quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Então é natal?!

              E O VERBO SE FEZ CARNE (JOÃO 1:14a)


Desde os tempos mais remotos, a cristandade celebra no dia 25 de dezembro, o nascimento de Jesus Cristo. Há aqueles que se opõem a essa data e há aqueles que reconhecem-na como um bom momento para celebrar com a família, amigos, o nascimento do Filho de Deus. Somos da opinião de que o natal deva mesmo ser comemorado.

Hoje, entretanto, queremos enfatizar uma única coisa: A Encarnação. O natal é bom para se evidenciar que o Filho de Deus se tornou um ser humano completo (com exceção do pecado), como você e eu. A Encarnação foi completa, plena; Gregório de Nissa, pai da igreja, escreveu: "Aquilo que ele não assumiu, ele não curou". Atanásio, outro pai da igreja, escreveu: "O Filho de Deus se tornou o que somos, para que nos tornássemos o que ele é". 

Desde os tempos apostólicos, houveram  pessoas que negaram a encarnação do verbo. Os adeptos do docetismo, por exemplo, afirmavam que o corpo de Jesus era "ilusório, irreal, fantasmagórico", tinha apenas aparência, mas não era de carne e sangue. Os adocionistas, em uma de suas vertentes,  por outro lado, negavam a encarnação dizendo que Jesus, era um ser humano qualquer, que em algum momento foi adotado por Deus para ser seu Filho, quer no batismo, quer no nascimento. Os arianos, por exemplo, diziam que Jesus era a primeira criatura de Deus, não o Deus encarnado, negando assim, a encarnação do Verbo.

A igreja, por outro lado, sempre confessou a Encarnação de Deus, em Jesus. Uma vez que a própria Bíblia reconhece a encarnação como fato histórico bem estabelecido entre nós... Vamos olhar alguns textos que falam da Encarnação de Deus Filho.

João 1:14 - "E o Verbo se fez carne e habitou entre nós".
Lucas 24:39 - "Um espírito não tem carne e ossos como vedes que eu tenho".
Colossenses 1:22 - "Vos reconciliou no corpo da sua carne".
Hebreus 2:14 - "E, visto como os filhos participam da carne e do sangue, também ele participou das mesmas coisas, para que pela morte aniquilasse o que tinha o império da morte, isto é, o diabo;".
Hebreus 5:5a,7 - "Assim também Cristo nos dias da sua carne".
1Timóteo 3:16 - "Sem dúvida, grande é esse mistério da piedade: Deus foi manifestado em carne".
1João 4:2 - "Nisto conheceis o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus;"
Filipenses 3:21 - "Ele transformará nosso corpo abatido, a semelhança do seu corpo glorioso".


A encarnação foi completa, plena, como já dissemos; Jesus sentiu sede (João 4:7; 19:28), cansaço (João 4:6), fome (Lucas 4:2), tristeza (Marcos 14:34), solidão (João 16:32; Mateus 26:31). Com uma única exceção: Ele não pecou (Hebreus 4:15 7:26; 9:14; 1Pedro 2:22). Esta é a razão porque Romanos 8:3 diz que foi em carne em semelhança do pecado, pois foi em carne, mas sem pecado!

O que a Igreja confessa desde cedo é exposto no credo apostólico (m. séc. II), que confessa: "Jesus Cristo, nosso Senhor, que nasceu da virgem Maria". O credo niceno-constantinopolitano confessa que Jesus é Deus, nascido do Pai antes de todos os séculos. Deus de Deus, luz da luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não criado ou feito, consubstancial ao Pai quanto à divindade. Por ele todas as coisas foram feitas. E por nós, homens, e para nossa salvação, desceu dos céus, e se encarnou pelo Espírito Santo, no seio da Virgem Maria, e se fez homem."

Orígenes, pai da Igreja, ao refletir sobre a Encarnação, criou o termo Deus-Homem. A ortodoxia cristã reconhece a Jesus como plenamente homem e plenamente Deus, uma única pessoa com duas naturezas, sem mistura e confusão. A Encarnação quer dizer que Deus fez-se homem e não que o homem foi deificado (theopoiese ou theosis).

Portanto, às vésperas do Natal, que celebremos o Deus encarnado! Que sejamos como os pastores a quem os anjos apareceram... Anunciemos: "Nasceu na cidade de Davi, Cristo, o Senhor" (Lucas 2:11).

Deus o abençoe e um feliz natal!

domingo, 22 de novembro de 2015

                           ANSIEDADE

Não ajunteis tesouros na terra, onde traça e ferrugem tudo consomem, e onde ladrões minam e roubam; mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam. Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração. (...) Por isso vos digo: Não andeis cuidadosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber; nem quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais que o mantimento, e o corpo mais do que o vestuário? Olhai para as aves do céu, que nem semeiam,  nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não tendes vós muito mais valor do que elas? E qual de vós poderá, com todo os seus cuidados, acrescentar um côvado à sua estatura? E, quanto ao vestuário, por que andais solícitos? Olhai para os lírios do campo como eles crescem; não trabalham nem fiam; E eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles. Pois se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe, e amanhã é lançada ao forno, não vos vestirá muito mais a vós, homens de pouca fé? Não andeis, pois, inquietos dizendo: Que comeremos, ou que beberemos, ou com que nos vestiremos? Porque todas estas coisas os gentios procuram. Decerto vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas estas coisas; Mas, buscai primeiro o reino de Deus e sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal”. (Mateus 6:19-21,25-34 – Almeida Corrigida Fiel)
A ansiedade é uma condição do coração que dá origem a muitos outros estados pecaminosos da mente. Quatro vezes nessa passagem, Jesus diz aos seus discípulos que não deveriam estar ansiosos (v. 25,27, 31,34). A ansiedade é claramente o tema desse texto. Ele torna a raiz da ansiedade explícita no v. 30: Pois se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe, e amanhã é lançada ao forno, não vos vestirá muito mais a vós, homens de pouca fé? [1].
A causa básica da ansiedade é a falta de confiança em tudo o que Deus prometeu ser para nós, em Jesus[2].  John Piper ensina-nos dizendo que a maneira de lidar contra a ansiedade é combater a sua raiz: A Incredulidade. A forma de combater a incredulidade é, na linguagem do autor, combater fogo com fogo, lançando as promessas de Deus contra as promessas do pecado[3]
A seguir, o referido pastor batista, lista-nos sete preciosas promessas de Deus para o combate à incredulidade[4], das quais listaremos aqui três:
PRIMEIRA PROMESSA DE DEUS PARA COMBATER A INCREDULIDADE
Por isso vos digo: Não andeis cuidadosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber; nem quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais que o mantimento, e o corpo mais do que o vestuário? (v. 25)
Essa é uma argumentação do maior para o menor. Se Deus fez o maior, então fazer o menor é ainda mais garantido. Nesse versículo, o maior é que Deus nos deu vida e corpos. Esses são muito mais complexos e difíceis de manter do que a mera provisão de vestuário. No entanto, Deus tem feito isso. Portanto, muito mais facilmente Deus pode nos providenciar alimentos e roupas. Além disso, não importa o que aconteça, Deus ressuscitará seu corpo um dia e preservará sua vida para sua a comunhão eterna.
SEGUNDA PROMESSA DE DEUS PARA COMBATER A INCREDULIDADE
“E qual de vós poderá, com todos os seus cuidados, acrescentar um côvado a sua estatura? E, quanto ao vestuário, por que andais solícitos? Olhai para os lírios do campo, como eles crescem; não trabalham nem fiam;” (vs. 27-28).
A ansiedade não lhe fará bem algum. Não é o principal argumento, mas, algumas vezes temos de ser duros com nós mesmos e dizer: “Alma, esta inquietação é absolutamente inútil. Você não está apenas bagunçando o seu próprio dia, mas o de um monte de outras pessoas também. Deixe isso com Deus e continue com seu trabalho”. A ansiedade não realiza nada de valor.
TERCEIRA PROMESSA DE DEUS PARA COMBATER A INCREDULIDADE
Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal (v. 34)
Deus assegurará que você não seja testado, no dia dado, mais do que possa suportar (1Coríntios 10:13). Ele trabalhará por você, de modo que “sua força seja como teus dias” (Deuteronômio 33:25). Cada dia não trará mais problemas do que você pode suportar, e cada dia trará misericórdias suficientes para o estresse do dia de hoje (Lamentações 3:22-23).
A batalha contra a ansiedade[5] é uma batalha para crer nas promessas de Deus. E essa crença na graça futura de Deus vem pelo ouvir a Palavra. Assim pregar a nós mesmos é o coração da batalha[6].  O referido pastor batista, considera a ansiedade um pecado, porque não confia na provisão do que Deus nos prometeu ser em Jesus. Nós abraçamos o pecado porque ele promete que, pelo menos em curto prazo, as coisas serão mais agradáveis[7].
O ponto central, portanto, querido leitor (a), é que nessa batalha nós lancemos mão das promessas de Deus contra as promessas do pecado. O apóstolo Pedro nos diz em sua segunda epístola (2Pedro 1:3-4) que as promessas de Deus são grandiosas e preciosas e que por elas nos tornamos participantes da natureza de Deus. Quando então estiver ansioso com alguma coisa, utilize as preciosas promessas de Deus, aplicando-as a sua vida.
Quando você, querido ministro, seminarista, pastor, presbítero, diácono, reverendo, bispo, sentir que seu ministério está sendo inútil, lembre-se da promessa de Isaías 55:11. Quando você estudante, dona de casa, funcionário, patrão, jovem, moça, estiver ansioso com o seu futuro, lembre-se da promessa de Salmo 32:8 e Isaías 48:17. Quando você, querido leitor (a), estiver ansioso ante o envelhecimento, lembre-se da promessa de Isaías 46:4. Quando você, querido leitor (a), estiver com medo da morte, lembre-se da promessa de Romanos 14:7-9 e João 11:25.
Lembre-se de que Deus é poderoso para fazer tudo muito mais abundantemente além de tudo o que pedimos ou pensamos segundo o seu poder que opera em nós (Efésios 3:20) e que ele prometeu em Cristo suprir cada uma de nossas necessidades (Filipenses 4:19).




[1] PIPER, JOHN Lutando contra a incredulidade (Traduzido por Ingrid Rosane A. de Fonseca), São José dos Campos, SP: Fiel, 2014. 176p.
[2] Ibidem.
[3] Ibid, p. 16
[4] Ibidem, pgs. 29-32
[5] No original, este trecho do livro está tratando do assunto “abatimento”, portanto, a palavra aqui é, abatimento; no entanto, adaptei para “ansiedade” em vista do tema proposto.
[6] PIPER, JOHN Lutando contra a incredulidade (Traduzido por Ingrid Rosane A. de Fonseca), São José dos Campos, SP: Fiel, 2014, p. 131 (adaptado).
[7] Ibid. p. 147.

sábado, 10 de outubro de 2015

Pitacos sobre Dúvida

PITACOS SOBRE A DÚVIDA PARA OS CRISTÃOS

“Eu creio, ajuda-me na minha incredulidade” (Marcos 9:24)

Nossa fé busca compreensão constantemente. Santo Anselmo disse que nossa fé é aquela que busca entendimento; ele disse: “Não compreendo para crer, creio para compreender”. Deus nos dotou de inteligência e entendimento e, espera que os usemos adequadamente para o seu Reino. O uso adequado da razão passa por análise de dúvidas legítimas e a procura de respostas, igualmente legítimas. Nessa busca por respostas legítimas devemos entender que alguns de nós, sempre terão questões sem respostas. A questão crucial, no entanto, é aprender a lidar vitoriosamente com a dúvida.

A figura com o que a Bíblia apresenta a dúvida é bastante esclarecedora. Mcgrath, em seu livro “Como lidar com a dúvida” (págs. 55-60), nos diz que O Novo Testamento não usa só uma palavra para designar a dúvida. (...) O Novo Testamento usa quatro imagens principais e, cada uma trata de um ângulo do conceito de dúvida:

1.    Hesitação – “Quando o viram (a Jesus), o adoraram; mas alguns duvidaram” (Mateus 28:17  NVI).


A palavra grega usada aqui (distazõ - διστάζω) tem o sentido de deter-se ou hesitar. A mesma palavra e a mesma ideia pode ser encontrada antes no Evangelho de Mateus (14:31) na descrição da tempestade no mar. Hesitação indica ausência de confiança.

2.
    Indecisão – Jesus, respondeu: “Eu lhes asseguro que, se vocês tiverem fé e não duvidarem, poderão fazer não somente o que foi feito à figueira, mas também dizer a este monte: ‘Levante-se e atire-se no mar’ e, assim será feito”. (Mateus 21:21 NVI)


 
A palavra usada aqui (diakrinõ - διακρίνω) é usada também em Romanos 4:4 e tem o sentido de ‘discutir, estar em desacordo ou discordar’, contudo, no Novo Testamento, um sentido mais sutil se desenvolveu – discutir consigo mesmo. Agora, a palavra se refere a um debate mental interno que reflete indecisão e falta de convicção.  A mesma ideia e palavra aparecem em Tiago 1:6, com uma imagem forte – uma onda empurrada no mar bravio – a pessoa está dividida interiormente , sem saber o que fazer.

3.
    Mente dividida – “Aproximem-se de Deus e, ele se aproximará de vocês! Pecadores limpem as mãos, e vocês, que tem a mente dividida. Purifiquem o coração. (Tiago 4:8 NVI)


A palavra usada aqui é dipsychos (διψυχος). Implica indecisão, hesitação e como resultado, ausência de progresso. Uma ilustração útil é a de “o asno de Buridan”. Imagine que você tem um asno faminto, colocado bem no meio do espaço que separa duas pilhas de alimento. Para sobreviver, ele terá que decidir em qual delas irá se alimentar. Porém, se não conseguir escolher uma das pilhas o infeliz irá morrer de fome. Duvidar significa não ter um resolvido um conflito interno entre a incredulidade e a fé. Denota que há opções em aberto que já deveriam ter sido resolvidas há muito tempo.

4.
     Dúvida como estado mental -  E Jesus disse a Tomé: “Coloque o seu dedo aqui; veja minhas mãos. Estenda a mão e coloque-a no meu lado. Pare de duvidar e creia”. (João 20:27 NVI).


A frase grega usada aqui é de difícil tradução. O grego possui duas formas de imperativo, ou seja, pode mandar a pessoa fazer uma coisa de dois modos diferentes. No imperativo aoristo significa dizer: “Faça isso uma vez”. Essa forma seria usada para pedir alguém para abrir uma janela. No entanto, na outra forma, o imperativo presente, significa “continue fazendo isso; não se limite a fazer uma única vez”. O verbo grego usado em João 20:27 está no imperativo presente. Não significa: “Nesta situação, presente, não duvide – creia!” Em vez disso, quer dizer: “Pare de duvidar agora, de uma vez por todas. E continue acreditando”.

O fato contundente é que a Bíblia reconhece que é possível um cristão genuíno ser atacado por um momento de dúvida. O também Filósofo e teólogo cristão, William Lane Craig, em seu livro: Apologética para questões difíceis da vida (págs. 35-46) nos indaga: “Há algum antídoto para a dúvida?” Eis sua resposta:

Para começar, temos de admitir que não há respostas fáceis para o problema da dúvida. Provavelmente, você terá que trabalhar suas dúvidas num processo lento e agonizante e, pode ter de suportar o que os homens santos tem chamado de ‘noite escura da alma’ ou ‘vale escuro’ antes de se aproximar novamente da luz. (...) Deixe-me lhe dar algumas sugestões prática

1.   
Reconheça que a dúvida nunca é um problema puramente intelectual


Como professores cristãos, estudantes e leigos, nunca devemos perder de vista a mais ampla batalha espiritual em que estamos todos envolvidos. Por isso, devemos ser extremamente cuidadosos com o que dizemos ou escrevemos, a fim de não nos tornemos instrumentos de Satanás na destruição da fé de alguém.

Em 1942, C. S. Lewis descreveu a fé como existindo em território inimigo. Escrevendo durante a Segunda Guerra Mundial, quando parte do continente europeu estava ocupado pelos exércitos nazistas, Lewis tentou expressar que a fé era como um movimento de resistência, que ia contra um poder invasor que vinha determinado a exterminar toda resistência que encontrasse. Disse ele: “O cristianismo é uma religião de luta”.

2.
    Quando a dúvida surge, tenha em mente a relação adequada entre fé e razão.


Fé é o testemunho interno do Espírito Santo (Romanos 8:16); ao falarmos da razão será útil usarmos a distinção feito por Martinho Lutero. Ele distinguiu entre o uso magisterial e o uso ministerial da razão. No uso magisterial da razão, esta se coloca acima do evangelho como um magistrado e juiz, quer seja verdadeira, quer falsa. No uso ministerial da razão, esta se submete ao Evangelho e o serve como criada. Lutero sustentava que somente  o uso ministerial é legítimo. Suas dúvidas não serão dissipadas de uma vez por todas, a grande questão é aprender a lidar com elas.

3.
    Lute com suas dúvidas até resolvê-las.


Qualquer pensador cristão terá uma sacola de perguntas cheias de dificuldades sem solução, com as quais deverá aprender a conviver. No entanto, de vez em quando, quando tiver oportunidade, é bom retirar a sacola da prateleira, selecionar alguma das perguntas e tentar responde-la. Quando você tiver uma pergunta ou dúvida a respeito de uma questão específica, separe algum tempo para estuda-la lendo livros ou artigos sobre o assunto.

4.
    Leia livros que o estimulem a pensar sobre o assunto e desenvolva disciplinas espirituais


Segundo Lewis, a dúvida deve ser esperada. Quanto mais forte a fé, maior ela será. O cristão é como a aranha aquática. Ela é pequena, vive no fundo dos lagos, em uma pequena teia semelhante a um dedal. O abrigo tem um buraco na base, por onde ela entra. Quando chega à superfície do lago, a aranha prende bolhas de ar nos pelos curvados. Então, mergulha até sua toca e coloca as bolhas de ar lá dentro. Após algumas viagens, ela já acumulou ar suficiente para viver algum tempo sob a água. Embora o ambiente seja hostil e estranho, ela sobrevive, por causa do suprimento de ar que pegou na superfície do lago.  Entretanto, em algum momento, a reserva de ar acabará e ela será obrigada a voltar à tona para buscar mais. Sem isso, não sobreviverá sob a água. Como cristãos, moramos em ambiente hostil, alimentados e sustentados por recursos do alto. Mas nossas reservas precisam ser renovadas e completadas, caso contrário, acabarão. A vida espiritual exige acesso contínuo aos recursos espirituais, isto é, os meios de graça – Palavra e Sacramentos. Os soldados aprendem a disciplina para não entrarem em pânico diante da primeira ameaça.

5.
    Desenvolva sua fé

Mcgrath, em seu já citado livro, nos informa que as dúvidas são convites para amadurecimento de nossa fé, um convite para aprofundarmos nossas raízes espirituais. O Rev. Hernandes Dias Lopes, pastor presbiteriano, em seu livro Parábola do Bambu (págs. 29-32) nos informa que o bambu chinês pode crescer e suportar as mais cruéis tempestades devido a consistência de sua raiz e compara o crente a um bambu chinês. Eis o que ele diz:

“Depois de plantada a semente do bambu chinês, vê-se durante quatro anos apenas o lento desabrochar de um broto. Não se percebe que ali está um pé de bambu. Durante quatro anos todo crescimento é subterrâneo, numa estrutura de raiz que se espalha pela terra. Mas no quinto ano, contudo, de forma magistral, para os que não conhecem, o bambu chinês começa a crescer rapidamente, até atingir vinte e quatro metros. O exemplo do bambu chinês tem a ver com nossa vida. Muitas vezes esperamos resultados imediatos e nos sentimos frustrados em não alcança-los. Trabalhamos, investimos tempo e esforço, mas por meses e anos não vemos nenhum crescimento, nenhum progresso em nossa vida. Precisamos cultivar a paciência. O quinto ano chegará e, como o bambu chinês, muitos ficarão surpreendidos. O bambu chinês só atinge os vinte e quatro metros, porque durante quatro anos, desenvolveu uma forte estrutura de raiz.”

Para concluir, lembremo-nos das palavras de Mcgrath (págs.137-139): “Preocupar-se com dúvidas é tão sem sentido  quanto a ansiedade em relação à morte. Não muda a situação e desvia sua atenção das oportunidades que a vida cristã tem a oferecer. Preocupação com dúvidas é como introspecção espiritual constante, na qual você gasta todo o tempo olhando para o seu interior, seus sentimentos e dúvidas – quando deveria estar olhando para fora, para o Deus vivo que fez sua fé nascer e prometeu sustentá-la e alimentá-la em dias difíceis. (....) Então, veja a dúvida como um convite para alimentar sua fé, prive-a da atenção que precisa para crescer. De algum modo, aprenda a enxerga-la de forma positiva. Não fique deprimido nem permita que dúvidas obtenham a vitória. Veja-as como oportunidade para crescer na fé e consolidar seus recursos espirituais, em vez de um sinal de fraqueza. Sua fé só enfraquecerá se permitir que a dúvida o vença. (...) Então, é importante desenvolver estratégias que possibilitem o desenvolvimento da fé. Isso não significa tentar acreditar mais; significa permitir que sua fé repouse em fundamentos pessoais e doutrinários mais firmes”.


Querido leitor (a), não desanime diante das dificuldades e dúvidas. Elas são oportunidades de crescimento. Aproveite-as para fundamentar melhor sua fé e lembre-se: “Maior é o que está em vós do que aquele que está no mundo” (...) Já tendes vencido o maligno (...). Fortifique-se na graça, usando os meios de graça que são a correta ministração do Batismo e da Ceia, a fiel exposição da Palavra de Deus no culto público e a comunhão com os irmãos. Lembre-se do estímulo que Richard Nixon nos dá e ouçamo-lo: “Você nunca será vencido quando fracassa. Você será vencido somente quando desistir. Nunca desista. Nunca, nunca, nunca".

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

ACASO VERSUS DESÍGNIO DIVINO

 Os judeus, ao contrário dos seus vizinhos pagãos, não acreditavam em sorte, azar, acaso, acidente ou contingências. Eram os filisteus e não os israelitas que afirmavam que as coisas poderiam acontecer ao acaso (1Sm. 6:9). Para os judeus, Deus traçara planos para as nações e homens e o cumprimento desses planos era inevitável. Os propósitos divinos não poderiam ser frutados por homem nenhum (Jó 42:2; Pv. 19:21; Is. 14:27; 43:13; 46:10-11).
Os autores do Antigo Testamento sempre descreveram eventos aparentemente fortuitos como meios pelos quais Deus realizou seu propósito. Assim, o amalequita que vageava ao acaso no monte Gilboa foi aquele que encontrou e matou o agonizante Saul , cumprindo, assim, a determinação do Senhor de castigar o rei por ter consultado a médium (2Sm. 1:6-10; 1Cr. 10:13). Ao encontrar casualmente um leão, o homem de Deus foi atacado pelo animal e morreu, e a profecia lançada contra ele foi cumprida (1Rs 13:21-24). O arqueiro que atirou sua flecha ao acaso acabou atingindo o rei de Israel, e dessa forma, cumpriu-se a predição sobre a morte do monarca (2Cr. 18:33). A visita casual que Acazias fez a Jorão e o encontro fortuito com Jeú foram providências divinas para que Acazias fosse morto (2Cr. 22:7-9). A tempestade que atingiu o navio em que Jonas fugia para Társis não foi mera contingência, mas resultado da ação divina para que o profeta chegasse a Nínive (Jn. 1:4).
Para Jesus, até mesmo os aspectos mais insignificantes da vida, como o número de cabelos das nossas cabeças (Mt. 10:30) e, corriqueiras como a morte de pardais (v. 29) estão sob o controle da vontade de Deus. Jesus era capaz de profetizar coisas triviais como o local onde se encontrava a jumenta e o jumentinho (Mt 21:2), o fato de que Pedro acharia a moeda na boca de um peixe (Mt 17:27) ou que em determinado instante um homem entraria na cidade com um cântaro na cabeça (Lc 22:10).
Os discípulos de Jesus, autores do Novo Testamento, tinham exatamente essa noção que nada ocorre por acaso. Tudo o que dizia respeito a Cristo tinha sido minuciosamente determinado por Deus como, o local do seu nascimento (Mt 2:5-6), a fuga para o Egito (v 15), a mudança para Nazaré (v 23), os milagres (Mt 8:16-17), a traição (Jo 17:12), o sofrimento e morte na cruz (At 3:18), incluindo detalhes de crueldade com o que o trataram, como ingestão de vinagre (Jo 19:28-29), a destruição da túnica (v 24) e a perfuração do corpo por uma lança (vs 34-37). E não só os fatos relacionados com Jesus foram determinados por Deus, como também aqueles relacionados com o nascimento da Igreja como, por exemplo, a substituição de Judas (At 1:16-26), o dia de Pentecoste (At 2:14-17), a rejeição de Israel (At 13:40-46), a inclusão dos gentios na Igreja (At 15:15-20).
Os cristãos foram predestinados (Rm 8:29; Ef 1:5,11), escolhidos antes da fundação do mundo (Ef 1:4). Até mesmo o sofrimento que acontece por causa do Evangelho é visto como propósito do Pai (1Pe 3:17; 4:19). Os primeiros cristãos foram ensinados a reconhecer uma santa conspiração divina em tudo o que lhes aconteciam (Rm 8:28), a ponto de darem graças por tudo (1Ts. 5:18). Foram aconselhados a dizerem: "Se o Senhor quiser, [...] faremos isto ou aquilo" (Tg. 4:15).
Assim, está claro que a ideia que tudo o que acontece é mera contingência é fruto da mentalidade pagã e das religiões idólatras e também dos maniqueístas, gnósticos, ateus, agnósticos, especialmente os evolucionistas que defendem que tudo surgiu e acontece como combinação fortuita de tempo e acaso. Os verdadeiros cristãos, todavia, cantam o antigo hino: "Acaso para mim não haverá"...
Claro que tanto o Antigo e Novo Testamentos, responsabilizam o homem por cada escolhas suas, livremente movidas por suas inclinações e desejos e ao mesmo tempo ensina que Deus decretou de antemão tudo o que acontece.
Não nos enganemos. A discussão entre acaso versus planejamento não é uma disputa teológica entre cristãos arminianos e calvinistas, pois os arminianos e os calvinistas concordam que Deus tem um plano, que ele controla a história, que não existe acaso e que Ele conhece o futuro. Ambos aceitam a Bíblia como Palavra de Deus e querem se guiar por ela. O confronto, na verdade, é entre duas visões de mundo completamente antagônicas, a visão pagã e a visão bíblica, entre as religiões pagãs e a religião bíblica.
(Retirado de Polêmicas na Igreja, do Dr. Augustus Nicodemus Lopes)

segunda-feira, 20 de julho de 2015

A catolicidade da Igreja


O Credo Niceno-Constantinopolitano afirma: “Creio na Igreja. Una, Santa, Católica, Apostólica.”

Um credo é um resumo dos artigos essenciais da cristandade. O credo Niceno-Constantinopolitano surgiu em 381 AD para dirimir disputas acerca da Deidade do Espírito Santo entre os cristãos da época. Esse credo nos apresenta quatro sinais ou marcas da verdadeira Igreja e são eles: 1- Unicidade ou Unidade; 2- Santidade; 3- Apostolicidade; 4- Catolicidade.

Cada um destes apresenta-nos uma verdade acerca do Corpo Místico de Cristo – A Igreja. Por hora, detenhamo-nos no sinal da Catolicidade.

 Muitos Protestantes certamente estranharão o fato que a Igreja Protestante é, acima de tudo, Católica. Essa ligeira confusão se dá devido à má compreensão do termo ‘católico’. Este termo é uma transliteração do grego e significa simplesmente Universal. Essa expressão aparece no vocabulário cristão desde 450 AD. Por ‘católica’, queremos dizer que a igreja é ‘universal no tempo e no espaço’. A igreja que ‘abrange o todo’, devido sua abertura a todas as classes de pessoas de todos os lugares. A igreja que existe além das barreiras de idioma, etnia, cultura e nacionalidade. Portanto, trata-se da igreja que é espiritual, mística e invisível, contudo, de forma alguma etérea ou ilusória. Não se trata do ramo Romano da Cristandade, trata-se antes, do corpo místico de Cristo que engloba todos os fiéis que já morreram, que estão vivos, os que ainda hão de nascer.

Ao dizermos que a igreja é católica, dizemos que estamos todos interligados uns aos outros, de modo que tudo o que ela faz pertence a todos. Quando a igreja batiza uma criança, isso me afeta, pois aquela criança está desde então, relacionada com a cabeça que é minha cabeça, incorporada a um corpo do qual também sou membro. E quando a igreja enterra um homem, isso me afeta, pois a humanidade toda é do mesmo Criador, e é uma coisa só [...] O homem não é uma ilha, bastando-se a si próprio; cada homem é um pedaço do continente, uma parte do todo. Um torrão levado pelas águas do mar significa perda para o continente, como significaria perda se desaparecesse um promontório, ou a sua propriedade, ou a do seu amigo; a morte de qualquer homem diminui meu próprio ser, pois faço também parte do gênero humano e acima de tudo, faço parte da Igreja.
A igreja é católica porque Jesus reconciliou o mundo na cruz (2Co. 5:19). A atividade do Espírito de Deus, por meio do Evangelho pregado pela igreja, não está limitado pelo tempo, nem pelo espaço ou cultura, pois para Deus não há brasileiros, argentinos, árabes, judeus, europeus, negros, asiáticos, pois Cristo é tudo em todos (Cl. 3:11). Se temos um só mestre e somos todos irmãos e irmãs (Mt. 23:8) e, se temos todos acesso ao Pai por meio do mesmo Espírito (Ef. 2:18), então a Igreja é Universal [Católica]. O seu limite vai até onde a atividade do Pai, do Cristo e do Espírito, por meio do Evangelho, podem ir.

Devemos nos lembrar do que o famoso evangelista inglês do século XVIII, George Whitefield, afirmou num sermão:
‘Pai Abraão, quem está com você nos céus? Os episcopais? Não! Os presbiterianos? Não! Os independentes ou metodistas? Não, não, não! Quem está com você? Nós, aqui, não sabemos os seus nomes. Todos os que estão aqui são cristãos (...). É esse o caso? Então, Deus, nos ajude a esquecer do nome de grupos e nos tornarmos cristãos de verdade. ’

Isso certamente soa o que Martinho Lutero dizia: “A primeira coisa que peço é que as pessoas não façam uso de meu nome e não se chamem luteranas, mas cristãs. Que é Lutero? O ensino não é meu. Nem fui crucificado por ninguém. [...] Como eu, saco fétido de larvas que sou, cheguei ao ponto em que pessoas chamam aos filhos de Cristo por meu perverso nome”?

A catolicidade da igreja não é uma marca exclusiva do credo. Emana da Escritura, da Bíblia. Examinemos agora, alguns versículos:

1-) Hebreus 12:18,22-23

“Ora, não tendes chegado ao fogo palpável e ardente, e à escuridão, e à trevas, e à tempestade, mas tendes chegado ao monte Sião e à cidade do Deus vivo, a Jerusalém celestial, e a incontáveis hostes de anjos, e à universal assembleia e igreja dos primogênitos arrolados nos céus”...

2-) 1Coríntios 12:12,13

“Porque, assim como o corpo é um e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos constituem um só corpo, assim também com respeito a Cristo. Pois, em um só Espírito, todos nós fomos batizados em um corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres. E a todos nós foi dado beber de um só Espírito.”

3-) Efésios 4:4-6

“Há somente um corpo e um Espírito, como também fostes chamados numa só esperança da vossa vocação; há um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos age por meio de todos, e está em todos”

4-) Apocalipse 5:9-10

“E entoavam novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro e de abrir-lhes os selos, porque foste morto e com o teu sangue compraste para Deus os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação e para o nosso Deus os constituíste reino e sacerdotes; e reinarão sobre a terra”.

Não há nenhum indicio no Novo Testamento de um cristianismo de peregrino solitário, como não há nenhuma sugestão de que alguém pode ser virtualmente unido com Cristo e espiritualmente distanciado da igreja. A igreja por ser católica (universal) não está dividida em níveis de excelência e iluminação espiritual, antes, todos tem o mesmo conhecimento e a mesma unção advinda de Deus e que trata-se do Espírito Santo (1Jo 2:20,27).

De acordo com Cipriano de Cartago, pai da Igreja no século III, ‘não pode possuir a veste de Cristo quem separa e divide a Igreja de Cristo’. Até mesmo Lutero, a quem muitas vezes se culpa de ter dividido a igreja, valorizou a unidade da verdadeira igreja cristã e defendeu a nova mudança de igreja “evangélica” como uma restauração da igreja, ao invés de um cisma ou uma divisão no seio da igreja.

As implicações práticas disto para nós são que ‘se um membro sofre, todos sofrem com ele’ (1Co 12:26); as perseguições que a igreja vem sofrendo no Oriente também nos afetam aqui. As heresias e inovações teológicas que tem surgido na Alemanha e nos EUA também têm contaminado os púlpitos, as cátedras de nossas igrejas aqui. As implicações práticas disto são que não podemos e tampouco devemos inovar o cristianismo. Devemos antes, recorrer a vasta produção dos Pais, dos Reformadores, dos Concílios; pois a ortodoxia está onde há submissão às Escrituras Sagradas e “acordo com os Pais e Concílios”, como escreveu Karl Barth em sua exposição do Credo. Outra implicação prática para nós nisto é o que Lutero chamou de 'sacerdócio de todos os cristãos'. Onde cada um, ministra ao outro no poder do Espírito, eliminando assim a ideia de que um padre, pastor, bispo ou pretenso apóstolo arrogue para si o título de sacerdote, pois hoje somos uma nação toda de sacerdotes (1Pe 2:9; Ap. 1:5; 5:10).

 Nesse sentido, precisamos ter em mente que “é na Igreja que a Bíblia é lida; é pela Igreja que a Bíblia é ouvida. Isso significa que ao ler a Bíblia, nós deveríamos ouvir também o que a Igreja tem até agora lido e ouvido da Bíblia. Deve ser guardado na memória que, como membro da Igreja não se deve falar antes de ter ouvido”. Pois como o poeta medieval Pedro de Blois afirmou somos anões espirituais e quando estudamos os escritos dos gigantes do passado nos colocamos sobre seus ombros, vendo mais longe. Uma sã teologia nunca nasce de novo. Ao honrar a sã tradição, se assegura a continuidade teológica com o passado. Ao mesmo tempo, a tradição cria a possibilidade de abrir novas portas para o futuro. Como diz o provérbio: ‘A tradição é o prólogo do futuro’.

Precisamos resgatar a catolicidade da igreja. O que os Pais escreveram e conforma-se com a Escritura não é patrimônio exclusivo dos católicos romanos, mas nosso também. O que os concílios ecumênicos pronunciaram e que está em conformidade com as Escrituras não é somente dos católicos romanos ou ortodoxos orientais, mas nosso também. Precisamos nos lembrar que ao perseguirem uma parte da Igreja na sua catolicidade, nos atingem aqui.  Lembrai-vos dos encarcerados, como se presos com eles; dos que sofrem maus tratos, como se, com efeito, vós mesmos em pessoa fôsseis maltratados (Hb 13:3).

A Igreja Protestante é Católica, porque assegura sua continuidade teológica honrando a tradição em submissão à Escritura.  A Igreja não nasce conosco e não morre conosco. Que possamos aprender a ouvir o que mentes brilhantes já abriram caminho e disseram sobre a Igreja e assim, evitarmos repetir os erros tão crassos que a história nos mostra. Que possamos olhar como os gigantes do passado foram relevantes para sua época e tomar para nós os princípios que os nortearam nessa empreitada. Que Deus nos ajude a resgatar a verdade bíblica e teológica da catolicidade da Igreja do Senhor Jesus Cristo.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

A extinção da fé: Previna-se

E porque a iniquidade terá crescido, o amor de muitos será extinto." (Mt. 24:12 - tradução pessoal)

Introdução: O que será que significam essas palavras de Jesus? Aplica-se elas aos eleitos? O que podemos aprender com elas? A seguir, esboçaremos algumas ideias do ensinamento por trás dessa passagem. O ensinamento dessa passagem é que:

I – Há um crescimento contínuo e crescente da Iniquidade em todo tempo

O Novo Testamento foi escrito em grego e, no grego, há três vozes: ativa, média, passiva. O termo terá crescido (multiplicar nas versões convencionais) está no futuro passivo indicando a ideia de que a ação é contínua, ainda em progresso. Isso significa que a cada geração que passa o pecado só tende a crescer até atingir seu ápice no retorno de Cristo. Por essa razão, Jesus adverte seus discípulos com a pergunta: “Quando o Filho do Homem vier, achará fé na terra”? [Lc. 18:8b].

II – O esfriamento da fé vem de fora, não é algo auto imposto

O termo ‘esfriar’ (será extinto) está no tempo passivo, indicando que o sujeito do texto (amor) sofre ação de fora (pecado – iniquidade). Foi isso que aconteceu no Éden, Adão pecou e morreu espiritualmente (Gn. 2:17). Não desistimos da Bíblia, Oração, Igreja e pecamos; é o contrário, entregamo-nos ao pecado e por entregarmo-nos ao pecado, desistimos dessas coisas benditas. Por isso mesmo, a Escritura nos proíbe de guardar pecado no coração (Sl. 66:18), nos ordena a apegar a Palavra (Sl. 119:11), porque tudo começa no coração (Mc. 7:15,21). Essa é a razão porque a Bíblia nos estimula a lutar contra o pecado a ponto de derramar sangue se for necessário (Hb.12:4). O fato de sermos eleitos não elimina nossa vigilância (Mt. 26:41).

III - O esfriamento é geral, mas não total

O texto diz que o amor de muitos se esfriaria, não diz que o amor de todos se esfriaria. O Senhor devido seu pacto eterno (Is. 45:17; Jr. 32:40) jamais deixará que seus eleitos caia total e definitivamente da graça. Há a intercessão contínua de Cristo em favor dos salvos (Hb. 7:25), Há a semente de Deus nos salvos (1 Jo. 3:9), há o selo do Espírito no Salvo (Ef. 1:13; 4:30). De fato, em Efésios, o termo ‘penhor’ (1:13), indica ‘entrada garantida’. Isso significa que o Espírito Santo veio nos assistir a fim de garantir nossa entrada no Reino. Isso não significa que ficaremos passivos, mas desenvolveremos, através de Cristo e seu Espírito nossa eleição (Fp. 2:12-13; II Pe. 1:10-11).

Conclusão: De fato há promessas no Novo Testamento que asseguram a salvação eterna (Jo. 10:28-29; II Tm. 4:18; Jd 24; Fp. 1:6; Rm. 8:38-39), mas igualmente há passagens que nos estimular a perseverar (Mt. 24:13; Jo. 8:31-32; II Pe. 1:10-11; 3:18), diante disso, façamos prevenção. Apeguemo-nos ao Espírito Santo e aos meios de graça (Oração, Bíblia, Jejum, Igreja) para fortalecermos na Graça (II Tm 2:1) até o dia de Cristo.

domingo, 3 de maio de 2015

A 'Marca da Besta'!?

Escatologia - A doutrina das últimas coisas

Bom, novamente trataremos um pouco da doutrina das últimas coisas neste blog, a razão disto é que eu vejo muita perturbação entre as pessoas sob a tal 'marca da besta', o tal chip de que tanto se fala. Por isso, resolvi expor minha opinião, que acredito ser coerentemente bíblica e o farei de modo sucinto. Colocarei de imediato minha opinião e em seguida explanarei o motivo porque acredito ser ela a que melhor se coaduna com a Escritura. Vamos lá:


I. A Marca da Besta, no Apocalipse, não parece ser algo visível;
Ao contrário de algo visível, deveríamos esperar que seja a submissão à um espírito maligno .
Assim como a marca dos selados de Deus (Ap. 7:3; 9:4; 14:1-2) não é visível, mas trata-se do cristãos submeterem-se ao Espírito Santo (2 Co. 1:22; Ef. 1:13; 4:30), assim também, muito provavelmente, a marca da besta se caracterizará por uma operação de obediência ao espírito do anticristo que já está operante no mundo (2 Ts. 2:7; 1 Jo. 4:3) e, principalmente nos filhos da Ira (Ef. 2:2). De fato, Ap 16:13-14 nos mostra que toda atuação da besta é inspirada por espíritos malignos.
II. O alto caráter simbólico de Apocalipse, parece não sustentar uma interpretação literal da tal marca;
O apóstolo João está contrastando a besta com Jesus nos capítulos 13 e 14, para mostrar a superioridade de Jesus.
A besta é tratada como 'cordeiro' (Ap. 13:11) e Jesus é o legítimo Cordeiro (Ap. 14:1; Jo. 1:29). A segunda besta emerge da terra (Ap. 13:11) e Jesus está no monte Sião (Ap. 14:1). A besta tem seus adoradores (Ap.13:12) e Jesus tem os seus (Ap. 14:3).O número da besta é 666 (Ap 13:18) e o número da Igreja é 144.000 (Ap.14:3). Os seguidores da Besta são escravos (Ap. 13:16) e os seguidores de Jesus são redimidos (Ap. 14:3). Os seguidores da besta tem sua marca (Ap. 13:16,17), os seguidores de Jesus tem o nome do Pai e do Filho (Ap 14:1). A besta promove engano (Ap. 13:14), Jesus e seus seguidores promovem a verdade (Ap.14:5).
Evidencia-se que o simbolismo está presente no fato de que:
1. Nem Jesus e nem a besta são literalmente cordeiros. Jesus é homem, mesmo após ressurreição - Lucas 24:39; Filipenses 3:20
2. Os 144.000 mil significam a totalidade da Igreja Invisível. Os 144.000 vieram da genealogia do capítulo 7:5-8, lá, retrata uma genealogia única na Escritura. Em Ap. 7 acontece a única vez que a tribo de Dã é omitida numa genealogia e Efraim é substituído por José. Além do mais, Ap. 7:9 diz que aqueles que alvejaram suas vestiduras no sangue de Cristo são grande multidão de todos os povos, todas as tribos, línguas e nações e não somente judeus.
O número 144.000 (12x12x1000) simboliza a totalidade. Desde os Pais da Igreja, o número mil tem sido interpretado alegoricamente, baseado em Sl. 90:4 e 2Pe. 3:8.
3. A besta emerge do 'mar' (Ap. 13:1);
O próprio apóstolo João interpreta-nos o significado de mar em Ap 17:15 como sendo povos, multidões, nações e línguas. Além disto, em Ap. 11:7 é dito que a mesma besta emerge do abismo. O abismo, no Novo Testamento, é morada de demônios (Lc. 8:31), o fato de ela emergir do mar e do abismo, significa portanto, seu caráter maligno. Assim como no Antigo Testamento, o mar significa caos e habitação dos inimigos de Deus (Gn 1:2; Is. 27:1; 51:9). As águas são símbolo das nações não regeneradas em sua agitação (Is 57:20).
III. O Apocalipse tem um recurso linguístico chamado paralelismo progressivo;
O paralelismo progressivo divide o Apocalipse em sete partes. Cada uma das quais recapitula os eventos do mesmo período ao invés de descrever os eventos de períodos sucessivos. Cada uma delas trata da mesma era – o período entre a primeira e a segunda vinda de Cristo – retomando temas anteriores, elaborando-os e desenvolvendo-os ainda mais.
Embora essas seções sejam paralelas entre si, revelam também certo grau de progressão escatológica. A última seção, por exemplo, leva-nos mais além para o futuro que as outras.

A primeira das seções está nos capítulos 1 a 3
A segunda destas seções se encontra nos capítulos 4 a 7
A terceira seção, nos capítulos 8 a 11
A quarta seção, capítulos 12 a 14
A quinta seção encontra-se nos capítulos 15 e 16
A sexta seção, capítulos 17 a 19
A sétima seção, Capítulos 20-22

Apesar do juízo final já ter sido anunciado em 1:7 e brevemente descrito em 6:12-17, não é apresentado detalhadamente senão quando chegamos a 20:11-15. Apesar do gozo final dos redimidos já ter sido insinuado em 7:15-17, não encontramos uma descrição detalhada e elaborada da benção da vida na nova terra senão quando chegamos ao capítulo 21.
• Cada seção descreve todo o período que compreende da primeira à segunda vinda. Cada sessão descreve uma cena do fim.
• A cena do fim vai ficando cada vez mais clara e até chegar ao relato apoteótico da última sessão.
• Essas sete seções estão divididas em dois grandes períodos (1 -11) e (12-22). A primeira descreve a perseguição do mundo e ímpios e a segunda a perseguição do dragão e seus agentes.
Os capítulos 12-14, fazem parte da quarta seção e retratam toda história desde o nascimento até o retorno de Jesus. O nascimento é visto em 12:5 e o julgamento final é visto em 14:8, 14-20.
Concluindo, não há razão para interpretarmos que qualquer chip seja a marca da besta, ele está mais tendencioso a ser uma obediência espiritual.

sábado, 21 de março de 2015

O que é e por que estudar a doutrina da Providência Divina?

Nesse presente artigo, busco incentivar o estudo da Providência por quatro motivos básicos, como expostos no Catecismo de Heidelberg. Discorro também sobre o que significa a ideia bíblico-teológica da Providência, como ela se manifesta e o que nos ensina.

O título Providência na literatura clássica:

Os escritores clássicos empregam o vocábulo grego “pronoia” (πρόνοια) a respeito da Providência de Deus, embora nenhum termo isolado, no hebraico ou grego bíblicos, transmita completa e satisfatoriamente a ideia Bíblico-Teológica que temos da Providência. O termo πρόνοια ocorre no Novo Testamento em duas passagens: Atos 24:2 e Romanos 13:14, mas nunca, o termo está ligado a uma ação divina, e sim, humana. Já a palavra portuguesa “Providência” vem do Latim “Providentia”, etimologicamente significa “ver antes”, “ver de antemão”, adquirindo posteriormente o usual significado Teológico.

A ideia Bíblico-Teológica da Providência:

A Providência é normalmente definida na Teologia Cristã como a “incessante atividade do Criador, mediante a qual, em abundância e boa vontade transbordantes, ele sustenta suas criaturas em existência ordenada, guia e governa todos os acontecimentos, circunstâncias, livres atos de anjos e homens e dirige tudo para o seu alvo apontado visando a sua própria Glória”.

Nessa definição encontramos três conceitos presentes na doutrina da Providência:

I – Sustentação (Colossenses 1:17; Hebreus 1:3)
II – Concorrência (Gênesis 45:5-8;  Efésios 1:11)
III -  Governo (Salmo 103:19; Daniel 4:35; Romanos 8:28)

 Nem sempre essa tríplice divisão foi empregada pelos teólogos; Calvino e o Catecismo de Heidelberg, dentre outros, na sua definição da Providência aplicaram somente os termos  Preservação (Sustentação) e o Governo, sendo que a Concorrência está inserida dentro da ideia da Sustentação.

As multifacetadas manifestações da Providência

A Providência, segundo o pensamento dos reformadores, manifestava-se de três formas:

I – Providência Universal dispensada a ordem da Natureza (eliminando então o Panteísmo, o Deísmo e o Naturalismo);

II – Providência especial de Deus lidando com a humanidade (o que usualmente se conhece como “Graça Comum”);

III – Providência Particular de Deus – Dada exclusivamente aos Eleitos;

A importância do estudo da doutrina da Providência:

O Catecismo de Heidelberg oferece-nos quatro excelentes motivos pelos quais devemos nos ater ao estudo da Providência; veja o que ele diz:

[Devemos conhecer a doutrina da Providência] Para que tenhamos paciência em toda a adversidade, mostremos gratidão em toda prosperidade,  para que quanto ao futuro tenhamos a firme confiança em nosso fiel Deus e Pai, de que criatura alguma pode nos separar do amor dele. Porque todas as criaturas estão nas mãos de Deus, de tal maneira que sem a vontade dele não podem agir, nem se mover”.

Sendo assim, os quatro motivos são:

I – Estudar a Doutrina da Providência nos possibilita a ter “paciência em toda a adversidade”;

“O extremo de todas as misérias é o desconhecimento da Providência e a suprema bem-aventurança está posta sobre seu conhecimento” (Calvino).

Quando algum ruim nos acontece entendemos que é Deus agindo através de seus instrumentos, como ensinou Lutero; de sorte que entendemos também que até o diabo é o “diabo de Deus”, pois este não age independente do poder e da vontade benevolente de Deus.

 Entendemos que o mal que nos sobrevêm, nos sobrevém para promover em nós o caráter de Cristo. Isso era o que impulsionava os cristãos do Primeiro Século, porque eles sabiam que foi dado a eles não somente que cressem em Cristo, mas que sofressem por ele também (Filipenses 1:29), de tal forma que aquele que com ele sofre, com ele é glorificado (II Timóteo 2:11-13).

II – Estudar a doutrina da Providência gera em nós Gratidão;

O Deus Todo-Poderoso, Criador do Céu e da Terra, Infinito, Sábio, Santo, se importa conosco; ele que habita no lugar inacessível, olha condescentemente para nós. Ele tem tal zelo por nós que ‘até todos os cabelos de nossa cabeça estão contados’ (Mateus 10:30). Somos gratos porque ele, providencialmente, ‘tudo nos provê ricamente, para a nossa satisfação’ (I Timóteo 6:18). Somos gratos porque ele é bom e faz o bem a todos (Salmo 119:68, 145). Porque ele é aquele que nos dá o alimento através das leis naturais (Gênesis 8:21; Salmo 104:14,15,27,28), abençoa o nosso trabalho desde o amanhecer até o anoitecer (Salmo 104:23; 128:1-2). Somos gratos porque sabemos que a palavra final não é da morte, nem da derrota, nem do diabo, mas de Deus. Ele é quem se assenta no Globo e do seu Trono governa os céus e a Terra.

III – O conhecimento da Doutrina da Providência gera em nós a confiança de que nada pode nos separar de Deus

Martinho Lutero, reformador alemão do Séc. XVI, desenvolveu a “Teologia da Cruz”; Segundo essa Teologia, vemos Deus assumindo os nossos sofrimentos, tornando-se um conosco, porque aquilo que ele não assumiu, ele não curou como diria Gregório de Nissa; Deus é  mais bem visto e entendido da perspectiva do Calvário. Ele é mais bem visto como o Misericordioso por Excelência, ele é mais bem visto como o Juiz Justo, que julga e condena o pecado e o pecador impenitente. Na cruz, a Justiça e Misericórdia se encontraram. Foi na cruz que se tornou possível, por iniciativa única de Deus, que ninguém nos separe dele. Jesus disse que ninguém arrebata suas ovelhas da sua mão. De sorte que se vivemos, para o Senhor vivemos; Se morremos, para o Senhor morremos, de sorte que vivamos ou morramos somos do Senhor (Romanos 14:8).

IV – O conhecimento da Doutrina da Providência gera em nós alegria e certeza antecipada do Triunfo;

Ao vencedor darei o direito de sentar-se comigo em meu trono, assim como eu também venci e sentei-me com meu Pai em seu trono.”                             (Apocalipse 3:21)

Vi tronos em que se assentaram aqueles a quem havia sido dada autoridade para julgar. Vi as almas dos que foram decapitados por causa do testemunho de Jesus e da palavra de Deus. Eles não tinham adorado a besta nem a sua imagem, e não tinham recebido a sua marca na testa nem nas mãos. Eles ressuscitaram e reinaram com Cristo durante mil anos. (Apocalipse 20:4)

"Por amor de ti enfrentamos a morte todos os dias; somos considerados como ovelhas destinadas ao matadouro". Mas, em todas estas coisas somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou. (Romanos 8:36,37)

“Mesmo que nós caiamos, a nossa causa será vitoriosa porque Cristo está assentado á direita de Deus; O Evangelho Triunfará e isso me conforta de forma extraordinária.”   (John Owen)

“Tem havido dias gloriosos e grandiosos do Evangelho nesta terra, mas eles serão nada em comparação àquilo que haverá no futuro” (James Renwick)

O reino de Cristo agora ainda não é deste mundo (João 18:36), mas, haverá um dia, na Regeneração (Mateus 19:28) onde a Criação será liberta da escravidão (Romanos 8:21-23), onde nós reinaremos eternamente com Cristo, pois o seu reino não tem fim (Lucas 1:33), esse Reino Justo e Eterno será conhecido como “Novos céus e nova Terra (Isaias 65:17; Apocalipse 21:1), onde habita a Justiça (II Pedro 3:13). Por isso cantamos “Vencendo vem, Jesus”!

O que a Providência nos Ensina

A Providência nos ensina que Deus não age unicamente por milagres; quem estuda a Providência entende que Deus age por meios. Deus cura tanto por milagre como através dos médicos, a mão de Deus pode ser vista no púlpito da Igreja quanto no trabalho braçal de um camponês. Louvamos a Deus pela boa música, pela boa vestimenta, tanto quanto o louvamos na expressão cúltica. A Providência nos ensina que: “Na extensão total da vida humana não há nenhum centímetro quadrado acerca do qual Cristo, que é o único soberano, não declare: Isto é meu". (Abraham Kuyper). Ele é tão Senhor na Academia quanto na Igreja; É tão Senhor na Família como nos negócios.

I – Primeiramente a Providência nos ensina que nosso Deus é Incriado; (O Deus Transcendente)

Deus não é parte do mundo (Panteísmo), Deus não se reduz a leis naturais (Naturalismo), Deus não está distante do mundo (Deísmo). Deus transcende a tudo isto, ele é o “Alto e Sublime, que vive para sempre, e cujo nome é santo [e diz]: "Habito num lugar alto e santo” (Isaias 57:15).

II – Em segundo Lugar, a Providência nos ensina que Deus se relaciona com a sua criação bondosamente; (O Deus Imanente)

Deus energiza tudo (Efésios 1:11), isso significa que independente dele ninguém consegue existir, ele é o ser necessário, todo o resto compõe se de seres contingentes. Nele, nos movemos e existimos (Atos 17:28).  Sem ele, nada do que existe teria sido feito (João 1:3). Ele é o Deus que “habito também com o contrito e humilde de espírito, para dar novo ânimo ao espírito do humilde e novo alento ao coração do contrito” (Isaías 57:15b)

III – Em terceiro Lugar, a doutrina da Providência nos ensina que o Deus regente do Universo é Pessoal;

Não é um Fatalismo cego que nos dirige, mas sim, um Pai amoroso e zeloso (Tiago 4:6), que sabe as nossas necessidades (Mateus 6:8,32) e as supre (Filipenses 4:19).

A Personalidade de Deus pode ser vista nos seus atributos Morais: Ele é Amoroso, Bondoso, Gracioso, Justo, Santo, etc. Adjetivos que não empregamos para coisas, somente para pessoas.

No próximo artigo, exploraremos com mais afinco, as três divisões da Providência: “Sustentação, Concorrência e Governo”.