sexta-feira, 19 de maio de 2017

Panorama Bíblico - Livros Poéticos: SALMOS - Marcos Júnior

SALMOS



Título do livro

O livro em hebraico se chama seper tehilim, isto é, livro dos louvores (תְּהִלִּים סֵפֶר). Esse título é derivado da palavra hebraica que é comumente traduzida por Aleluia (תְּהִלִּים). Quando os judeus alexandrinos traduziram o Antigo Testamento, optaram por usar o termo Psalmoz, cujo significado é “tanger”, “cânticos piedosos”. Daí tem-se dito que o termo Salmo quer dizer oração cantada e acompanhada com instrumentos musicais (nem todos acreditam assim, antes, defendem o uso da voz da congregação conforme Hebreus assinala). Este termo grego é usado dos Salmos em Lucas 20:42; 24:44 e Atos 1:20. É o livro mais citado no Novo Testamento.

A opus Magnum de Charles Spurgeon foi um comentário deste livro intitulado tesouros de Davi. Ao finalizar tal obra, Spurgeon comentou:

“Mística tristeza pesa em meu espírito ao completar o 'Tesouro de Davi' visto que jamais encontrarei na terra repertório mais rico, embora tenha aberto para mim todo o palácio da Revelação. Abençoados têm sido os dias dispendidos em meditar, prantear, esperar, crer e exultar com Davi. Posso esperar usufruir dias mais alegres aquém da porta dourada? O livro dos Salmos nos instruiu, tanto no uso das asas como no uso das palavras. ele nos prepara tanto para voar como para cantar”.

Autoria do livro

O livro dos Salmos é uma coletânea de, pelo menos, seis autores. 

Os títulos dos salmos creditam a Davi 73 deles e o Novo Testamento confirma dois de sua autoria (Sl 2; At. 4:25; Sl 95; Hb. 4:7). Asafe foi autor de, pelo menos, 12 deles (Sl 50, 73-83). Os filhos de Corá escreveram pelo menos 11 deles (Sl. 42; 44-49; 84; 85-87;88). Salomão escreveu 2 deles (Sl. 72 e 127). Etã escreveu o Sl. 89. Moisés escreveu o Sl 90-91.  Melquisedeque escreveu o Sl 110. Adão escreveu o Sl 139, segundo a tradição judaica. Jedutum escreveu o Sl 39, 62,77. Jeremias escreveu o Sl 112; Ezequiel o Sl 126. Ageu e Zacarias escreveram os Sl 137, 146-149 conforme tradição encontrada na versão dos Setenta (Septuaginta – LXX).

Perspectivas históricas sobre a interpretação dos salmos[1]

Desde cedo na tradição judaica via-se a interpretação escatológica-messiânica. A fraqueza dessa interpretação reside no fato de que nos salmos falta a ausência da terminologia “naquele dia” ou algo semelhante tão comum nos escritos proféticos de Israel.

No século 19, se impôs a interpretação histórica. Uma tentativa de interpretar os salmos a partir da suposta época do surgimento. A fraqueza desse argumento é que dificilmente o salmo se dará a conhecer no local histórico específico, pois usa como vimos muitas vezes a linguagem figurada. De tal forma que um salmo pode ser usado para expressar certo sentimento em várias gerações.

Outros pensadores desenvolveram o que é chamado de interpretação histórica-cultual. Essa visão compreende os salmos como a hinódia do culto. Partindo de uma prerrogativa como essa juntamente com o nome do livro em grego, alguns tem defendido a Salmodia Exclusiva.

A interpretação estilístico-literária busca ver em cada salmo uma obra de arte singular, uma unidade em termos lingüístico-estruturais. Ou seja, o que tem mais valor no salmo é a linguagem e a estrutura.

A interpretação na perspectiva da história da tradição mostra bons resultados em relação ao Pentateuco, ao explicar o texto a partir de sua formação gradativa no decorrer da história.

CINCO LIVROS EM UM[2]

Até o aparecimento da versão Revista e Atualizada da SBB, o estudante brasileiro ignorava, de modo geral, o fato de que o livro dos Salmos é, de fato, uma coleção de cinco livros. Conforme pode ser verificado, esses livros são os seguintes:

Livros
Salmos contidos
Livro I:
Salmos 1–41
Livro II:
Salmos 42–72
Livro III:
Salmos 73–89
Livro IV:
Salmos 90–106
Livro V:
Salmos 107–150

Cada um desses livros se encerra com uma doxologia, sendo que no caso do quinto livro todo um salmo (150) cumpre essa função, formando um grand finale para toda a coleção.

Essa divisão certamente já existia antes da formação da Septuaginta (c. 200 a.C.), pois esta já contém as doxologias ao final dos quatro primeiros livros.

A tradução judia explica o formato do livro como um eco consciente do Pentateuco. Literatura judia do período talmúdico (entre 200 e 500 d.C.) afirma que “assim como Moisés deu a Israel os cinco livros da Lei, assim Davi deu cinco livros de salmos a Israel”.  Mais recentemente, o hebraísta Delitzsch disse: “O Saltério é também um pentateuco, o eco do Pentateuco mosaico, saído do coração de Israel. São os cinco livros que brotam da congregação para o Senhor, assim como a lei compreende os cinco livros oriundos do Senhor para a congregação”. O primeiro grupo, relacionado a Gênesis, tem muito a dizer sobre o homem. O segundo grupo, correspondente a Êxodo, tem muito a dizer sobre a libertação. O terceiro, relativo a Levítico, encontra,  nos salmos de Asafe, o destaque ao santuário. O quarto grupo, associado a Números e começando com o salmo 90, a oração de Moisés, ressalta a época em que a inquietação e a peregrinação hão de cessar no reino vindouro, quando as nações se inclinarão perante o Rei de Deus. O quinto grupo, correspondente a Deuteronômio, contém muita ação de graça pela fidelidade de Deus e salienta muito a palavra do Senhor, como, por exemplo, no mais longo dos salmos, que tem por tema a Palavra escrita do Senhor [3].

O Pentateuco de Israel para Deus
Livro
Autor
Correspondência
Livro 1
Davi
Gênesis
Livro 2
Davi
Êxodo
Livro 3
Asafe
Levítico
Livro 4
Anônimo
Números
Livro 5
Davi/Anônimo
Deuteronômio

TERMOS TÉCNICOS PARA DESIGNAR TIPOS DE SALMOS[4]

• Salmo

No hebraico מִזְמוֹר (mizmôr), ou seja, canção acompanhada pelo tangimento das cordas de um instrumento. 57 salmos têm esta designação. Psalmoz é uma palavra grega e não hebraica.

 • Cântico

No hebraico שִׁיר (šîr), ou seja, cântico ou canção. 12 salmos apresentam este título.

• Masquil

No hebraico מַשְׂכִּיל (masîl). A SBB traduz por “salmo didático”, mas a idéia mais provável é a de “poema para meditação”. 13 salmos são assim designados.

• Hino

No hebraico מִכְתָּם (mitām). o significado deste termo é incerto. De uma possível raiz hebraica que poderia significar “de ouro” ou “precioso”; de uma raiz acádia que poderia significar“escondido” ou “não publicado”; de uma raiz árabe que poderia significar “unção” ou “perdoar”. A tradução da SBB como “hino” é mera conjectura. O termo é encontrado no título de seis salmos.

•  Oração

No hebraico תְּפִלָּה (tep̄illâ). Encontrado em cinco salmos. É usado para descrever os salmos de Davi nos livros I & II (cf. Salmo 72:20). É também encontrado no sobrescrito de Sl 17, 86, 90, 102, 142 .

•  Louvor

No hebraico תְּהִלָּה (tehillâ). Usado no Salmo 145.

CLASSIFICAÇÃO DOS SALMOS[5]

Categoria
Quantidade de Salmos


Hinos de louvor
Trinta e Um (31)
Lamentos individuais
Cinquenta e cinco (55)
Lamentos coletivos
Vinte e sete (27)
Salmos reais
Dez (10)
Salmos didáticos
Vinte e três (23)

Data

A datação do livro é difícil, pois existem salmos pré-exílicos, exílicos e pós-exílicos. Em termos gerais, os eruditos datam o livro no ano 1.000 A.C. Expressam grandes verdades em estilo poético, calculado para atingir as cordas mais profundas do coração. Deveríamos aprender a lição que nos dão, de que o conhecimento intelectual não é o bastante, o coração também deve ser tocado pela graça redentora de Deus. Jonathan Edwards escreveu um excelentíssimo tratado sobre esse tema chamado “emoções religiosas”.

O livro é extremamente valioso para a Igreja ao longo dos anos, tal como o testemunho do bispo Ambrósio, pastor em Milão:

“Embora toda a Bíblia respire a graça de Deus, O Livro dos Salmos é mais doce que todos os outros. A história instrui, a lei ensina, a profecia anuncia, reprova e castiga e a moral persuade; mas no Livro dos Salmos temos o fruto de todas elas e uma espécie de remédio para a salvação dos homens” [6].

Epígrafes no Saltério[7]

Dos cento e cinquenta salmos apenas trinta e quatro não possui epigrafes.  Cento e cinquenta e dois têm títulos reduzidos. Catorze possui explicação de sua ligação histórica. Outros possuem epígrafes especiais que parecem ser com ligações musicais. Quatro dos títulos expressam o propósito do salmo. Por fim, há os cânticos dos degraus.  Essas epígrafes presentes no saltério são antiquíssimas, uma vez que a tradução grega do A.T. no séc. III aC apenas translitera alguns termos, pois os termos hebraicos se tornaram obscuros com o tempo. O Dr. J. Sidlow Baxter é de opinião que tais epígrafes faziam parte dos autógrafos do A.T. O significado de tais epígrafes é obscuro para nós também. O Dr. E. W. Bullinger disse certa feita: “Nenhum tema de estudo bíblico parece ser mais incapaz de solução”. O grande hebraísta Franz Delitzsch afirmou a respeito dos chamados “títulos” dos salmos: “A Septuaginta já os encontrou em existência e não os compreendeu. [...] A chave para o seu entendimento deve ter-se perdido muito cedo”. Comparando os salmos com o Salmo encontrando em Habacuque 3 e em Isaías 38:9-20,  a erudição moderna considera que a estrutura das epígrafes seja como segue:

• O sobrescrito
• O cântico ou salmo
• O subscrito

Sendo assim, Isaías 38:9-20 ficaria assim:

1) Sobrescrito – “Cântico de Ezequias, rei de Judá, depois de ter estado doente e se ter restabelecido...” (v.9);
2) O cântico em Si – Presentes nos vs. 10-20;
3) o subscrito: “... pelo que, tangendo os instrumentos de cordas, nós o louvaremos todos os dias de nossa vida na casa do SENHOR”. (v 20b)

O fato de que a LXX tratou todas as epígrafes como título deve-se ao fato de que no texto hebraico antigo não havia separação entre um salmo e outro, daí, os judeus consideraram alguns subscritos como títulos de outros salmos.

SALMOS IMPRECATÓRIOS: UM DESAFIO PARA O SEC. XXI?

Os salmos são apreciados por descrever as emoções que sentimos com maestria. O grande problema que enfrentamos ao ler os salmos que pedem vingança, isto é, os salmos imprecatórios é que nos é ordenado tanto no A.T quanto no N.T. a amar nossos inimigos, orar pelos que nos perseguem, abençoar e não maldizer. O que fazer com salmos assim?

C.S. Lewis escreveu em reflexões sobre os salmos : “Não podemos simplesmente perdoar os salmistas com o argumento que não eram cristãos e não sabiam que eram errado, pois no centro da lei judaica em Lv. 19:17,18 aparece a seguinte instrução ‘não guarde ódio no seu coração... Não se vingue... mas ame os outros como você ama a si mesmo. Se os judeus amaldiçoavam com maior intensidade que os pagãos, isto se deve, penso eu, ao menos em parte, ao fato de encararem  com maior seriedade essa questão do que certo e errado; eles estão irados não apenas porque foram injustiçados, mas porque há coisas que são detestáveis aos olhos de Deus”.[8]

Phillip Yancey declara: “Vejo nas maldições que aparecem nos salmos um importante modelo de como lidar com o mal e a injustiça. Eu não deveria reprimir a minha reação de horror e raiva diante do mal. Tampouco devemos tentar fazer justiça com as próprias mãos.  Ao contrário, devo apresentar essas emoções, com toda a franqueza diante de Deus. O salmistas expressam e dirigem a sua indignação a Deus e não aos inimigos.[9]” 

A Bíblia de Estudo Palavras-chave, editada pela CPAD (p. 596) declara que ‘a natureza da poesia hebraica é particularmente apropriada para expressar sentimentos intensos. Os salmos são profundamente pessoais por explorar todo o campo das emoções humanas’; isto tem a ver com os imprecatórios e o nosso desejo por justiça.

Os salmos imprecatórios são: 35; 58; 59; 69; 83; 109; 137. As passagens mais curtas são: 5:10; 6:10; 28:4; 31:17,18; 40:14,15; 41:10;  55:9,15;  70:2,3;  71:13;  79:6,12; 129:5-8; 140:9,10; 141:10; 149:7-9. A postura encontrada nos salmos imprecatórios é igualmente encontrada no Novo Testamento, como, por exemplo, nas palavras de Paulo: “Alexandre, o latoeiro, causou-me muitos males; o Senhor lhe dará a paga segundo as suas obras” (2Tm 4:14)[10]; portanto, as imprecações não necessitam de severas reprovações.

O princípio hermenêutico da Primeira Menção que diz que a primeira ocorrência do texto esclarece as demais ocorrências é útil aqui também. A primeira menção dos salmos imprecatórios no Sl. 5:10 demonstra contra quem se dirige as imprecações diante de Deus: aos ímpios.  Declara-os culpados, ó Deus; caiam por seus próprios planos. Rejeita-os por causa de suas muitas transgressões, pois se rebelaram contra ti”. Essa imprecação é contra transgressores rebeldes, e é contra eles somente porque são o que são, como vemos na última oração: “... Pois se rebelaram contra ti”. Um exame cuidadoso de todas as passagens imprecatórias mostra que dois terços delas são especificamente contra malfeitores como tais; nas restantes, o mesmo motivo parece estar implícito. Embora estejamos longe de afirmar que esse fato por si só esclarece as passagens imprecatórias, destacamos seu valor ao pelo menos esclarecer sua motivação.
Um outro fato acerca dessas passagens imprecatórias a ser cuidadosamente ressaltado relaciona-se ao espírito em que foram escritas. Podemos perguntar: “Por que o salmista não mostrou um espírito bondoso para com aqueles que o maltratavam?”. A resposta é que elejá fizera isso, e dele fizeram mal uso. Aqui e ali nos salmos imprecatórios encontramos palavras como: “Pagam-me o mal pelo bem...” (35:12); “... tenho de restituir o que não furtei” (69:4); e “Pagaram-me o bem com o mal, o amor, com ódio” (109:5), salientando que as imprecações não contrariam o espírito do Novo Testamento, antes estabelece ainda mais a unidade entre Testamentos.

Os salmos imprecatórios tem caráter profético. O salmo 137 roga pela queda da Babilônia que aqui representa todos os inimigos de Deus; se abrirmos a Bíblia em Apocalipse 18:2,6 veremos o eco do salmo quando se lê: “caiu, caiu a grande Babilônia, Dai-lhe em retribuição como também ela retribuiu, pagai-lhe em dobro segundo as suas obras...”.

Em resumo: os salmos imprecatórios são bem fundados no motivo, no ponto de vista e no espírito. Expressam um senso moral inerente à natureza humana e não um desejo pessoal de vingança. O elemento profético sobrenatural neles presente sela-os como genuinamente inspirados. Existem também passagens perfeitamente equivalentes no Novo Testamento. Deduzimos, portanto, que as objeções a esses salmos nascem de suscetibilidades sentimentais da natureza humana, e não de raciocínio lógico. Mas toda vez que o sentimento discorda da lógica bem fundada, é errado e deve ser firmemente reprimido[11].

CRISTO NOS SALMOS[12]

Os textos de Cunrã, nos dias antes de Jesus, mostram que a tradição judaica já reconhecia nos Salmos um elemento profético. Esse elemento profético fala do Cristo de Deus: Jesus de Nazaré. Em Lc. 24:44, o próprio Senhor vê elementos que falam dele nos salmos. Em At. 2, Pedro cita palavras dos salmos como referindo-se ao Cristo.  Outros exemplos podem ser dados:

• Alguns salmos apresentam a figura de um rei, sacerdote e juiz que nunca se concretizou em nenhum dos reis de Israel (Sl. 2; 89; 110), os cristãos viram nelas menções à Jesus;

• O Salmo 22 é citado por Marcos (Mc 15:24), por João (Jo. 20:25) e o Salmo 69 é citado por Mateus (Mt. 27:34,38) como sendo cumpridos em Cristo Jesus;

•O salmo 2:7 é citado no batismo de Jesus (Mt.3:17), sua transfiguração (Mt. 17:5) e sua ressurreição (At. 13:33); O salmo 8:6 é aplicado à Jesus em Hebreus 2:6-10; O Salmo 16:10 é citado em Atos 2:27; 13:35; O Salmo 40:7-8 é citado em Hebreus 10:7; O salmo 110:4 é citado em Hebreus 7:17; O Salmo 118:22 é citado em Mt. 21:42 e outras passagens e o salmo 118:26 em Mt 21:9.







[1] SCHMIDT WERNER H. INTRODUÇÃO AO ANTIGO TESTAMENTO, 3ª EDIÇÃO, SÃO LEOPOLDO, RS, SINODAL, 2004, p. 288-289 adaptado.

[2] PINTO, Carlos Osvaldo Cardoso, Foco e desenvolvimento no Antigo Testamento / Carlos Osvaldo Cardoso Pinto – São Paulo : Hagnos, 2008, p. 321, adaptado.

[3] BAXTER Sidlow J, Examinai as Escrituras - Jó a Lamentações, trad. Neyd Siqueira, Ed. rev., São Paulo, Vida Nova, 1993, p. 95.

[4] PINTO, Carlos Osvaldo Cardoso, Foco e desenvolvimento no Antigo Testamento / Carlos Osvaldo Cardoso Pinto – São Paulo : Hagnos, 2008, p. 321, adaptado.

[5] ELLISEN, Stanley A. Conheça melhor o Antigo Testamento: Um guia com esboços e gráficos explicativos dos primeiros 39 livros da Bíblia; trad. Emma Ander de S. Lima, 2ª Ed. rev. E atual. São Paulo, Ed. Vida, 2007, pp 207-208 adaptado.

[6] APUD BAXTER Sidlow J, Examinai as Escrituras - Jó a Lamentações, trad. Neyd Siqueira, Ed. rev., São Paulo, Vida Nova, 1993, p. 93

[7] Ibid., p. 101ss (adaptado).

[8] APUD ALEXANDER, Pat e David, Manual Bíblico SBB trad. Lailah de Noronha, Barueri, SP, 2 ed. Revisada,  2010, p. 382.

[9] Ibid. (adaptado).

[10] BAXTER Sidlow J, Examinai as Escrituras - Jó a Lamentações, trad. Neyd Siqueira, Ed. rev., São Paulo, Vida Nova, 1993 p. 120-121

[11] BAXTER Sidlow J, Examinai as Escrituras - Jó a Lamentações, trad. Neyd Siqueira, Ed. rev., São Paulo, Vida Nova, 1993 p. 120-127 (adaptado).

[12] ALEXANDER, Pat e David, Manual Bíblico SBB trad. Lailah de Noronha, Barueri, SP, 2 ed. Revisada,  2010, p 388.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Uma volta à presença de Deus – Edu Marques

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Tinha Ezequias vinte e cinco anos de idade, quando começou a reinar, e reinou vinte e nove anos em Jerusalém; e era o nome de sua mãe Abia, filha de Zacarias.
E fez o que era reto aos olhos do Senhor, conforme a tudo quanto fizera Davi, seu pai.
2 Crônicas 29:1,2
30:25-27
E alegraram-se, toda a congregação de Judá, e os sacerdotes, e os levitas, toda a congregação de todos os que vieram de Israel, como também os estrangeiros que vieram da terra de Israel e os que habitavam em Judá.
E houve grande alegria em Jerusalém; porque desde os dias de Salomão, filho de Davi, rei de Israel, tal não houve em Jerusalém.
Então os sacerdotes e os levitas se levantaram e abençoaram o povo; e a sua voz foi ouvida; porque a sua oração chegou até à santa habitação de Deus, até aos céus.

                                    Introdução                         

O reinado de Ezequias marcou uma época de um grande avivamento espiritual, coisa que não acontecia desde os tempos de seu pai Acaz,(Cap.28), a qual fechou as portas do templo do Senhor, e instituiu práticas abomináveis em Israel, todo tipo de imagens fundidas, e sacrificou os próprios filhos, fazendo isso Deus os entregou aos seus inimigos, porque  violou as leis do Senhor a qual tinha ordenado ao seu povo a forma correta de lhe prestar culto.
Uma das primeiras coisas que Ezequias fez, foi abrir as portas da Casa do Senhor. Como está descrito no verso 3, e ele convoca os levitas a qual trabalhavam na Casa de Deus e os chama a santidade, e a renovar a Aliança com Deus. Ezequias sabia que foi pela transgressão de seu pai, que copiava os cultos pagãos, e por isso que veio a grande ira do Senhor contra eles.

1. Os Levitas purificam o templo
Eles tiraram para fora toda a abominação e imundícia que estava na casa do Senhor. Todos os ídolos, estátuas, toda forma de culto que não era descrito pela lei do Senhor, toda a forma de culto que copiavam das nações pagãs e ímpias.

2. Ezequias restabelece o culto a Deus
Algo que não se fazia a muito tempo.
O culto começa como? Com ofertas pelo pecado de todos, por abandonarem a Lei do Senhor. Do verso 21 ao 24 ele mandou trazer todos os animais para o sacrifício pelos pecados do povo.

E pôs os levitas na casa do Senhor com címbalos, com saltérios, e com harpas, conforme ao mandado de Davi e de Gade, o vidente do rei, e do profeta Natã; porque este mandado veio do Senhor, por mão de seus profetas.
Estavam, pois, os levitas em pé com os instrumentos de Davi, e os sacerdotes com as trombetas.
E Ezequias deu ordem que oferecessem o holocausto sobre o altar; e ao tempo em que começou o holocausto, começou também o canto do Senhor, com as trombetas e com os instrumentos de Davi, rei de Israel.
E toda a congregação se prostrou, quando entoavam o canto, e as trombetas eram tocadas; tudo isto até o holocausto se acabar.
E acabando de o oferecer, o rei e todos quantos com ele se achavam se prostraram e adoraram.
Então o rei Ezequias e os príncipes disseram aos levitas que louvassem ao Senhor com as palavras de Davi, e de Asafe, o vidente. E o louvaram com alegria e se inclinaram e adoraram.
2 Crônicas 29:25-30

No verso 35 nos diz que esses holocaustos eram em abundância a ponto de ter que chamar mais pessoas para ajudar nos sacrifícios, porque somente os sacerdotes pela Lei é que podiam sacrificar, e no v.36 diz que todo o povo se alegrava e se prostrava com isso.

3. A Celebração da Páscoa
No capítulo 30, Ezequias faz um pregão, ou seja, um decreto do Rei, para que todo o povo fosse chamado por meio de cartas a vir celebrar a Páscoa do Senhor. Todo o povo foi convocado para essa festa, enviou cartas por todo o reino.
Infelizmente, muitos não estavam em disposição, ou comunhão com o Senhor, não haviam se santificado a Deus, mas estavam dispostos a servirem o Senhor de todo o coração, que Ezequias ora por eles e diz:

“.....porém Ezequias orou por eles, dizendo: O Senhor, que é bom, perdoa todo aquele
Que tem preparado o seu coração para buscar ao Senhor Deus, o Deus de seus pais, ainda que não esteja purificado segundo a purificação do santuário.
E ouviu o Senhor a Ezequias, e sarou o povo.
2 Crônicas 30:18b-20

E também, Ezequias, rei de Judá, apresentou como um ato extraordinário de generosidade e compromisso pessoal, o rei compartilhou seus próprios recursos com o povo. Possivelmente, de alguma forma, isso foi necessário devido a uma segunda semana imprevista de sacrifício. Os estrangeiros eram forasteiros que viviam em Israel e Judá e podiam ir às festas, porque se uniram a Deus e à Lei.
A festa da Páscoa era seguida pela festa dos pães asmos, que eram sete dias que o povo ficava reunido comendo esses pães. A abundância era tanta, que eles ficaram mais sete dias de festas, ou seja, quatorze dias festejando a festa dos pães asmos, porque Ezequias apresentou mais ofertas de mil novilhos e sete mil ovelhas, e os príncipes de Israel, mais mil novilhos e dez mil ovelhas. Ler o 25-27.

                                   Aplicação

1- Purifica a nossa vida
Ezequias como era da descendência de Davi, e um antepassado de Jesus, tipifica, era um tipo, para nós hoje o Senhor Jesus Cristo que purificou e purifica as nossas vidas e intercede por nós. Jesus também compartilhou seus recursos com o seu povo. Toda a riqueza dá glória, Ele concedeu a nós.
No NT nos somos descritos com Templos do Espírito Santo de Deus que habita em nós. Depois que somos remidos por seu sangue, o Espírito santo vem habitar em nós.

Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos?
1 Coríntios 6:19

Somos propriedades dEle.

Culto não é apenas na Igreja, é uma forma de vida. Ele nos ordena a fazer o que, a fugir de todo tipo de pecado contra o nosso corpo, se eu faço coisas contra o meu corpo, eu estou trazendo abominações ao Templo do Espírito Santo. E não podemos também, querer copiar a forma de culto de outros que não servem ao Senhor, não posso me comparar com pessoas ímpias que não temem a Deus, pode até ser legal, atraí muitas pessoas, mas não é bíblico, e se não é bíblico, não podemos fazer, fazemos somente o que a Bíblia nos manda.
Não existe mais o Templo em Israel, ele foi destruído no ano 70 d.c. pelo Império Romano e Cristo deixou isso bem claro para nós em Mateus 24.1-2:

E, quando Jesus ia saindo do templo, aproximaram-se dele os seus discípulos para lhe mostrarem a estrutura do templo.
Jesus, porém, lhes disse: Não vedes tudo isto? Em verdade vos digo que não ficará aqui pedra sobre pedra que não seja derrubada.

Essa idéia de que o templo dos judeus precisa ser reconstruído por causa da volta de Jesus, é fruto de uma péssima Teologia e má interpretação bíblica, porque em Hebreus 9 nos diz que não precisamos mais do sacerdócio, e sim, que temos um único Sacerdote que entrou uma única vez e ofereceu um único sacrifício pelo perdão de nossos pecados.

2- Ele estabelece o nosso culto, e por onde começamos?
Se todos nós que cremos na oferta de Jesus por nós, e sabemos que ainda somos pecadores, começamos o nosso culto a Deus, confessando os nossos pecados e falhas, lhe pedindo perdão a Deus. Por que de forma alguma podemos omitir isso:

O que encobre as suas transgressões nunca prosperará, mas o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia. Provérbios 28:13

Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós.
Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça.
1 João 1:8,9


3- Nos convida para uma festa.
Essa festa, é o que viemos fazer aqui hoje, participar da mesa do Senhor juntos em comunhão com ele e com os irmãos. Nessa festa hoje aqui, é um meio de Graça a qual o Senhor nos orientou a fazer para ser um alimento espiritual para nós, para nos fortalecer a nossa fé e a nossa caminhada nesse mundo, e também devemos nos examinarmos para a ver como está a nossa vida diante de Deus, e se eu realmente sei o que eu estou fazendo aqui nesse dia de Ceia. A Bíblia diz que todo o povo se alegrou na Páscoa, hoje a Ceia para nós como Igreja do Senhor, como povo de Deus, substitui a Páscoa, e nos diz que devemos também nos alegrar por tão grande Salvação em Cristo que temos hoje, e a certeza de que nossas orações serão escutadas por Deus. Olha o que diz em Provérbios 28:9:

O que desvia os seus ouvidos de ouvir a lei, até a sua oração será abominável. Quer ter a sua oração escutada?

Obedeça os mandamentos do Senhor.

Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma deste pão e beba deste cálice.
1 Coríntios 11:28

Depois que passamos por esse processo de santificação, o avivamento nas nossas vidas acontece. Avivamento não é barulho, ou cair em êxtase emocional, sim uma vida de santificação e obediência a Palavra de Deus. Não podemos jamais nos apresentar como nos tempos de Acaz onde o Templo era fechado cheio de imundícias e pecados dos mais detestáveis possíveis, devemos nos apresentar a Deus, como fez Ezequias, voltando-se para as Escrituras,  confessando os nossos pecados, nos examinando, estabelecendo as nossas vidas para o cultuar ao Senhor Deus de forma digna e correta.

Que Deus abençoe à todos!