbíteros você consegue perceber isso. Os futuros candidatos já chegam apressados em você querendo saber o que eles devem e podem fazer, e é comum ver poucos se preocupando com o ser. Ser? Ser um bom esposo. Ser honesto e amoroso. Ser crente e um estudioso da Palavra.

E que seja assim daqui para frente. Que procuremos ser, antes mesmo de fazer. 

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

ESBOÇO DE GÁLATAS 5:13-26 "OS TRÊS MINISTÉRIOS DO ESPÍRITO SANTO DE DEUS"

Texto Bíblico: Gálatas 5:13-26

“Irmãos, vocês foram chamados para a liberdade. Mas não usem a liberdade para dar ocasião à vontade da carne; pelo contrário, sirvam uns aos outros mediante o amor. Toda a lei se resume num só mandamento: "Ame o seu próximo como a si mesmo".Mas se vocês se mordem e se devoram uns aos outros, cuidado para não se destruírem mutuamente.Por isso digo: vivam pelo Espírito, e de modo nenhum satisfarão os desejos da carne. Pois a carne deseja o que é contrário ao Espírito; e o Espírito, o que é contrário à carne. Eles estão em conflito um com o outro, de modo que vocês não fazem o que desejam.Mas, se vocês são guiados pelo Espírito, não estão debaixo da lei.Ora, as obras da carne são manifestas: imoralidade sexual, impureza e libertinagem; idolatria e feitiçaria; ódio, discórdia, ciúmes, ira, egoísmo, dissensões, facçõese inveja; embriaguez, orgias e coisas semelhantes. Eu os advirto, como antes já os adverti, que os que praticam essas coisas não herdarão o Reino de Deus.Mas o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade,mansidão e domínio próprio. Contra essas coisas não há lei.Os que pertencem a Cristo Jesus crucificaram a carne, com as suas paixões e os seus desejos. Se vivemos pelo Espírito, andemos também pelo Espírito.Não sejamos presunçosos, provocando uns aos outros e tendo inveja uns dos outros.”

Introdução: Essa perícope é dirigida à cristãos em vista da nova vida que receberam na conversão. Nessa perícope, Paulo discursa sobre a liberdade cristã e o conflito diário que há dentro de cada crente com aplicações práticas de como, na dependência do Espírito Santo vencer a natureza pecaminosa e como esse viver guiado pelo Espírito Santo se manifesta nos relacionamentos cotidianos. Na conversão, recebemos o Espírito Santo (Efésios 1:13,14), agora, Paulo discursará sobre como o mesmo Espírito Santo nos guia em nosso viver diário.

Este parágrafo é, possivelmente, o mais crítico de toda a seção final de Gálatas, pois nele Paulo explica três ministérios do Espírito Santo que permitem ao cristão desfrutar sua liberdade em Cristo.

1. O ESPÍRITO NOS CAPACITA A CUMPRIR A LEI DO AMOR (Gl 5:13-15)

Paulo começa listando no v. 13, a liberdade cristã, com um declaração de alforria bem conhecida da época que era a expressão “Chamado à liberdade”, uma expressão corrente em atestados de compra de escravos para a liberdade (Deissmann), algo de máxima importância para um alforriado. Quando se suspeitava de que ele era um dos numerosos escravos fugitivos e desaparecidos, apresentava o seu documento. Ali constava preto no branco: “Chamado à liberdade”! A liberdade do cristão não é uma licença para pecar, mas sim uma oportunidade para servir. Não podemos dar ocasião para a carne, isso é deixa-la fazer de nossa liberdade cristã sua base de operação (g. Aphormé). Paulo estava plenamente consciente de que, embora os gálatas agora fossem “irmãos” em Cristo, ainda estavam contaminados e acossados pelas sinistras influências de sua herança corrompida, de seus maus costumes de outrora e de seu meio ambiente deteriorado. Falando em termos gerais, a santificação não conclui toda a sua obra num só dia. Por isso necessitamos sermos guiados diariamente pelo Espírito Santo na vida cristã. O amor é o resultado prático de quem vive sob o controle do Espírito, pois é a virtude máxima do caráter (I Co. 13:1-13), é a forma como Deus se relaciona conosco (I Jo. 4:8,16), é uma doação do Espírito (Rm. 5:8) é um mandamento (Jo. 13:34,35). O ser guiado pelo Espírito Santo envolve o desejo de ouvir, predisposição para obedecer e a sensibilidade para discernir entre seus sentimentos e sua diligência para atuar. O Espírito Santo é o único capaz de transformar essa fera corrompida em nosso interior, a Lei tinha a finalidade de prendê-la, mas ela era a mesma, no entanto, o Espírito Santo transforma nossa vida de tal forma que agora, ao invés de ferir os irmãos passamos a amá-lo.

2. O ESPÍRITO NOS CAPACITA A VENCER A CARNE (Gl 5:16-21,24)

Andem no Espírito, uma ferramenta para vencer o conflito com a carne (v. 16): Encontramos em Gálatas pelo menos catorze referências ao Espírito Santo. Quando cremos em Cristo, o Espírito passa a habitar dentro de nós (GI 3:2). Somos "nascidos segundo o Espírito", como Isaque (GI 4:29). É o Espírito Santo no coração que dá a certeza da salvação (GI 4:6); e é o Espírito Santo que capacita a viver para Cristo e a glorificá-lo. O Espírito Santo não é apenas uma "influência divina"; é uma Pessoa divina, assim como o Pai e o Filho. Adolf Pohl diz que só nesse capítulo, o Espírito é mencionado cerca de oito vezes. E o imperativo do apóstolo para nós é: “Andem no Espírito”!

ANDAR NO ESPÍRITO SIGNIFICA CONDUZIR SUA VIDA EM OBEDIÊNCIA AO ESPÍRITO SANTO (g.peripateite).

Esse andar no Espírito certamente provoca um conflito que só o crente experimenta. Assim como Isaque e Ismael, o Espírito e a carne (a velha natureza) encontram-se em conflito. Ao se referir à "carne", é evidente que Paulo não fala do "corpo". O corpo humano é neutro, não pecaminoso. Neste contexto, essa palavra carne não significa o corpo, como se a sede do pecado fosse esse. Deve-se notar que muitos dos pecados mencionados nas "obras da carne" são pecados espirituais. "Carne", no dizer de Melanchton, é "a natureza inteira do homem, seu senso e razão, sem o Espírito Santo".

Quando o Espírito Santo controla o corpo, andamos no Espírito; mas quando entregamos o corpo ao controle da carne, andamos segundo as concupiscências da carne. O termo concupiscência significa mais apropriadamente como o “desejar constante”. Isso implica que após nossa conversão, nossa carne continua e continuará tendo os mesmos desejos errados até o dia de Cristo. Esses desejos opostos são iIustrados na Bíblia de várias maneiras. A ovelha, por exemplo,é um animal limpo, que evita a sujeira,enquanto o porco é um animal imundo, que gosta de se revolver na imundície (2 Pe 2:19-22).Depois que a chuva cessou e que a arca se encontrava em terra firme, Noé soltou um corvo, mas a ave não voltou (Gn 8:6, 7). O corvo é uma ave carniceira, portanto deve ter encontrado alimento de sobra. Mas, quando Noé soltou uma pomba (uma ave limpa), ela voltou (Gn 8:8-12). Quando soltou a pomba pela última vez e ela não voltou, Noé soube, ao certo, que ela havia encontrado um lugar limpo para pousar e que, portanto, as águas haviam baixado.A velha natureza é como o porco e o corvo, sempre procurando algo imundo para se alimentar. Nossa nova natureza é como a ovelha e a pomba, ansiando por aquilo que é limpo e santo.

Convém observar que o cristão não é capaz de vencer a carne simplesmente pela força de vontade: "porque são opostos entre si; para que não façais o que, porventura, seja do vosso querer" (GI 5:17). Paulo não diz que estas forças sejam iguais. O Espírito Santo é muito mais forte, mas se nós dependermos de nossa própria sabedoria tomaremos decisões equivocadas. Essa é uma luta acirrada na qual o Espírito sobressai. O crente não luta com o desespero na espinha, mas com a vitória nas costas.

No v 18, Paulo substitui o Andar inicial por ser guiado. Ser guiado pelo Espírito, nada mais é do que ser santificado diariamente pela prática e obediência à Palavra de Deus. Falando em termos gerais, a santificação não conclui toda a sua obra num só dia.

Esse andar e esse ser guiado pelo Espírito é algo a ser feito voluntariamente. . Esse versículo significa, literalmente: "Mas se forem voluntariamente conduzidos pelo Espírito, então não estarão debaixo da Lei".

Não há tentativa, nos vs. 19-21, para mencionar todos os pecados possíveis; são dados apenas alguns exemplos mais notáveis. No original os vícios seguintes até o v. 21 – com exceção de ―porfias e ―ciúmes – estão no plural. A tradução deveria corresponder a esse fato. O plural traz à memória de maneira ampla esferas inteiras, ao contrário do ato isolado. Ou seja, cada pecado citado engloba as características de todos. Fílo de Alexandria apresenta uma lista de mais de cem vícios. A listagem foi começada, mas não concluída. Somos desafiados a continuá-la de acordo com as nossas experiências.

Há quinze elementos na lista. Naturalmente que, no tocante ao conteúdo das palavras, há elementos que se repetem. Assim, enquanto que os três vícios: imoralidade, impureza e indecência tenham significados distintos, no entanto os três vícios possuem algo em comum, a saber, desvio da vontade de Deus com referência ao sexo. E o mesmo sucede com as demais palavras da lista

Lightfoot classifica-os sob as quatro categorias:

Paixões sensuais (relacionados ao sexo) (19). Prostituição, impureza, lascívia... (ARA), imoralidade sexual, impureza e libertinagem; (NVI). Lascívia; isto é, "devassidão" (Lightfoot), indecência aberta e desavergonhada. Não nos devemos esquecer que naquele antigo mundo pagão o vício sexual era provido pela lei pública, sendo incorporado até mesmo na adoração aos deuses. Impureza é um conceito bastante abrangente e inclui não só a impureza em atos, senão também em palavras, pensamentos e intenções do coração.  Libertinagem tem a sua ênfase na ausência de domínio próprio que caracteriza a pessoa que dá livre expansão aos impulsos de sua natureza pecaminosa. O adultério (traduzido aqui por "prostituição" na NVI: Imoralidade Sexual) é o sexo ilícito entre pessoas casadas; o mesmo pecado é cometido entre pessoas solteiras, pode ser chamado de fornicação.

A impureza é exatamente isso: uma imundícia da mente e do coração que contamina a pessoa. A pessoa contaminada vê impureza em tudo (ver Tt 1:15). Como é de conhecimento comum, esses pecados corriam soltos no império romano. As bebedices e glutonarias não necessitam de maiores explicações.

Manuseios ilegítimos das coisas espirituais (Relacionados a Religião ou pecado supersticiosos) (20). Idolatria, feitiçarias... O primeiro se refere ao reconhecimento público dado aos deuses falsos. Moffatt traduz feitiçaria como "mágica"; a referência é ao tráfico com os mortos (Psicografia), e assim sendo, com os poderes malignos, tão severamente condenados no Antigo Testamento.  A palavra grega que foi traduzida para feitiçarias encaixa-se no termo "farmácia" (no grego farmakéia - que significa "uso de fármacos", de onde vem a palavra farmácia.) e significa basicamente a administração de drogas e poções mágicas, mas passou a representar todo o tipo de prática de feitiçaria como Moffatt bem traduziu. Idolatria continua existindo hoje e significa simplesmente colocar qualquer outra coisa antes de Deus e das pessoas. Devemos adorar a Deus, amar as pessoas e usar as coisas; mas, muitas vezes, usamos as pessoas, amamos somente a nós mesmos e adoramos as coisas,  deixando Deus totalmente de fora.

Pecados Sociais (relacionamentos) (20-21). Inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões (divisões), facções (Partidarismo), invejas... Na NVI: “ciúmes, ira, egoísmo, dissensões, facções” Algumas variações: Ciúmes, isto é, "emulações". Iras, significa explosões apaixonadas de ira. Facções, isto é, "heresias", ou seja, partidos, uma forma agravada de divisões. "Homicídios", ainda que apareça em algumas versões, é palavra que não se encontra no original. Disputas e ciúme - caminham de mãos dadas, pois aquilo que começou como uma intensa devoção para com um líder, de tal maneira que qualquer outro nome é de imediato menosprezado entre muita desordem, degenera em anseio ciumento por manter o sentimento de apego ao líder, pelo desejo de “possuí-lo”,e pelo anseio de fazer crescer o seu prestígio custe o que custar. Em tais contextos, é natural que explosões de ira ou uivos de raiva surjam quando se menciona o nome do “rival”.

São resultantes de líderes da igreja que promovem a si mesmos e que insistem que as pessoas os sigam em lugar de seguirem ao Senhor (o termo heresia, em grego, significa "fazer uma escolha"). As invejas indicam rancores e o desejo profundo de ter aquilo que outros têm (ver Pv 14:30).

A pessoa que pratica esses pecados não herdará o reino de Deus. Paulo não fala de um ato pecaminoso, mas sim do hábito de pecar (g. prassontes, lit. Prática constante).

O fato de o cristão não estar debaixo da Lei,mas sim da graça, não serve de desculpa para pecar (Rm 6:15). Pelo contrário, a graça deve servir de estímulo para a obediência ao Senhor.

Excessos intemperantes (Alimentos – Relacionados ao nosso Ego) (21). Bebedices, glutonarias.

3. O ESPÍRITO NOS CAPACITA A PRODUZIR FRUTO (Gl 5:22, 23, 25, 26)

A carne produz "obras mortas" (Hb 9:14), enquanto o Espírito produz fruto vivo.

O Novo Testamento fala de vários tipos diferentes de "fruto": pessoas salvas para Cristo (Rm 1:13), a vida de santidade (Rm 6:22),dons concedidos por Deus (Rm 15:26-28),boas obras (CI 1:10) e louvores (Hb 13:15).

O "fruto do Espírito" relacionado nesta passagem refere-se ao caráter (GI 5:22, 23). É importante distinguir o dom do Espírito, que é a salvação (At 2:38; 11 :17), e os dons do Espírito, que dizem respeito ao serviço (1 Co12), das graças do Espírito, relacionadas ao caráter cristão. Infelizmente, costuma-se dar uma ênfase excessiva aos dons, levando os cristãos a negligenciar as graças do Espírito.

O fruto do Espírito (22) é sempre descrito no NT como singular (22-23) como fruto da justiça (Fp. 1:11 grego),  fruto da luz (Ef. 5:9). Um belo cacho de nove variedades de fruto é aqui descrito. Todas estas variedades estão ligadas como que para sugerir que a ausência de qualquer delas significa a anulação de todas, isto por uma lado, significa também que se temos uma, temos todas. A tríplice classificação feita por Lightfoot, em hábitos mentais, qualidades sociais e princípios gerais de conduta, uma vez mais é de grande ajuda.

Primeiramente o tríplice desdobramento do próprio amor – relacionados a Deus (amor, alegria, paz), depois seu tríplice desdobramento em relação ao próximo (longanimidade, benignidade, bondade), e finalmente o tríplice desdobramento da conduta pessoal (fidelidade, mansidão, domínio próprio).

P. Burckhardt tenta fazer justiça à unidade dessa multiformidade, da seguinte maneira (pág 86, citações com pequenas alterações): alegria como amor que jubila, paz como amor que restaura, longanimidade como amor que sustém, benignidade como amor que se compadece, bondade como amor que doa, fidelidade como amor confiável, mansidão como amor humilde, domínio próprio como amor disposto a renunciar.

Dons relacionados à Deus (Amor, Alegria e Paz)(22). Amor. O Espírito Santo inspira na alma aquele amor a Deus e aos homens que é o cumprimento da lei (cfr. vers. 14).Alegria. Profundo regozijo de coração, tal como as bebedeiras e outras obras da carne jamais podem produzir. Essa alegria é a alegria "no Senhor" (Fp 4:4), e não por causa das circunstâncias. Paz. O senso de harmonia no coração no que tange a Deus e ao homem, aquela paz de Deus que guarda o coração contra todas as preocupações e temores que pretendem invadi-lo (Fp 4:7). Cristo nos deu sua Paz (Jo. 14:27)

Dons relacionados ao próximo (Longanimidade, Benignidade, Bondade) (Relacionamentos) (22). Longanimidade. (NVI: Paciência; Grego: Paciência esticada) Paciência esticada quando sofremos as injúrias ou danos. Benignidade. (NVI: Amabilidade) A bondosa disposição para com o próximo. Bondade. Beneficência ativa, eu me disponho á ajudar e ajudo; sendo assim um passo além da benignidade relaciona-se com a atitude da pessoa para com os outros e envolve uma recusa em revidar ou se vingar do mal recebido. Longanimidade é ser perseverante e não desistir, benignidade é ser brando, carinhoso e bondade é amor em ação.

Princípios gerais de conduta (Relacionados a nós mesmos, fidelidade, mansidão e domínio próprio) (22-23). Fidelidade.  Isto pode ser traduzido como Lealdade. Mansidão. O temperamento especialmente Cristão de não defender de unhas e dentes os próprios direitos. Domínio próprio. (lit., reprimir com mão firme) Geralmente traduzido por "temperança" noutras versões; "autocontrole". A ideia sugerida é a do indivíduo que sabe controlar firmemente seus desejos e paixões. Significa moderação em todas as coisas e um domínio completo de cada paixão e apetite, ficando excluídos os excessos de toda espécie.

A velha natureza é capaz de simular algum fruto do Espírito, mas a carne jamais será capaz de produzir esse fruto. Uma das diferenças é que, quando o Espírito produz fruto, Deus é glorificado, e o cristão não tem consciência de sua espiritualidade; mas quando é a carne que opera, a pessoa orgulha-se interiormente e se sente realizada com os elogios de outros.

COMO VENCER A CARNE à CRUCIFICAÇAO

 No v. 24, Paulo ressalta num segundo momento que em todo o trecho ele pressupõe cristãos. E os que são de Cristo Jesus acolhe uma antiga autodesignação dos primeiros cristãos. Por trás dela existe um modo de pensar, segundo o qual uma pessoa não pertence a si própria, mas sempre é propriedade de alguém. No entanto, quando pertence a um, é livre do outro. ― “Ninguém pode servir a dois senhores” (Mt 6:24). Ser propriedade de Cristo, portanto, é ao mesmo tempo uma experiência de libertação. Em Rm 8:9 Paulo marca a data em que Cristo toma posse de alguém e em que esse por isso é libertado do domínio da carne, para o instante do recebimento do Espírito. Por intermédio do Espírito, o Senhor exaltado tomou posse de sua propriedade, a fim de afirmá-la como sua esfera de senhorio e bênção. Unicamente nessa situação a convocação para andar no Espírito faz sentido, porque somente então está dado o reverso: o desprendimento do poder da carne. Por isso o cristão não precisa mais deixar-se acovardar pela apresentação autoritária dele. O cristão não deve mais nada à carne (Rm 8:12). As demandas dela são nulas. Ele não tem a ver com ela mais do que teria com um morto. Borse ensina: “Os próprios gálatas crucificaram sua carne quando chegaram à fé no Crucificado”.

Para Paulo era importante que entre seus leitores esse ato de morrer com Cristo crucificado fosse esticado por todo o tempo de vida do cristão. O diagnóstico “morto com Cristo” precisa continuar a ser escrito dia após dia. “Eu morro todos os dias” (VFL), diz Paulo em 1Co 15:31; cf. Lc 9.23. Em 2Co 4:10 ele antecipa enfaticamente, para diferenciar de uma experiência ocasional: “levando sempre no corpo o morrer de Jesus”. Buscamos uma crescente comunhão dos seus sofrimentos (Fp 3:10,11; 2Co 11:23).Ao lidarmos com a carne, precisamos crucifica-la. Cristo não apenas morreu por nós, mas nós morremos com Cristo. Ele morreu por nós para remover o castigo de nosso pecado, mas nós morremos com Cristo para romper o poder do pecado. O APÓSTOLO NÃO DIZ QUE NÓS DEVEMOS NOS CRUCIFICAR, POIS ISSO É IMPOSSÍVEL (A CRUCIFICAÇÃO É UM TIPO DE MORTE QUE NINGUÉM PODE APLICAR SOBRE SI MESMO). ELE DIZ QUE A CARNE JÁ FOI CRUCIFICADA. É NOSSA RESPONSABILIDADE CRER NISSO E AGIR DE ACORDO COM ISSO.

O imperativo: Vós deveis! Nada mais é que uma atualização do indicativo: Afinal, tendes! O que é exigido decorre do que foi dado com naturalidade. Isto é, Deus só exige que andemos no Espírito, pois na conversão já nos deu o Seu Espírito. O que na Galácia havia começado no Espírito corria o perigo de ser continuado, absurdamente, na carne (Gl 3:3). Por isso não se deve ignorar o tom de incentivo. O Espírito Santo indubitavelmente é um poder arrasador, porém isso não deveria ser motivo para cruzar passivamente os braços e espreitar o seu agir. Ao contrário, Paulo exclama: Mexam-se, afinal! Dêem passos, ajam! Vençam o mal com o bem (Rm 12.21), façam o bem, digam o bem, pensem o bem (Gl 6:9-11)! Quem não faz movimentos de natação, afunda. Um navio que não se move tampouco pode ser guiado. Portanto, quando somos passivos, a carne se torna ativa. Ela apenas está aguardando uma oportunidade dessas (v. 13b).

Andemos (v 25 no grego: stoichéo “conservar a linha da marcha, permanecendo na linha e na fila”) Uma palavra diferente da que é empregada no vers. 16, pois se trata de vocábulo que dá a ideia de andar em fila: no grego clássico era usado para indicar a marcha em ordem de batalha. A ideia sugerida é que a orientação do Espírito Santo deve ser seguida bem de perto. Andar no Espírito é ter nossas atividades, nossos  pensamentos nossas ações,  feitos na energia do Espírito, ou no poder do Espírito, em sujeição ao Espírito.

No v. 26, o que chama a atenção, diferente do v. 15, é o fato de que dessa vez Paulo se inclui pessoalmente (“Não nos deixemos”). Ele sabe do que está falando. Também ele conhece esse hálito de desejos carnais, que se rebelam contra o Espírito (v. 17). Isso também o incentiva a usar de uma moderação sensitiva, que caracteriza o trecho seguinte. Ele próprio realiza aquela atitude que, a seguir, recomenda à igreja ao lidar com falhas alheias.

OS RESULTADOS DE SERMOS DIRIGIDOS PELO ESPÍRITO:

  1. Aqueles que são dirigidos pelo Espírito respiram o ar alegre e revigorante da liberdade moral e espiritual. Não mais estando sob a escravidão da lei, obedecem aos preceitos de Deus com alegria de coração (Gl 5:1,18).

  2. Odeiam e vigorosamente se opõem à “as obras da carne” (5:17, 19-21,24).

  3. Suas vidas têm em abundância “o fruto do Espírito” (Gl 5:22,23; 6:2, 8-10).


Que o Espírito Santo guie e controle sua vida cada dia. Logo as palavras de Cristo estarão em sua mente, o amor de Cristo estará em suas ações e o poder de Cristo o ajudará a controlar seus desejos egoístas.