sábado, 16 de julho de 2016

EU SOU UM DETERMINISTA BÍBLICO!


Um determinista bíblico não é um fatalista, pelo simples fato de que um fatalista crê que tudo foi determinado por uma força impessoal. Os deterministas bíblicos, por outro lado, creem que tudo foi determinado, todavia, por um Deus pessoal, sábio, justo, onipotente e amoroso. O conceito de acaso aparece na Bíblia, a primeira vez, associado aos filisteus, um povo que estava fora da aliança salvifica de Deus (1Samuel 6:9). Os judeus, crentes na época do Antigo Testamento, por outro lado, creem que até mesmo as minúcias todas foram determinadas por Deus (2Crônicas 18:33; Provérbios 16:33), inclusive eventos relacionados a natureza (Jonas 1:4). Para os crentes do Antigo Testamento, até mesmo ações pecaminosas dos homens foram decretadas por Deus como é o caso do endurecimento do coração do faraó (Êxodo 7:3; 9:12), o endurecimento do coração de Seom (Deuteronômio 2:30), bem assim a recusa dos filhos de Eli em arrepender-se, pois Deus queria mata-los (1Samuel 2:25). Em contrapartida, os crentes do Antigo Testamento não atribuíam a Deus a culpa pelo pecado humano, uma vez que Deus é visto como santo, justo, puro, incapaz de ver o mal (Habacuque 1:13).

Para Jesus, já no Novo Testamento, até mesmo eventos triviais como a quantidade de cabelo da cabeça (Mateus 10:30) ou a morte de um pardal (Mateus 10:29) estão sob a vontade decretiva de Deus. Os primeiros cristãos foram ensinados a ver tudo o que lhes aconteciam como vindo diretamente de Deus para eles (Romanos 8:28). À semelhança dos crentes do Antigo Testamento, os autores do Novo Testamento atribuem a Deus o fato de ímpios e pecadores impenitentes afundarem cada vez mais no pecado (Romanos 1:24,26,28), Deus faz os réprobos crerem na mentira (2Tessalonicenses 2:11).


Para nós é por bem crer assim, uma vez que a Bíblia assegura que todo plano que for traçado por Deus cabalmente se cumprirá (Salmo 33:10,11; Isaías 14:27; Jó 9:12; 23:13; Daniel 4:35). Deus está no controle até mesmo dos pensamentos dos soberanos das nações (Provérbios 21:1). A Bíblia é enfática ao dizer que todos os dias que temos foram determinados por Deus (Salmo 139:16; Jó 14:5) e não cabe ao homem dirigir seu futuro (Jeremias 10:23), antes este é determinado pelo Senhor (Provérbios 16:9). Deus no seu eterno decreto, cria inclusive, o que sentiremos (Salmo 33:14,15)  e o que faremos (Filipenses 2:13). Ele governa absolutamente tudo (Salmo 103:19). Deus inclusive predestinou a crucificação do Cristo (Atos 4:27,28). Aqui concordamos com Lutero que disse: “Se Deus disse, isso virá a se cumprir. Ninguém deve perguntar se algo é possível, mas se Deus o disse”. (Obras de Lutero, vol. 52, p. 168; igualmente citado em “A heroica ousadia de Martinho Lutero”, p. 46-47).

O pensamento aqui esboçado não é exclusivamente nosso. Já na época dos reformadores, isso uma vez que estamos omitindo intencionalmente a era dos Pais, Lutero declarou que ‘depois da queda, o livre-arbítrio existe apenas nominalmente’ (Teologia dos reformadores, p. 76). Já, Ulrico Zuinglio declarou que ‘não podemos deixar de admitir que nada, nem mesmo a menor das coisas acontece sem que seja ordenada por Deus’ (Ibidem, p. 123). Warfield, teólogo e professor no Seminário de Princeton, declarou que 'tudo o que vem até você está sob a mão controladora de Deus' (Lutando contra a Incredulidade, p. 80). Diante disto, percebemos que Deus está no controle de tudo, levando a história para seu cumprimento conforme ele determinou (Isaías 46:10-11), e que agindo Deus ninguém impedirá (Isaías 43:13), pois ninguém pode frustrar os planos do Todo-Poderoso (Jó 42:2). Não estamos à deriva como Crusoé, mas estamos caminhando para o Télos (o alvo) planejado por Deus para seus filhos, cientes de que ele detém o controle de tudo. Apocalipse, o último livro do Novo Testamento, tem uma cena impactante: Jesus está no trono com um livro da história em suas mãos, reinando supremamente. (Apocalipse 5). Ele já reina e reinará pelos séculos dos séculos e tudo está sob seu comando, eis a razão porque sou determinista bíblico!

Por Marcos Júnior